Quadrinhos e super-heróis: Confira os destaques da Marvel e DC em junho

Por Claudio Yuge | 01 de Julho de 2020 às 20h00
DC

Olá pessoal, esta é uma nova coluna mensal que estreio neste dia 1º, uma quarta-feira. Aqui vamos abordar tudo o que aconteceu de mais importante nos lançamentos das duas maiores editoras de super-heróis dos Estados Unidos, a Marvel Comics e a DC Comics. Abaixo, você vai conferir um apanhado dos títulos que chegaram ao mercado estadunidense em junho.

Esta coluna vai ao ar sempre na primeira quarta-feira do mês. Mas por que essa data especificamente? Bem, vocês já assistiram ao seriado Big Bang Theory? Se já viram, devem ter notado que na quarta-feira os personagens sempre ficavam ansiosos e felizes. Isso acontecia porque é o dia da semana que chegam os quadrinhos de todas as editoras nas prateleiras dos Estados Unidos. Então, a primeira quarta-feira do mês encerra o ciclo mensal de lançamentos de cada editora.

Reprodução

Vale destacar que são muitas edições, então, abaixo trago apenas um resumo rápido das principais revistas do mês. Algumas das novidades chegarão ao mercado brasileiro muito em breve, e o objetivo aqui é também chamar a atenção para coisas que têm grandes chances de influenciar as adaptações para TV e cinema. Você sempre pode acompanhar os lançamentos semanais lá fora por meio do site Comic List.

Então, vamos lá, lembrando que este conteúdo traz uma boa dose de spoilers! Fique avisado.

Retorno do mercado

Antes de começarmos com os destaques de cada editora, é preciso esclarecer que, assim como muita coisa em todo o mundo, a distribuição de quadrinhos ficou paralisada por alguns meses nos Estados Unidos. Somente em junho é que o envio das revistas começou a ser realizado novamente pela Diamond, a maior distribuidora do país, que basicamente faz a entrega de todo o material da DC Comics e da Marvel Comics.

Houve muita discussão entre os comerciantes, editoras e a Diamond nos últimos meses, sobre como e quando seria o retorno da distribuição. A DC Comics se mostrou mais impaciente e resolveu se desvencilhar da Diamond para fazer sua própria entrega, inclusive com o lançamento das edições digitais antes das impressas — algo que, claro, desagradou as lojas de quadrinhos.

Então, desde o início de junho, a DC tem basicamente trazido uma avalanche de títulos que estavam “empacados” por conta da pandemia. Já a Marvel ainda vem retornando mais lentamente, até mesmo trazendo alguns “resumos” para os leitores se lembrarem das principais tramas antes da paralisação — o que, acredito eu, é muito mais adequado para um momento em que as pessoas estão gastando menos com gibis.

DC Comics

Bem, como dito acima, a DC voltou meio que “atropelando tudo”. E esse é o maior problema por aqui, pois temos importantes comemorações, dois grandes eventos e linhas de narrativa que estão mudando o status quo de vários ícones da editora. E isso é muita coisa para todo mundo acompanhar de maneira inteligível.

O grande destaque do mês fica por conta de Dark Nights: Death Metal #1, a continuação da saga Noites de Trevas: Metal, que trouxe um novo domínio de medo e terror comandado por diversas versões malignas do Batman combinadas com heróis e vilões famosos — e o pior deles, o Batman que Ri, que, como o nome indica, é uma mistura do Coringa com o Homem-Morcego.

A série fez muito sucesso e retorna com o Batman que Ri dominando nossa Terra, agora dividida por reinos, um dos quais fica sob a responsabilidade da Mulher-Maravilha. Enquanto isso, a vilã Perpetua, que apareceu recentemente nas páginas da Liga da Justiça, como resultado da própria saga Noites das Trevas: Metal, segue destruindo outras Terras paralelas.

Reprodução/DC Comics

A edição conta com toda a inventividade da dupla Scott Snyder e Greg Capullo, trazendo diversas versões dos mesmos personagens, repaginados nesse mundo sombrio — tem até um Batman Chtulhu. Eis que, no final desse primeiro capítulo, vemos o Cavaleiro das Trevas usar o anel da Tropa dos Lanternas Negros para levantar os mortos e ajudá-lo na batalha contra o Batman que Ri. Promissor.


DCeased Hope at World’s End #2-3

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A saga DCeased, que basicamente transforma o mundo em mortos-vivos quando a Equação Anti-Vida toma conta do planeta, tornou-se um evento muito maior que deveria — e isso mostra os desencontros da DC nos últimos anos, o que gerou a saída de Dan Didio como coeditor-chefe. Havia um planejamento com muitos eventos de grande porte nesta temporada, inclusive o chamado 5G, que representa a quinta geração de heróis. Embora seja divertido de ler, fica confuso saber como e quando tudo se amarra com as revistas mensais e com Dark Nights: Metal, por exemplo.

Catwoman 80th Anniversary/Joker 80th Anniversary/Green Lantern 80th Anniversary

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O mês trouxe três grandes edições comemorativas, com 100 páginas. Todas com artistas icônicos de cada personagem, em histórias curtas que revisitam as várias versões e eras de cada um.

Justice League #46-47

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Depois da sagas megalomaníacas de Scott Snyder e de passar bastante tempo fora da Terra, a Liga da Justiça vem tratando de problemas com deuses do Olimpo, em uma trama que envolve o Espectro e as amazonas em Themyscira (a ilha onde nasceu a Mulher-Maravilha). Nada demais, mas serve para “limpar o paladar” cósmico deixado por Snyder antes de um novo grande momento.

The Batman’s Grave #7

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Essa talvez seja a trama mais interessante envolvendo o personagem atualmente. A minissérie em 12 edições traz os desenhos realistas de Bryan Hitch (Os Supremos) em uma história de investigação de assassinato, que exalta o lado detetive do herói — não se surpreenda se este material influenciar The Batman, com Robert Pattinson.

Justice League Dark #22-23

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O grupo vem ganhando destaque da DC Comics nos últimos anos, possivelmente para alavancar sua grande popularidade dos quadrinhos em outras mídias — há planos para adaptação para o cinema há anos e finalmente deve chegar ao streaming em breve. Não gosto muito da presença da Mulher-Maravilha aqui, mas faz sentido, já que ela tem muito a ver com o lado mágico da editora. Na trama, o Homem-Animal e Destino voltam a estar em evidência, com uma história que explica os “Parlamentos da Vida” do Universo DC.

Wonder Woman — Dead Earth #3

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Essa minissérie sai pelo selo Black Label, que costuma trazer visões mais autorais e adultas dos principais personagens da editora. Aqui, o artista Daniel Warren Johnson, que fez fama com a divertida Murder Falcon, na Image Comics, conta o que acontece quando a Mulher-Maravilha acorda de um sono de séculos. Ela descobre que a Terra foi reduzida a um deserto nuclear e, presa em um futuro sombrio, Diana deve proteger a última cidade humana do ataque de monstros titânicos. Arte e texto excelentes, em uma abordagem bem diferente das tradicionais histórias da amazona.

Marvel Comics

Como dito anteriormente, a Casa das Ideias vem retornando de forma mais lenta, para dar tempo (e dinheiro) para que os leitores voltem a consumir em ritmo mais próximo do normal. Além disso, a empresa preferiu manter os laços com a Diamond e vem respeitando o retorno das entregas da distribuidora.

Reprodução/Marvel Comics

O maior destaque da editora em junho e neste semestre é Empyre — o evento mutante X of Swords ficou para setembro. Empyre #0 traz à tona detalhes sobre o início da Guerra Kree Skrull, há milhares de anos, incluindo a raça Cotati, que vivia na zona azul da Lua. Pois bem, a trama leva os Vingadores de volta para o local de nosso satélite natural, para descobrir que ela está toda cheia de vegetação. Ali, o grupo reencontra o Espadachim e uma entitade Cotati, além de um monstro que parece ser uma mistura de Kree com Skrull.

O final da edição indica que os teasers já vinham anunciando, que os Kree estão formando uma aliança perigosa com os Skrulls, sob o comando do Hulkling. E toda essa movimentação deve colocar os Vingadores em choque com o Quarteto Fantástico. A história é boa e a premissa é melhor ainda, mas a falta de conexão entre o status atual de Tony Stark e do Thor deixam aquela dúvida sobre quando isso está exatamente acontecendo na cronologia.

Immortal Hulk #34

Reprodução/Marvel Comics

Talvez seja a edição mais interessante do mês, assim como toda essa fase do Hulk “demoníaco” imortal. Aqui, basicamente ficamos sabendo que o vilão Líder descobre todas as conexões sobre as mortes dos personagens ligados à radiação gama e o One Below All, a criatura mais poderosa da Marvel no lado ruim desse universo. A história termina com a sugestão de que a Mulher-Hulk também anda possuída por aí. É o melhor título mensal a ser seguido atualmente.

Thor #5

Reprodução/Marvel Comics

Odison vive sua fase “Dragonball”, com novos poderes e um Mjolnir mais poderoso. Agora rei de Asgard, ele tem tarefas, digamos, mais cósmicas que os problemas mundanos da Terra. Atualmente, ele se prepara contra a ameaça do Black Winter, uma praga que devastou o universo anteriormente. Para isso, Thor precisa consumir cinco mundos, para conseguir poder suficiente e enfrentar o Black Winter. Ao lado de Galactus, ele consegue dominar quatro, quando o Black Winter chega antes do previsto. Ao final desta edição, ficamos sabendo que Galactus teme o Black Winter porque, na verdade, ele é arauto da poderosa entidade. O escritor roqueiro Donny Cates vem mexendo com a fundação espacial da Marvel, então é bom ficar de olho neste título.

Iron Man 2020 #4

Reprodução/Marvel Comics

Tony Stark está atualmente morto e já faz mais de dois anos que temos apenas uma versão sua em inteligência artificial. Quem controla atualmente a armadura é Arno Stark, seu irmão adotivo, em uma versão do Homem de Ferro que remonta a uma história clássica do Homem-Aranha, lançada em 1994. Dan Slott fez um bom trabalho no título do Amigo da Vizinhança, mas aqui parece preso à iminente reformulação que Tony Stark deve receber em breve. Então, embora até seja divertida, a história sempre parece que vai fazer voltas e retornar para o mesmo lugar.

Star Wars — Bounty Hunters #3

Reprodução/Marvel Comics

A Marvel Comics vem realizando um ótimo trabalho de expansão da mitologia de Star Wars. Os quadrinhos têm trazido mudanças canônicas com bons roteiros e desenhos caprichados. Embora esta não seja a melhor das edições desta minissérie, traz um pouco daquele clima que mistura Esquadrão Suicida com The Mandalorian. Aqui podemos ver Boba Fett em um grupo de anti-heróis, em uma trama de vingança. Vale a leitura.

Até a próxima!

Obviamente, não dá para comentar tudo o que saiu no mercado norte-americano nas quatro semanas anteriores, mas essas edições são as que mais fizeram barulho e prometem ter relevância nas editoras nos próximos meses. Continuem lendo as matérias de quadrinhos e toda a cultura pop aqui no Canaltech e a coluna volta no mês que vem, no dia 5 de agosto.

Até lá, não deixem de comentar e também seguir meu perfil no Twitter: /clangcomix.

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