Samsung Exynos 7420 ou Qualcomm Snapdragon 810: qual deles é o melhor?

Por Pedro Cipoli | 13.04.2015 às 13:01

A Samsung realmente acertou escolhendo usar o Exynos 7420 ao invés do Snapdragon 810? Esse é um assunto que tem gerado bastante discussão na internet, em especial pela escolha da empresa de usar somente os próprios chips no Galaxy S6 e Galaxy S6 Edge dessa vez. Até então, era praticamente uma regra ter uma versão com processadores da Qualcomm e outra com os fabricados in-house pela própria Samsung.

Isso não significa somente uma escolha entre um chip e outro, mas uma mudança na forma como o mercado tem operado até então. Basta olhar os tops de linha de 2014 para ver como a presença da Qualcomm era quase unânime: Moto X (2014), LG G3, HTC One (M8), G Flex, Moto Maxx, Galaxy S5, todos eles usam alguma variação dos chips da Qualcomm, seja Snapdragon 800, 801 ou 805.

Exynos vs Snapdragon

Até mesmo o Galaxy Note 4 da Samsung vinha com uma versão com Snapdragon 805 e outra com o Exynos 5433, e ambos forneciam uma experiência similar, ainda que se destacando em pontos diferentes (o Snapdragon 805 ganhava em gráficos e o Exynos 5433 em CPU, ainda que por uma pequena margem nos dois casos). A postura da Samsung começou a mudar com o pouco comentado Galaxy Alpha, que só trazia uma versão com o chip Exynos 5430.

Isso nos faz acreditar que o Galaxy Note 5 também traga algum Exynos fabricado in-house pela Samsung, um ponto onde a empresa pode realmente se diferenciar no mercado em relação aos concorrentes. Para ela é uma escolha natural, já que a Samsung possui fábricas de chips, módulos de memória RAM, bateria, memória interna e até mesmo sensores de câmera, passando a controlar cada um dos componentes internos de seus aparelhos e otimizando-os para funcionar juntos.

Exynos vs Snapdragon

E o que isso muda para o usuário? Em termos de performance, pouca coisa. Tanto o Snapdragon 810 quanto o Exynos 7420 trazem suporte a instruções de 64 bits (ARMv8), memórias LPDDR4 e oito núcleos com a arquitetura big.LITTLE com 4 núcleos baseados no Cortex-A53 e outros 4 baseados no Cortex-A57. Mas há diferenças sutis entre os dois chips que devem ser mencionadas.

Em primeiro lugar, temos a disputa de GPUs. O Exynos 7420 vem com uma Mali-T760 de oito núcleos, modelo originalmente projetado pela ARM, enquanto o Snapdragon 810 usa a Adreno 430, série de GPU que foi originalmente projetada pela AMD e posteriormente comprada e melhorada pela Qualcomm (“Adreno” pode ser reescrita como “Radeon”). Qual é melhor? Depende muito da otimização do app em questão, mas ambas trazem poder de fogo de sobra. Ambas ganham em benchmarks diferentes, por exemplo.

Exynos vs Snapdragon

Um segundo ponto, esse extremamente importante, é a litografia. Enquanto o Snapdragon 810 diminuiu a litografia de 28 nanômetros para 20 nanômetros Hpm, em relação ao Snapdragon 805, a Samsung deu um passo adiante e diminuiu a litografia para 14 nanômetros LPE, mesma nanometria do Broadwell da Intel. Os ganhos de eficiência energética aqui são enormes, inerentes de uma litografia menor, como consumir menos energia para uma mesma frequência de operação.

Esse é um “detalhe” extremamente importante para smartphones, já que a capacidade reduzida de bateria devido ao tamanho faz com que qualquer ganho de eficiência seja bem-vindo, ainda mais considerando que baterias não chegam nem perto de evoluir como aconteceu com o restante do smartphone. Isso significa uma autonomia maior, correto? Nem tanto, já que o chip representa só um dos componentes que consomem uma quantidade de energia significativa em um smartphone.

Exynos vs Snapdragon

A capacidade de bateria do Galaxy S6/S6 Edge diminuiu em relação aos modelos lançados em 2014 (2550/2600 mAh, respectivamente), sendo menores do que grande parte dos tops de linha atuais. Isso faz com que a autonomia de ambos permaneça, em teoria, a mesma da geração anterior. Além disso, a tela é o componente que mais consome energia em um smartphone, e ainda que tanto o Exynos 7420 quanto o Snapdragon 810 consigam trabalhar de forma nativa com resoluções Quad-HD, esse é um quesito que pesa bastante.

Vale a pena mencionar a escolha da Samsung por seu próprio processador, atribuída, por muitos, por supostos problemas de superaquecimento do Snapdragon 810 da Qualcomm. Não nos parece um motivo plausível, já que chips tops esquentam em qualquer aparelho em uso contínuo, ainda mais por não contarem com um sistema ativo de resfriamento. Já vimos o mesmo chip chegar em temperaturas diferentes em aparelhos diferentes aqui no Canaltech, dependendo da espessura do modelo e material utilizado (vidro, metal, plástico, etc.), sendo um ponto em que o fabricante tem uma boa parcela de responsabilidade.

A Samsung já usa seus processadores há algum tempo, ou como segunda opção (Galaxy S4/ Galaxy Note 4), ou como processador principal (Galaxy S2/S3, Galaxy Alpha), e já enfrentou vários problemas com o passar dos anos (como a falta de suporte para um modem 4G). Então, essa mudança não deveria ser nenhuma surpresa, já que o Exynos 7420 servirá de vitrine para mostrar que a Samsung tem capacidade de construir seu próprio chip, o que é ótimo para a concorrência como um todo.

Resumo da ópera, em termos de performance não temos lá grandes mudanças com o Exynos 7420, mas sim uma melhora na eficiência energética. Mesmo assim, isso não significa automaticamente uma autonomia maior, já que o tamanho, tecnologia e resolução da tela, além, claro, do tamanho da bateria, contam muito mais. De qualquer forma, tanto o Snapdragon 810 quanto o Exynos 7420 são perfeitamente capazes de atender ao usuário avançado, não sendo a quantidade de MHz ou quem fabrica o ponto decisivo entre a escolha de um top de linha ou outro, mas sim a experiência de uso geral que cada fabricante pode oferecer.