Mensagens, esportes e produtividade: estudo revela hábito do brasileiro com apps

Por Rafael Romer | 30.03.2016 às 17:10

O Yahoo revelou nesta quarta-feira (30) um novo levantamento realizado pela empresa sobre os hábitos de consumo de aplicativos móveis entre usuários de smartphones e tablets brasileiros no dia a dia, com resultados que, apesar de interessantes, não são necessariamente surpreendentes: aplicativos de utilidade, produtividade, esportes, mensageiros e rede sociais concentram a maior parte do tempo que o usuário nacional passa com um dispositivo móvel em mãos.

O levantamento dos dados foi realizado durante todo o mês de agosto de 2015, a partir da plataforma de analytics mobile Flurry, que disponibiliza um SDK para desenvolvedores implementarem coleta de dados de uso em seus aplicativos. Instalada em mais de 800 mil aplicativos rodando em 2 bilhões de dispositivos globalmente, a coleta por meio do Flurry fez o monitoramento de 2,6 bilhões de sessões, envolvendo 116 mil aplicativos de diferentes tipos em 89 milhões de dispositivos de brasileiros.

Cada sessão é contabilizada como um uso do smartphone que inclui a abertura de algum aplicativo, desde o momento em que a tela é ligada, até o momento que o celular é novamente bloqueado. No total, brasileiros gastaram cerca de 17 milhões de horas dentro de aplicativos durante o período do levantamento, com períodos de pico de uso entre 12h e 13h, na hora do almoço, e durante o "horário nobre", entre às 20h e 23h, após o expediente de trabalho de muitos usuários.

No topo da lista dos aplicativos mais utilizados estão serviços de utilidades e produtividade, que ocuparam 44% do tempo que os brasileiros passam com smartphones ou tablets em mãos. Apps de esportes ficaram em segundo lugar, com 19%, seguido por mensageria e redes sociais (17%) e games (12%). Aqui, no entanto, é importante destacar: apesar de estar integrada a um número grande de aplicativos, a plataforma do Yahoo não coleta dados de grandes serviços como Facebook ou Whatsapp, extremamente populares entre usuários brasileiros e que modificariam os resultados finais, dando mais ênfase ao tempo de uso de redes sociais e mensageria instantânea.

Os engajamentos com cada categoria também varia conforme a faixa etária do usuário. Em geral, "jovens millennials" (13 e 17 anos) e "millennials" (entre 18 e 24 anos) tendem a ocupar a maior parte de suas sessões com aplicativos de mensagens, redes sociais e apps de música e entretenimento. Jovens adultos (entre 25 e 34 anos) se engajam com apps de compras, viagens e notícias. Adultos da Geração X (35 a 54 anos) focam em esportes, saúde e boa forma enquanto, surpreendentemente, usuários da geração dos "Baby Boomers" (55+) são os que mais se engajam com games em dispositivos móveis.

Em relação ao crescimento de uso, aplicativos de esportes foram os que mais ganharam espaço no ano passado em relação ao anterior, com um crescimento de 119% – muito superior à média global de 29% de acréscimo de uso. Aplicativos de lifestyle e compras também ganharam espaço, com 72% mais engajamento que em 2014. Em terceiro lugar ficaram os aplicativos de saúde e fitness, que tiveram um crescimento de 70% no Brasil – ainda que, globalmente, tenham crescido em 175%, puxados pela onda de gadgets voltados para atividades físicas.

Impacto em publicidade móvel

Adquirida pelo Yahoo em 2014, a plataforma Flurry é atualmente um dos negócios mais importantes para a companhia norte-americana, que coleta e disponibiliza dados a desenvolvedores para a análise demográfica e de comportamento dentro de apps para a implementação de campanhas publicitárias móveis, seja em formatos como banners, publicidade nativa ou vídeo.

De acordo com o Diretor de Vendas do Yahoo Brasil, Leonardo Khed, a empresa tem visto os investimentos em publicidade móveis crescerem no Brasil, mas ainda não acontecem de forma "consciente" devido a realidades como a falta de sites mobile responsivos e o número de publicidades mal formatadas para meios móveis.

"Os investimentos estão crescendo porque a audiência está se tornando mobile, mas a maior parte dos anunciantes comprma buscas, social, vídeo, mas não estão cientes de onde a mídia deles está sendo consumida no dispositivo", comentou. "Às vezes você tem vídeos de cinco minutos em um dispositivo móvel, vídeos de mais de 100 Mb. Então, parcialmente, está havendo uma mudança para investimentos móveis, mas ainda não da maneira correta".