HQs e super-heróis | Final de King in Black na Marvel e Infinite Frontier na DC

Por Claudio Yuge | 09 de Maio de 2021 às 11h00
Marvel Comics

O que aconteceu de mais relevante no mercado de quadrinhos norte-americano no mês que passou? A resposta está aqui, com uma lista resumida das principais edições lançadas em abril, especialmente da Marvel Comics e DC Comics.

Vale lembrar que, a cada semana, o mercado gringo recebe muitas edições, então, as “escolhidas” abaixo contam com um resumo rápido e alguns comentários. Várias dessas novidades chegarão ao Brasil muito em breve; e o objetivo aqui é também chamar atenção para coisas que têm grandes chances de influenciar as adaptações para TV e cinema. Você sempre pode acompanhar os lançamentos lá fora por meio do site Comic List.

Então, vamos lá, lembrando que este conteúdo traz uma boa dose de spoilers! Fique avisado.

DC Comics

No final do ano passado os acontecimentos vistos em Dark Nights: Death Metal expandiram o Multiverso de 52 Terras paralelas e infinitas linhas temporais para incontáveis Multiversos, no que é chamado agora de Omniverso. Já expliquei melhor nas colunas passadas e em uma matéria só para isso, então, se quiser saber isso de forma mais detalhada, acesse o link que está logo abaixo. Resumidamente, tudo o que foi contado até hoje na editora existe simultaneamente, de alguma forma, em todas as suas Terras.

Imagem: Reprodução/DC Comics

É um conceito complicado, especialmente para os novatos, então, a melhor forma de entender é vendo ele acontecer mesmo. Bem, em janeiro e fevereiro, a DC mostrou em Future State a chegada de novos personagens e alguns já conhecidos assumindo a identidade dos principais ícones da editora. A ideia é rejuvenescer e promover mais diversidade na linha de Batman, Superman, Mulher-Maravilha, Lanterna Verde, Flash e por aí vai.

Agora, depois da primeira edição que abriu a fase Infinite Frontier, vemos aos poucos os heróis caminhando para o futuro delineado em Future State. Ou seja, a publicação especial serviu como um marco para mudar o status quo da editora e estabelecer as novas regras e peças do jogo. E é sobre isso que todas as principais edições vêm fazendo nos títulos individuais.

Batman #107

Imagem: Reprodução/DC Comics

O Homem-Morcego vive uma fase que combina elementos de suas raízes com coisas mais recentes. Depois de Joker War, Bruce Wayne perdeu sua fortuna e recursos e as ruas de Gotham City se tornaram palco para mais vilões e anti-heróis, muitos deles são versões modernas de outros antagonistas do passado, a exemplo do Espantalho, que nesta edição está apavorando a cidade novamente.

Aqui vemos a Batgirl assumindo novamente um papel mais importante como Oráculo e a Arlequina se tornando, definitivamente, uma coadjuvante recorrente no título do Homem-Morcego. A polícia deixou de ser aliada do Batman e, aos poucos, vemos Bruce Wayne se tornando o fugitivo Dark Detective que vimos em janeiro.

Batman - The Detective #1

Imagem: Reprodução/DC Comics

Clark Kent, Bruce Wayne e Diana Prince têm um papel muito maior e mais amplo nessa nova DC, algo que não cabe mais em apenas uma cidade ou ilha. Assim, seus substitutos mais jovens ficarão em Gotham, Metropolis e Themyscira, enquanto eles partem para o mundo e fora dele. No caso de Batman, ele percebe que não conseguiu mudar sua amada Gotham, então, ele decide partir para outros ares, neste caso, Londres.

É uma trama mais clássica que o título mensal tradicional, com direito a um desenhista mais “old school”, o veterano Andy Kubert. A ideia é mostrar um Batman explorando mais suas habilidades detetivescas, como diz o próprio nome.

Green Lantern #1

Imagem: Reprodução/DC Comics

O título mensal dos Lanternas Verdes viveu um período muito maluco nos últimos três anos, com o roteirista Grant Morrison e Liam Sharp mostrando Hal Jordan explorando os mais esquisitos mundos e personagens. A nova fase volta a ter um estilo mais clássico, com toda a Tropa e a nova Lanterna terrestre, Keli Quintela, também chamada de Teen Lantern.

John Stewart assume o comando da equipe, que agora divide a proteção com do universo com outros grupos cósmicos da DC. A história vem em um bom momento, já que estávamos mesmo precisando ver mais da Tropa dos Lanternas e de personagens como Simon Baz, especialmente neste momento de ampliação de diversidade e da mitologia de todos os cantos da DC no Ominiverso.

Rorschach #7

Imagem: Reprodução/DC Comics

A maneira como Damon Lindelof remodelou o universo de Watchmen na HBO, a partir das pegadas de Zack Snyder no filme homônimo e, claro, da obra original de Alan Moore e Dave Gibbons, criou um curioso universo compartilhado “acidental”. Isso porque uma coisa alimentou a outra e serve como a extensão da mesma história e personagens. Esta série de Rorschach faz algo semelhante.

O personagem do título explora o cenário da série da HBO, enquanto explica algumas lacunas não respondidas na TV e na obra original. Temos, por exemplo, uma explicação sobre por que o Doutor Manhattan não impediu a criatura extradimensional de ceifar milhões de vidas e que, na verdade, ele apenas não conseguiu, mas enviou um comunicado do espaço de como vencer a ameaça — algo que demorou décadas para ser decodificado. Interessante, em uma pegada bem realista, inclusive na arte.

Infinite Frontier - Secret Files #1

Imagem: Reprodução/DC Comics

Esta nova série, pelo visto, deve explorar alguns personagens que conquistaram o público, mas que não costumam aparecer muito, seja por não terem títulos dedicados ou por não estarem em todos os principais eventos da editora. Neste número, vemos uma aventura com o Superman que é presidente dos Estados Unidos, Calvin Ellis.

A trama já mostra um pouco o que significa o Omniverso, com Ellis, já no início, citando um Superman da Terra-24. Ou seja, a partir de agora, haverá essa noção de que a grande maioria dos personagens sabem que existem versões suas mais velhas ou diferentes, simultaneamente, em outras Terras ou linhas temporais. É algo parecido com o que acontece no Arrowverse na TV. E coincidência ou não, essa história sai justamente quando há rumores de um novo filme do Homem de Aço, que teria como base esta versão de Ellis.

Justice League #60

Imagem: Reprodução/DC Comics

É legal ver o já falecido criador Dwayne McDuffie ser homenageado na forma da personagem Naomi McDuffie, que vem sendo apresentada nos últimos números de Liga da Justiça e, aparentemente, será muito importante para a atual fase da editora. Aqui, vemos uma nova formação da equipe, que agora tem mais presença feminina e um diferente e intrigante Adão Negro.

Só o que não dá para entender é a razão pela qual a companhia transformou o interessante anti-herói em um herói mais clássico e parecido com Shazam, justamente quando um filme baseado no Teth-Adam dos últimos anos começou a ser produzido com Dwayne "The Rock" Johnson no mês passado e deve chegar aos cinemas em 2022.

Action Comics #1030

Imagem: Reprodução/DC Comics

No começo do ano, vimos o Kal-El deixando Metrópolis para se tornar algo maior, deixando de proteger apenas uma cidade para ser um defensor dos oprimidos em toda a galáxia, durante um evento conhecido com a Guerra dos Mundos. Agora, com Jonathan Kent assumindo o papel de Superman oficial de Metrópolis, Clark Kent deixa a Terra, justamente para investigar o que vai resultar no conflito gerado por Mongul.

Tenho gostado bastante desse conceito, que amplia o legado do Superman e o aproxima daquela interessante versão que já vimos do herói em Reino do Amanhã — até mesmo o seu uniforme é igual ao daquela história.

Marvel Comics

A saga King in Black terminou com o Surfista Prateado, em sua versão Black, apresentando-se como o “deus da luz” contra o avatar da escuridão, o vilão Knull, deus dos simbiontes. Os heróis se juntam em uma última ofensiva, enquanto Eddie Brock se recupera e se une novamente ao simbionte para ser Venom, desta vez “otimizado” com o poder do Capitão Universo.

Brock consegue unir a espada de luz/prancha do Surfista Prateado com o Mjolnir de Thor em um novo e poderosos artefato, capaz de destruir as forças simbiontes. Venom mata Knull no Sol e se torna o novo “King in Black”, o rei dos simbiontes. Eu particularmente acho meio forçado tentar tornar o Venom em um personagem da grandeza do Thor, do Capitão América ou do Surfista Prateado, mas a trama serviu para estabelecer os simbiontes como mais uma força ancestral do Universo Marvel.

Imagem: Reprodução/Marvel Comics

A trama gerou algumas consequências, como o aumento dos vampiros; e estabeleceu um novo status para o “avatar da luz”, o Surfista Prateado, assim como o poder do Capitão Universo, agora chamada de “Força Enigma”. Teve bastante gente que gostou, mas, para ser sincero, achei bem fraco e talvez seja uma das piores coisas que o Donny Cates já tenha escrito para a Marvel.

Avengers #44-45 

Imagem: Reprodução/Marvel Comics

Finalmente vemos o fim da enrolada trama do retorno da Fênix, que veio para Terra para falar que é a verdadeira mãe de Thor e para escolher seu próximo representante, em um “torneio de campeões”. Eis que Maya Lopez, a Echo, foi a escolhida para esse papel. O Pantera Negra descobre os “Vingadores Ancestrais”, de um milhão de anos atrás, e acredita que a vinda da Fênix acontece justamente em um momento que a mesma formação daquele grupo do passado tenha que ser reproduzida atualmente, em preparação a um evento caótico que está por vir.

Após a saga, vemos também mais de Blade e do cantinho dos vampiros da Marvel, assim como a recorrente presença de Namor. Aliás, esses dois vêm aparecendo bastante, o que é bastante compreensível. Blade já teve um reboot confirmado no Universo Cinematográfico Marvel e Namor ainda não foi revelado mas tem grandes chances de ser o antagonista de Black Panther: Wakanda Forever, próximo filme do herói — e sua presença nas revistas aumentam ainda mais as apostas de que isso realmente vá acontecer.

Thor #14

Imagem: Reprodução/Marvel Comics

Donny Cates dá um jeito em uma das maiores incongruências do Universo Marvel, o alter-ego Donald Blake, a quem Thor recorria quando se tornava humano no passado. Ele se tornou um vilão e prendeu Odinson em uma realidade alternativa. Na conclusão desse arco, Odin retorna e, ao lado do Doutor Estranho e de Bill Raio Beta, conseguem dar a Thor uma vantagem, enquanto ele usa a armadura do Destruidor, para deter Blake.

A história foi mais interessante no começo e só prestou mesmo para resolver o lance de Blake e para trazer alguns personagens de volta aos holofotes, enquanto foi também um “filler” para as próximas tramas.

Immortal Hulk #45

Imagem: Reprodução/Marvel Comics

A série que expandiu a mitologia do Hulk para cantos mais sinistros do Universo Marvel trouxe de volta vários dos antagonistas, como o Líder, e revitalizou algumas criaturas que andavam sumidos e irregulares. O próprio Bruce Banner andava “correndo atrás do rabo” em um ciclo de histórias muito semelhantes. Leonard Samson, Sasquatch, Betty Ross e vários outros coadjuvantes receberam o tratamento “Immortal”, em uma trama que liga a fonte da maldade na Casa da Ideias à radiação gama.

E Banner, segundo o próprio escritor Al Ewing, tornou-se uma espécie de “sistema”, que libera a versão do Hulk mais apropriado para ocasião de acordo com o gatilho emocional que é acionado. Esta sensacional fase, que tem participação do brasileiro Joe Bennet, está perto do fim e, em breve, teremos de volta a revista em um arco mais “heróico”.

Way of X #1

Imagem: Reprodução/Marvel Comics

O Noturno tem sido uma das figuras mais interessantes na complexa fase de Jonathan Hickman e, agora, ele traz uma perspectiva curiosa sobre o fato de os mutantes poderem ressuscitar. Na trama desta primeira edição dos vários títulos pop-up dos X-Men, Kurt Wagner, o mais religioso dos Filhos do Átomo, começa a questionar o que acontece com a alma e as versões anteriores de cada pessoa renascida. E Magneto libera um pouco de seu lado vilão, matando um mutante para que ele volte em uma versão melhor.

Women of Marvel #1

Imagem: Reprodução/Marvel Comics

Uma das coisas que Marvel tem feito de legal nas últimas temporadas, tanto na TV e no cinema quanto nos quadrinhos, é escalar mais mulheres para produzir e desenhar mais histórias, especialmente nas edições em que as heroínas é quem são as protagonistas.

Aqui, a veterana Louise Simonson comanda uma antalogia com várias criadoras oferecendo uma visão diferente de várias personagens, a exemplo da Capitã América de Peggy Carter, que em breve deve vista no Disney+ no título What If…?, que reimagina diversos ícones da Casa das Ideias em mundos alternativos.

Hellfire Gala Guide

Imagem: Reprodução/Marvel Comics

O cantinho dos mutantes se tornou algo curioso e muito interessante no Universo Marvel, a partir dos projetos de Jonathan Hickman. Os X-Men voltaram a se reunir como um grupo independente na nação-ilha Krakoa e escolheram Polaris como sua nova integrante temporária. Enquanto isso, o Clube do Inferno realiza uma festa de gala, que, segundo o convite, serve para “celebrar a cultura mutante e fortalecer os laços de amizade de Krakoa com as nações do homem”.

O tratamento do evento e as roupas dos personagens, que receberam um tratamento de luxo, a partir de designs criados por estilistas reais, dão o tom chique da balada, que deve marcar o início de um novo arco nos títulos X, que, em 20 edições, vão explorar a dinâmica desses novos X-Men com a sociedade mutante em Krakoa e com a humanidade no resto do mundo.

Outras editoras

Image Comics

Imagem: Reprodução/Image Comics

Geiger #1: Esta é uma interessante nova série criada pela mesma dupla que realizou a ótima maxissérie Relógio do Juízo Final, Geoff Johns e Gary Frank. Em Geiger vemos uma nova realidade nos Estados Unidos, que sofreu um ataque nuclear. Ainda não sabemos muito sobre isso, mas vemos a origem do único homem que consegue andar sem uma roupa especial contra radiação no cenário pós-apocalíptico.

Tariq Geiger, de alguma forma, sobreviveu à bomba e à radiação, e agora vive como um superser no deserto, esperando que um dia ele possa se tornar uma pessoa “normal” e possa visitar novamente sua família, que vive em um bunker.

IDW

Imagem: Reprodução/IDW Comics

Locke & Key/Sandman - Hell and Gone #1: Locke & Key tem sido uma grata surpresa quando falamos em tramas de fantasia e mistério. A franquia, que mostra uma família explorando chaves mágicas, que abrem portas para realidades fantásticas e linhas temporais inusitadas. A trama agradou tanto que se tornou seriado na Netflix. Aqui, vemos seus personagens interagindo com o Sonhar de Sandman, assim como seus pertences e coadjuvantes.

A história acontece justamente no período que antecede Sandman #1, quando Morpheus foi aprisionado no lugar da Morte. Achei bastante interessante, principalmente por explorar eventos e personagens já conhecidos na DC, mas sob uma nova perspectiva, que revigora a história já conhecida e alimenta o universo de Locke & Key. Achei bem interessante, vamos ver o que nos aguarda no próximo número.

Até o próximo mês!

Obviamente, não dá para comentar tudo o que saiu no mercado norte-americano nas quatro semanas anteriores, mas essas edições são as que mais fizeram barulho em outubro e prometem ter relevância nas editoras (e em suas outras mídias) nos próximos meses.

Continuem lendo as matérias de quadrinhos e toda a cultura pop aqui do Canaltech. A coluna no primeiro domingo de junho. E quem quiser me acompanhar no Twitter e saber das matérias relacionadas que saem durante o período, é só me seguir no @clangcomix. Até logo!

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