Empresas de publicidade acusam Apple de “sabotar a economia online”

Por Redação | 18 de Setembro de 2017 às 12h12

A Apple, mais uma vez, parece estar sendo a pedra no sapato de anunciantes e ferramentas de marketing online. Um consórcio de empresas de publicidade e desenvolvedores de software acusou a companhia de tentar “sabotar a economia online” por meio de uma funcionalidade das novas versões do iOS e do macOS que vai impedir o rastreamento de usuários para exibição de propaganda em diferentes sites.

O recurso embutido no browser Safari, chamado de “prevenção de rastreamento inteligente”, chega nesta semana por meio de uma nova atualização do iOS, aterrissando também nos Macs em 25 de setembro. Como o nome já diz, ele impede que os usuários sejam rastreados em sua navegação online, bloqueando, também, a exibição de anúncios segmentados que persistem independentemente do que está sendo acessado.

A expectativa é de que 14,9% dos usuários de internet sejam atingidos pela atualização, já que, de acordo com a consultoria StatCounter, esse é o total de utilizadores de Safari nas diferentes plataformas. É um total significativo, que, claro, chamou a atenção de forma negativa. Para as empresas do setor de publicidade online, trata-se de, mais uma vez, a Apple tentando ditar as regras em relação aos anúncios exibidos na rede.

O bloqueio acontece sobre os cookies “first-party”, registros que são instalados nos dispositivos pelos sites e vão sendo atualizados na medida em que o usuário navega pela internet, seja para fins de publicidade ou para mantê-lo logado em redes sociais e outros serviços.

Para fazer com que essa alternativa continue funcionando, mas sem a parte dos anúncios, a Apple diz estar aplicando um modelo de machine learning, que diferencia os cookies usados para registro e login daqueles utilizados para rastreamento e publicidade. Os hábitos dos usuários são analisados mensalmente, com os arquivos indesejados sendo deletados ou bloqueados ao final de cada período.

Na carta aberta, o consórcio, formado por seis organizações que representam os direitos de empresas de publicidade e tecnologia dos Estados Unidos, afirma que o recurso substituiu regras claras de rastreamento e privacidade por “um conjunto amorfo e incerto de normas que mudam o tempo todo e pioram a experiência dos usuários”. Seria, para as empresas, uma “sabotagem do modelo econômico da internet”.

A Apple respondeu afirmando que as tecnologias usadas por tais companhias já são avançadas o suficiente para preverem os atos dos usuários sem que seja preciso rastreá-los o tempo todo. A empresa afirma que tais dados, muitas vezes, são coletados sem permissão, “perseguindo” os utilizadores da rede em uma flagrante brecha da privacidade deles.

Sendo assim, a companhia não parece disposta a voltar atrás em uma funcionalidade que nem mesmo pode ser desativada pelos usuários, caso eles desejem. E esse pode ser apenas o indício de mais problemas para os anunciantes, já que a Google também vem testando um sistema de bloqueio de anúncios que deve entrar no ar nas próximas atualizações do Chrome, impedindo, por exemplo, propagandas que bloqueiem a leitura ou que reproduzam vídeos com som automaticamente.

Fonte: AdWeek

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