Qualcomm: "wearables conquistarão consumidores de vez neste ano"

Por Igor Lopes | 26 de Fevereiro de 2016 às 17h18

De Barcelona, Espanha*

Não há dúvidas que o mercado de dispositivos vestíveis está aquecido. Números da consultoria de mercado IDC revelaram que no penúltimo trimestre de 2015 o volume global de dispositivos fabricados foi de 21 milhões de unidades - um crescimento de 197% em relação ao número do ano anterior, puxado principalmente pelo avanço de empresas chinesas, como a Xiaomi e sua super barata Mi Band.

Mas na avaliação do Diretor Senior do setor de wearables da Qualcomm, Pankaj Kedia, esse é só o início: 2016 deverá marcar a chegada de uma "segunda onda" de novos modelos e formatos de aparelhos vestíveis, com um número maior de players entrando com ofertas diferente no mercado e empurrando esse tipo de gadget para um novo patamar de popularidade.

"Nos últimos dois anos, o espaço dos wearables teve muita inovação, experimentação com diferentes form factors e casos de uso, mas estes são sinais de uma categoria iniciante", explicou o executivo em entrevista ao Canaltech. "Nós estamos nesta onda, estamos investindo e acreditamos que ela será grande, mas ainda é muito cedo".

De acordo com Kedia, as primeiras experimentações com wearables dentro da Qualcomm começaram há cerca de quatro anos, ainda nos laboratórios de pesquisa e desenvolvimento da empresa. A ideia era realizar uma espécie de exercício de futurismo, imaginando como funcionaria o futuro relógio conectado: que tipo de display teria, como seria carregado, como se conectaria com smartphones e como seria utilizado pelos consumidores. "Essas tecnologias são difíceis, você não decide entrar neste mercado em um dia", comentou.

Essas experimentações criaram os quatro vetores de inovação que até hoje orientam o desenvolvimento de hardware para wearables dentro da companhia: tamanho, capacidade, sensores e conectividade. E o mercado, que há quatro anos ainda era experimental, tem se consolidado com força nos últimos anos, e já é uma das grandes áreas de interesse da Qualcomm, que tem tentado se afastar da imagem de "fabricante de chips para smartphones" e lançado processadores em áreas diversas como drones, carros conectados e, é claro, wearables.

No começo do mês, a empresa apresentou seu mais novo processador voltado para dispositivos vestíveis, o Snapdragon Wear 2100, uma versão 30% menor do Snapdragon 400 e até 25% mais econômico no consumo de bateria. A grande novidade do chip, no entanto, vem da conectividade: o sistema traz um modem LTE embutido, o que permitirá a novos dispositivos irem muito além de atuais modelos conectados via 2G ou 3G.

A conectividade é um dos fatores que ajudará os wearables evoluírem nesta "segunda onda": até agora, ela era um dos grandes limitadores destes gadgets, que eram vendidos em sua maioria como acessórios, que dependiam constantemente da conexão com smartphones. Agora, ligados à rede 4G, os gadgets vestíveis têm o potencial de se tornarem plataformas poderosas e independentes, com aplicações que vão além de central de notificações ou medidor de batimentos cardíacos - como tornar o gagdet um hub de controle para dispositivos da Internet das Coisas, por exemplo. "O wearable se tornará independente do smartphone e passará a ter vida própria", conclui Kedia.

Ao mesmo tempo, a expectativa é que o consumo menor de bateria e o tamanho reduzido também estimulem novas empresas a pularem no mercado dos vestíveis, com ofertas que deverão apelar para um público que vai além de entusiastas da tecnologia.

"Do ponto de vista do consumidor, a primeira onda de produtos que vimos veio de empresas de eletrônicos", explicou Kedia "Na próxima onda, em adição às empresas de tecnologia, nós veremos empresas de moda, empresas esportivas. Nós teremos mais escolhas e produtos desenvolvidos com diferentes pesquisas e backgrounds, isso conquistará mais consumidores", conclui.

*O jornalista viajou para Barcelona a convite da Qualcomm.

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