Presidente da Netflix volta a dizer que streaming não terá anúncios

Por Felipe Demartini | 23 de Janeiro de 2020 às 12h55
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O presidente da Netflix, Reed Hastings, voltou a rejeitar a criação de um modelo de assinaturas baseado em anúncios ou algum tipo de implementação de propagandas na plataforma de streaming. Falando em uma conferência com investidores da empresa, o executivo afirmou que não existe “dinheiro fácil” no mercado de publicidade online e que esse tipo de implementação entraria no caminho do modelo de negócios atual da companhia, visto como mais simples e focado na satisfação do usuário e entrega de conteúdo.

Ele fez uma comparação entre a Netflix e grandes nomes do setor de propaganda, como Google e Amazon. Segundo o executivo, tais empresas têm sucesso nesse segmento pois integram dados de diferentes fontes e sistemas, o que faz com que a publicidade seja mais direcionada e, logicamente, efetiva. Isso não seria possível na plataforma de streaming, cujas informações viriam, apenas, dela mesma.

Além disso, Hastings afirmou que um negócio de propaganda bem-sucedido custa alguns bilhões de dólares para ser implementado e tempo até começar a funcionar de maneira adequada, em duas declarações que, sozinhas, já poderiam mudar a cabeça dos investidores. A ideia de criar parcerias também não faria sentido, afinal de contas, um compartilhamento de informações de visualização e preferências com parceiros de publicidade não seria nada ideal.

Acima de tudo isso, o presidente da Netflix afirmou que não está interessado em coletar dados de seus assinantes e que leva a privacidade deles como prioridade máxima. Informações como localização ou dispositivo usado para acesso interessam menos do que o histórico de uso, que é a grande métrica usada para sugerir conteúdos e indicar novas opções de entretenimento. E nada disso, afirmou o executivo, é salvo em seus servidores.

Os comentários vêm em resposta à crescente pressão dos investidores por uma diversificação do modelo de negócios da Netflix. Não que ela esteja em maus lençóis, longe disso, mas a ideia geral é que, com um tier gratuito e baseado em anúncios, ou com algum tipo de exibição de propagandas a usuários pagantes, as receitas da companhia poderiam aumentar consideravelmente, na casa dos US$ 1 bilhão por ano. Um número que, na visão de quem investe na companhia, é mais do que interessante.

Por outro lado, Hastings acredita que a Netflix chegará aos grandes números de lucros e receita das gigantes da internet, mas que com esse modelo de negócios mais simples isso apenas demorará mais algum tempo para acontecer, o que não significa, por outro lado, que ela está em desvantagem estratégica. Quando a bonança chegar, segundo ele, a confiança entre usuários e serviço será maior, o que terá seus reflexos positivos no longo prazo.

Ao final de sua fala, o presidente da Netflix ainda deixou algo claro: sempre que um assinante ler que a empresa está flertando com um sistema baseado em publicidade, essa é uma informação falsa. Somente o futuro vai dizer se as coisas irão mudar neste pensamento, mas, pelo menos por enquanto, o distanciamento de uma plataforma de anúncios é uma constante em comentários e apresentações oficiais do serviço, o que acaba soando como uma boa notícia para os usuários.

Fonte: Netflix

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