Pagamentos móveis ainda não fazem sucesso por causa de dificuldade com biometria

Por Redação | 18.06.2016 às 16:07

Em pleno ano de 2016 já era esperado um avanço maior no que diz respeito à forma que fazemos pagamentos por aí, mas as coisas ainda continuam bastante parecidas com a realidade de uma década atrás. Quer dizer, a tecnologia para alavancar pagamentos por dispositivos móveis e vestíveis já existe e as administradoras de cartões já se mostraram interessadas em levar os sistemas de pagamento a um outro nível, mas a coisa ainda caminha bastante devagar e um dos motivos para essa demora é simples: nossos corpos são difíceis de serem “lidos”.

A pesquisa anual do Sistema de Reserva Federal, dos Estados Unidos, mostrou que o percentual de usuários de pagamentos móveis não cresceu desde 2014, mantendo o número de apenas 28% de adesão. Isso porque utilizar smartphones para fazer pagamentos pode ser um incômodo para quem já está tão habituado a abrir a carteira e pegar seu cartão de crédito, sem falar que o aparelho precisa ter alguma carga na bateria e estar conectado a uma rede de internet para funcionar como um sistema de pagamentos, e, estando na rua, muitas vezes ficamos sem carga nos nossos dispositivos até chegar a algum local para carregá-lo, como em casa ou no trabalho.

Aí surge a questão da biometria, que pode ser aplicada a sistemas de pagamentos para confirmar a identidade do usuário, e o pagamento poderia ser feito de maneira totalmente virtual, sem a necessidade de sacar o smartphone do bolso. Mas o problema é que nossos corpos são difíceis de serem “lidos”, mesmo com a tecnologia avançada dos dias de hoje.

Um instituto de pesquisa norte-americano chamado Lux Research realizou estudos para determinar qual o tipo de biometria que seria ideal para os pagamentos móveis, e a conclusão não foi muito animadora. Os pesquisadores concluíram que a análise das veias da palma da mão, apesar de ser um método preciso, rápido e seguro, seria muito caro para aplicar às massas. O mesmo vale para o escaneamento de íris, que, apesar de confiável, ainda é uma tecnologia bastante dispendiosa.

Para o centro de pesquisa, uma solução seria a verificação de partes do corpo aliadas a outras tecnologias, como análises de dados do smartphone. Por exemplo, ao realizar um pagamento online, o usuário poderia utilizar algum sistema de reconhecimento facial, junto com o rastreamento de seu dispositivo. “Existirão pouquíssimos casos em que apenas um tipo de biometria será usado em médio a longo prazo”, disse o relatório dos pesquisadores.

Independentemente desse cenário, a Visa e o Bradesco anunciaram o lançamento de uma nova pulseira capaz de realizar pagamentos móveis por meio da tecnologia NFC, que permite a troca de dados entre dispositivos sem fios e sem Bluetooth. O projeto visa testar a viabilidade dessa tecnologia no Brasil pelos próximos 12 meses.

Fonte: Quartz