Facebook pagará US$ 40 milhões por inflar métricas de vídeos de seus anunciantes

Por Felipe Demartini | 08 de Outubro de 2019 às 11h10
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O Facebook chegou a um acordo de US$ 40 milhões para encerrar uma ação de classe que vinha sendo movida desde outubro de 2016, quando a rede social foi acusada de inflar métricas de vídeos exibidas na plataforma. Isso teria levado anunciantes a pagarem mais do que deveriam pelas propagandas mostradas no serviço ao longo de um período entre 2015 e 2016, quando a empresa mudou sua maneira de disponibilizar os dados.

O centro da questão está no fato de, originalmente, o Facebook não contabilizar entre as métricas as visualizações que durassem menos de 3 segundos. Desta forma, a empresa acabou computando apenas os usuários efetivamente interessados nos vídeos exibidos, mostrando altos índices de tempo de visualização e bastante permanência nos clipes, de uma maneira que, conforme consideraram os advogados dos reclamantes, não corresponde à real utilização da rede social. Em alguns casos, o processo aponta que os dados apareceriam mais de 900% maiores que os de verdade.

O formato de contabilização das métricas foi alterado em meados de 2016, quando as acusações de manipulação dos números começaram a surgir. Com isso, vieram também dois processos independentes, movidos na mesma época, que foram unidos pela justiça americana para se tornarem uma ação de classe em nome de todos os anunciantes afetados. Eles solicitavam reparação financeira e a já realizada alteração na forma como os números são computados e exibidos aos anunciantes.

O acordo de US$ 40 milhões já foi aprovado, mas a batalha judicial ainda deve continuar por mais algum tempo. Os advogados dos reclamantes originais, por exemplo, desejam receber 30% do valor total a ser pago pelo Facebook, US$ 12 milhões, bem como outros US$ 730 mil para reembolsar as despesas judiciais que tiveram ao longo dos três anos de andamento do processo. Ainda não se sabe se o pedido será aprovado, nem como o montante será dividido.

O Facebook não se pronunciou sobre as acusações, mas, mesmo durante o andamento da ação, permaneceu afirmando que ela não tinha mérito. A empresa afirma que os números calculados de maneira fora do usual não levaram anunciantes a pagarem mais do que o normal, mas admite que a forma de contabilização pode tê-los levado a acreditar em uma performance acima da real para seus vídeos, o que motivaria um maior investimento na receita de anúncios na rede social.

Agora, resta que o tribunal de Oakland, no estado americano da Califórnia, aprove o acordo proposto pelo Facebook e já aceito pelos reclamantes. Quando o processo se encerrar, todos os anunciantes dos Estados Unidos que adquiriram propagandas entre 12 de fevereiro de 2015 e 23 de setembro de 2016 terão direito a se registrarem para receberem compensações, que podem variar de acordo com o dano financeiro estimado a partir da forma como os números foram exibidos em cada caso.

Apesar de terem aceitado o acordo, os advogados responsáveis pela ação ressaltam o fato de que o total a ser pago pelo Facebook representa cerca de 40% do que poderia ser recuperado pelos reclamantes, caso ações individuais fossem registradas. Entretanto, a justiça americana não permite que diferentes processos sobre o mesmo caso sigam tramitando, com situações desse tipo sendo transformadas em ações de classe, como aconteceu neste caso. Para os advogados, cerca de US$ 100 milhões foram desperdiçados pelos clientes da rede social em propagandas que não tiveram o alcance desejado.

Fonte: Variety

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