Com a ajuda dos fãs, Combo Rangers retornam aos quadrinhos em 2013

Por Rafael Romer | 05 de Janeiro de 2013 às 18h00

Não levou nem duas semanas: o projeto para trazer os Combo Rangers de volta aos quadrinhos, colocado pelo criador dos personagens, Fábio Yabu, no site de financiamento coletivo Catarse, atingiu a meta de R$ 40 mil na última quinta-feira (03) e continua crescendo. A série, que encantou leitores brasileiros no final dos anos 90 e início dos anos 2000, deve ter o primeiro de três volumes de quadrinhos lançado em agosto, durante a bienal no Rio de Janeiro. Os outros dois volumes ficarão para 2014 e 2015.

Combo Rangers

Aos 17 anos de idade, Yabu criou a série que “mudaria sua vida”, segundo as próprias palavras. O desenhista, que começou a rabiscar antes mesmo de ser alfabetizado, misturou influências de quadrinhos americanas e seriados japoneses como Jaspion e Changeman para criar o grupo de cinco heróis: Fox, Ken, Kiko, Lisa, Tati e Luke.

“Eu queria fazer um grupo no qual pudesse brincar com tudo aquilo que gostava: monstros, robôs gigantes, tudo aquilo”, conta. “Criei todos os personagens de uma vez, o que não era muito difícil, era só mudar a cor”, brinca. Os outros personagens surgiram aos poucos: o herói aposentado e mentor dos cinco jovens, Tio Combo, e o vilão e líder do Império Deskarga, General Monte, entre tantos outros.

A série começou a fazer sucesso através histórias em quadrinhos em flash, que eram postadas no site dos heróis. Na época, antes do fenômeno das redes sociais, fãs da série se encontravam em salas de bate-papo para conversar sobre as histórias. Com o tempo, os Combo Rangers foram se tornando mais sérios perdendo um pouco do tom de paródia, com Yabu voltando as histórias para temas mais reflexivos. Em 2002, os Combos chegam aos quadrinhos em uma série pela editora JBC, e depois pela a Panini, até, em 2004, desapareceram das bancas e da internet.

Yabu conta que teve “um azar muito grande” entre os anos 2001 e 2003, quando uma crise atingiu os dois mercados que ajudaram a tornar os Combo Rangers populares: a internet e as bancas. “Para mim foi situação muito difícil, eu não tinha como cobrir. Eu sei que eles [os Combo Rangers] deveriam ficar mais populares, mas eu simplesmente não tinha como me manter”, conta.

Quase dez anos depois – sempre sob a cobrança de fãs que nunca esqueceram os personagens, Fábio afirma que se sente novamente pronto para trazer os personagens de volta. “Eu queria que eles voltassem em um contexto relevante, com uma história legal que fale com esse pessoal que já cresceu e que, ao mesmo tempo, fale com as crianças”, afirma. Experiências que teve com outros projetos, como As Princesas do Mar, também serviram para amadurecimento próprio e de ideias, segundo Fábio.

Apesar de ter recebido propostas de editoras durante o hiato, Fábio optou pelo financiamento coletivo por desejar um projeto de longa duração para os Combo Rangers, e ao mesmo tempo prefere manter a liberdade e garantir a remuneração dos participantes da equipe. “O público brasileiro já está maduro para esse tipo de iniciativa, as pessoas já estão mais acostumadas a pagar por conteúdo, não tem mais aquela ideia de que tudo tem que ser grátis e artista tem que viver de amor”, explica.

Fábio conta que estava otimista com a campanha, que chegou a arrecadar 30% do valor pedido nos primeiros dois dias, mas ficou surpreso com a quantidade de apoios de alto valor e de pessoas que abriram mão das recompensas oferecidas em troca do apoio — no site, os doadores podem escolher entre diferentes valores e, conforme a quantidade de dinheiro, podem receber alguma recompensa dos responsáveis pelo projeto.

Quanto à história, Fábio adianta que a trama não vai ser uma continuação direta de onde os Combo Rangers pararam, mas os fãs podem esperar o retorno de todos os personagens da série. “Eles [os personagens] vão enfrentar um novo inimigo e, ao longo da história, as pessoas vão percebendo o que aconteceu com eles durante esses anos”, diz. O próximo passo é transformar os Combo Rangers em uma franquia, com, “quem sabe”, um filme. “Um jogo primeiro, talvez”, brinca.

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