Podem proibir os ad blockers? Quem ganha com isso?

Por Helio Ferreira Moraes

Ad blocker? Bloqueador do que? De publicidade? Pois é, se você nunca ouviu falar sobre isso, em breve vai ouvir. Segundo dados do PageFair e da Adobe, mais de 200 milhões de pessoas no mundo utilizam atualmente os bloqueadores de anúncios, o dobro de usuários de apenas dois anos atrás.

Não existe almoço grátis

Já nos acostumamos com ferramentas de comunicação, sites de busca, portais de conteúdos, redes sociais e muitos outros serviços online que facilitam o nosso cotidiano. E também nos acostumamos com o fato de que muitos desses serviços são gratuitos. Mas nos esquecemos de que as empresas precisam de receita para funcionar. E o dinheiro, se não vier do usuário, precisa vir de alguma outra fonte. Nos modelos de negócios cuja remuneração está baseada na publicidade, o usuário é o alvo dessa publicidade, que pode se intensificar à medida em que o serviço se populariza.

E se eu não quiser ver anúncio?

Aí entram em cena os bloqueadores de publicidade, ferramentas desenvolvidas nos últimos anos para permitir que o usuário bloqueie a publicidade que é exibida em sua tela. O usuário ganhou controle sobre o que gostaria ou não de ver. À primeira vista, parece ser uma solução fantástica para as incômodas publicidades que pulam em sua tela a todo instante, não é?

O convívio na sociedade moderna leva a esses impasses. Costumo dizer que ninguém quer ter uma torre de celular próxima de sua casa, mas que todo mundo quer ter um excelente sinal de celular para falar, navegar e trocar mensagens. Ou seja, se as empresas de celular não pudessem colocar as torres próximas às casas de ninguém, ninguém teria sinal de celular para se comunicar.

Então a questão é essa: se todo mundo instalar o bloqueador de publicidade, ninguém mais vai ver a publicidade. Consequentemente, os anunciantes vão sumir e, com isso, o modelo de negócios vai precisar ser revisto ou cancelado. Pronto! Já pensou em ficar sem todos esses serviços? Pois é, parece que o bloqueador como solução para evitarmos a publicidade pode ter lá seus problemas e não ser tão maravilhoso assim.

A solução

Nesse cenário em que as pessoas parecem incomodadas com o excesso de publicidade e buscam ferramentas para limitá-la, as empresas contra-atacam. Plataformas como o YouTube já estão trabalhando para lançar serviços em que o usuário terá a possibilidade de acessar conteúdos sem publicidade mediante pagamento de uma mensalidade. Em outra ponta, alguns serviços gratuitos estão impondo restrições ao uso da plataforma ou mesmo diminuindo a capacidade do serviço, de maneira que o usuário sinta um desconforto ou impossibilidade de uso, quando esse instalar um bloqueador.

Talvez possamos discutir se todos os serviços estão sendo claros e transparentes quanto à possibilidade de impor tais restrições, pois os termos e condições podem ou não já conter as bases para esse tipo de procedimento. Mas o fato é que, se estamos saturados com as publicidades, devemos encontrar uma alternativa de remuneração dos provedores de serviços de internet. Caso contrário, os serviços serão modificados ou cancelados.

Da mesma maneira, podemos reclamar de pagar por conteúdos, mas geralmente eles têm menos ou nenhuma publicidade. E estamos diante do mesmo dilema: qual a fonte de receita para manter esse serviço funcionando? Mais uma vez, estamos discutindo a fonte de receita do prestador de serviços.

É direito do serviço sobreviver às custas de publicidade. Logo, ele pode restringir os ad blockers ou cobrar os usuários pelo acesso. A escolha é nossa, mas as consequências também. Então se decida conscientemente.