Revista Plaf chega ao mercado para discutir a diversidade dos quadrinhos

Por Ricardo Ballarine | 24 de Agosto de 2017 às 14h34

Vem de Pernambuco a mais nova iniciativa do mundo das HQs. A revista Plaf, totalmente dedicada aos quadrinhos, terá seu primeiro número lançado no fim de agosto. Idealizada por Paulo Floro, editor de O Grito!, importante site cultural fincado no Recife, a publicação pretende dar conta da produção independente e tratar o gênero com o interesse que ele merece.

Para a empreitada, Paulo Floro, que cobria HQ para o O Grito!, chamou Dandara Palankof, autora de uma coluna sobre quadrinhos no site e tradutora de títulos do gênero, e Carol Almeida, jornalista com tem forte ligação com a cultura pop. A proposta da nova revista é expandir a cobertura que tradicionalmente é feita hoje no Brasil, com foco na produção autoral. A Plaf quer ampliar esse olhar: refletir nas suas páginas a efervescência da área com um olhar crítico. “Acredito que o mercado editorial atual está maduro para uma revista sobre quadrinhos”, diz Paulo Floro.

Agora, quem ainda compra revista impressa? Esse é um desafio que a equipe da Plaf tem bem claro. “Há muitas possibilidades de inovação no jornalismo impresso”, afirma Floro. Eles trabalham com o perfil do leitor de quadrinhos, que gosta do papel e da plataforma física. “Queremos instigar o colecionismo e por isso temos um cuidado grande com o acabamento e escolha dos autores das HQs inéditas.”

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O perfil da revista tende a atrair fãs iniciados e aqueles que começam a mergulhar nesse universo. Para começar, a Plaf é um produto essencialmente jornalístico. A linha editorial terá como foco a diversidade existente hoje no cenário de quadrinhos, mas com a devida atenção à produção autoral. As edições terão entrevistas, reportagens, resenhas e HQs inéditas.

Capa da primeira edição da revista Plaf

A diversidade atual desse gênero, para o editor, permite dizer que as HQs não são mais produtos de nicho. “Estamos vendo os quadrinhos serem reconhecidos como uma arte legítima, que se relaciona com o mundo e que se movimenta, se transforma. Vamos em uma livraria ou comic-shop e podemos ver HQs europeias, de terror, mangás, obras brasileiras antigas e novas, super-heróis, ensaios, ficção-científica. Há HQs para todos os públicos. Queremos que essa arte instigante possa ser ainda mais popular, é o que nos motiva.”

No número de estreia, por exemplo, a revista publica uma história encomendada a Raoni Assis sobre o Ocupe Estelita, um movimento popular contra a especulação imobiliária no Recife. “O cinema e as artes plásticas sempre se engajaram e debateram esse movimento, mas agora os quadrinhos também trazem uma contribuição. Isso nos deu muito orgulho”, diz Floro.

Preview de matéria da revista Plaf

A revista já quer marcar posição logo de saída, sem medo de enfrentar a polêmica. Com a proposta de debater obras com temática LGBT, a revista reflete na estreia um assunto que toca diretamente aos criadores. “A escolha dessa primeira pauta de destaque surgiu meio que naturalmente. Quem edita a revista é um cara gay e duas mulheres lésbicas. A gente quis falar de algo que nos tocasse diretamente, que mexesse conosco. É como se a gente dissesse que a representatividade é algo que nos importa bastante na revista”, diz Floro.

Então, a matéria de capa fala sobre a representatividade LGBT nas HQs, com um apanhado que envolve as representações nos quadrinhos populares da Marvel e DC e também a história das publicações queer que surgiram nos Estados Unidos no final dos anos 1970. E a capa, icônica, foi desenhada pela quadrinista mineira Lu Cafaggi.

Revista tem super-heróis também

Vai ter, sim, quadrinhos de super-heróis, mas de uma forma que eles dialoguem com o mundo, com contexto. Floro alerta: “Quadrinhos são bem mais do que isso”. A Plaf tem o desafio de trazer essas obras para dentro de um debate maior. No primeiro número, já vai dar para ter uma ideia da proposta da revista. Além dos exemplos da Marvel e DC representados na reportagem principal, tem também uma matéria sobre Watchmen. “O legal das HQs é que até no gênero super-heróis podemos encontrar uma produção autoral rica e inovadora”, diz o editor.

Tem política também, marcando presença numa entrevista com André Dahmer, da série Malvados. O cardápio é amplo e resgata boas histórias, como a da Ragu, uma das primeiras revistas de quadrinhos de Pernambuco. No campo autoral, o leitor terá uma HQ experimental de João Lin. Para os mais saudosistas, tem um infográfico especial sobre as andanças de Tintin pelo mundo. Estes são alguns exemplos do que o leitor terá nas 60 páginas da Plaf.

Por enquanto, a revista será vendida em bancas do Recife, João Pessoa, São Paulo e Curitiba, mas deve chegar a outras capitais em breve. Além disso, será possível comprar pela loja on-line, hospedada no site da revista, e no perfil do Facebook . Ela custa R$ 15 e será bimestral. O segundo número deverá sair no fim de outubro.

HQ presente no primeiro número da revista Plaf

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