Mais da metade dos anúncios da internet “não são vistos”

Por Redação | 30.05.2016 às 12:00

O mercado publicitário online vem apresentando crescimento absurdo ano após anos, e isso é inquestionável. A sustentação de recordes se dá por meio da chegada a novas mídias de modalidades inéditas de entrega, principalmente levando em conta os dispositivos móveis. Mas para a ComScore, empresa especializada em análises do mercado digital, todo esse movimento fervente pode chegar a um fim caso os anunciantes e veículos não trabalhem para entregar propagandas “mais limpas”, coerentes e, acima de tudo, seguras.

Segundo dados levantados pela consultoria em uma pesquisa focada no mercado publicitário, mais de metade dos anúncios veiculados online “não são vistos”. No Brasil, por exemplo, apenas 48% das propagandas são efetivamente visualizadas pelos usuários. A Austrália teve o menor percentual, 39%, enquanto o Canadá registrou o maior, 50%. E os números são ainda mais baixos quando se fala naqueles comerciais que aparecem antes de vídeos.

Para a ComScore, isso se deve a uma série de fatores, mas, principalmente, ao fato de tais anúncios aparecerem de forma não-relevante para os usuários e serem vistos como um obstáculo para que eles acessem o conteúdo que desejam. É uma métrica comprovada por outro dado, o de que propagandas cuja negociação acontece diretamente com o veículo – ou seja, em tese, são direcionadas e feitas especificamente para um público determinado – têm maior taxa de sucesso (56% em sites e 62% em vídeos) do que aqueles gerados por mecanismos automáticos (46% e 38%, respectivamente).

Junte-se a isso, ainda, o aumento na utilização de mecanismos que bloqueiam a exibição de anúncios, o que, para a ComScore, pode operar desgraças nas estratégias de marketing. A consultoria identificou um interesse muito maior entre os jovens na utilização desse tipo de solução, além de um aumento geral de quase 30% nas instalações desse tipo de serviço entre usuários com maior nível salarial.

Mas, de acordo com a pesquisa, não se trata apenas do incômodo, mas também da segurança. O crescimento na utilização de bloqueadores acompanha um aumento de 80% nas fraudes relacionadas a anúncios, principalmente com sistemas automatizados sendo usados por hackers para entregar ataques. Do outro lado, a ComScore cita o uso de ferramentas geradoras de cliques inválidos por sites, de forma a obter mais ganhos com os anúncios exibidos, uma mecânica que parece ser mais forte do que a capacidade das companhias de impedir esse tipo de ação.

No fim das contas, entretanto, a principal recomendação parece ser a mesma de sempre. A melhor maneira de criar campanhas relevantes em meio a essa imensidão de artifícios que trabalham contra elas é criar mecanismos inteligentes de entrega e, principalmente, anúncios que chamem a atenção dos usuários. Conheça o público que deseja atingir, crie peças que sejam atraentes para eles e, acima de tudo, respeite a navegação online de seus potenciais clientes.

Fonte: Social Media Today