Os impactos da mobilidade no cotidiano das pessoas

Por Colaborador externo | 07.06.2016 às 06:20

Por Gustavo Paulillo*

A internet foi a grande inovação dos últimos tempos nos quatro cantos do planeta, possibilitando que povos distantes se encontrassem e dúvidas fossem esclarecidas. Com ela, surgiu a possibilidade de encontrar todo tipo de coisa que buscamos em apenas um clique, abrindo caminhos tanto para os estudos quanto para os negócios. Além disso, a tecnologia hoje nos permite acessar tudo pela palma da nossa mão. Mas, será que paramos para refletir até que ponto isso é bom ou ruim para a sociedade?

Os impactos positivos são quase óbvios, pois houve uma revolução no modo das pessoas pensarem e agirem. Os dispositivos móveis passaram a fazer parte da vida diária, seja no modo de comprar, de se comunicar, de se divertir, de estudar e trabalhar. Em meio a esse turbilhão de informações, nós sequer paramos para pensar nos impactos negativos que a mobilidade e a internet podem trazer, caso não sejam usadas com moderação.

O principal impacto negativo é a dependência que a tecnologia pode causar na vida das pessoas. Essa característica já é caso de estudo e tem nome: Nomophobia, do inglês No Mobile Phobia, que nada mais é que o medo ou angústia que as pessoas sentem em simplesmente pensar em ficar sem seu celular ou na perda dele, além de afetar principalmente as pessoas viciadas em redes sociais. Imagine a situação. De acordo com um estudo realizado com mil pessoas no Reino Unido mostra que 66% das pessoas ficam muito angustiadas com a ideia de ficar sem seu celular e os mais afetados são os jovens de 18 a 24 anos.

Porém, apesar desses problemas, a mobilidade se tornou um ponto central no estilo de vida da sociedade moderna. Ganhamos tempo podendo conferir e-mails, mensagens e fazer consultas de onde estivermos. Mas ao mesmo tempo, podemos perder o foco facilmente com as notificações que desviam nossa atenção, pois elas geram ansiedade. Quem nunca achou que ouviu o celular tocar sendo que não tinha acontecido?

Além disso, há um item muito comum principalmente no mundo corporativo: as pessoas se sentem ansiosas para cobrar respostas de e-mails e mensagens enviadas por aplicativos, gerando ainda mais ansiedade em ambas partes. A mobilidade pode afetar diretamente a nossa vida pessoal e principalmente, nossa saúde. É preciso equilíbrio, evitando principalmente ser multitasking (fazer várias tarefas ao mesmo tempo). Por muitas vezes, as ferramentas como smartphones, tablets e notebooks nos ajudam a estar conectados o tempo todo, nos permitindo acumular cada vez mais atividades simultâneas.

Para as empresas de hoje, esse profissional “multitasker” pode ser bem visto, mas a verdade é que, nosso cérebro não é verdadeiramente “multitask”. Ficamos trocando de foco constantemente, entre uma tarefa e outra, o que leva ao esgotamento com o tempo. Ou seja, o que parece ser algo positivo, na verdade pode prejudicar nosso rendimento e saúde, aumentando estresse e ocasionando o não cumprimento das atividades que foram planejadas.

A questão aqui não é criticar a mobilidade, muito pelo contrário. Porém, vale pensar sobre como podemos ser afetados de maneira negativa e criar parâmetros que nos auxiliem de alguma forma para não sermos afetados pelo estresse e ansiedade. É preciso balancear o uso da tecnologia e às vezes se desligar por completo. Apesar de ser ávido por tecnologia, acredito que nenhuma conseguiu substituir o contato pessoal, por enquanto. Por enquanto...

*Gustavo Paulillo é cocriador do Agendor, app que ajuda a área comercial de PME’s a organizar e aumentar as vendas e que, atualmente, atende a 5 mil clientes.