EUA querem banir nicotina dos cigarros convencionais e favorecem os eletrônicos

Por Redação | 01.08.2017 às 13:28

Um novo plano de ação para combater o tabagismo nos Estados Unidos pode impulsionar a indústria de cigarros eletrônicos: o país quer que cigarros não viciem e, para isso, pretendem reduzir a quantidade de nicotina e tabaco, além de regular os sabores preferidos pelos jovens. Ainda, enquanto as novas regulações estão em processo de definição (o que pode levar alguns anos), os e-cigarettes ficam liberados.

O plano visa fornecer produtos menos viciantes à população, uma vez que as tradicionais campanhas anti-tabagistas não têm se provado tão eficientes assim. Quem está encabeçando a mudança é a FDA (Food and Drugs Administration, equivalente à Anvisa, aqui no Brasil), sendo que essa é a primeira iniciativa do governo que afeta os níveis de nicotina em cigarros. O diretor da FDA, Scott Gottlieb, se refere à nicotina como “o coração do problema e, simultaneamente, a solução” para a dependência.

Explicando, “a grande maioria das mortes e das doenças atribuídas ao tabaco é provocada pela dependência; o cigarro é o único produto de consumo legal que, se utilizado como se espera, matará metade de seus usuários no longo prazo”. Ainda, segundo Gottlieb, “a não ser que mudemos de rumo, 5,6 milhões de jovens morrerão prematuramente por causa do fumo”.

A partir de agora, o governo dos EUA pretende iniciar um diálogo sobre a forma de conseguir reduzir a nicotina do tabaco para níveis não viciantes. Mensagens de advertência nas embalagens de cigarros continuarão existindo como parte das iniciativas de prevenção ao tabagismo, bem como listas de ingredientes, informes sobre os danos reais e potenciais do fumo, e serão eliminadas informações que possam relativizar os danos, como “light”, “suave” e palavras do tipo.

O prazo para que as indústrias do tabaco se adaptem às novas normas vão até 2021, e o impacto do anúncio do governo do país foi sentido imediatamente nas cotações de ações das grandes indústrias de cigarros. As ações da Altria, que fabrica o Marlboro, por exemplo, caíram 19%, e as da British American Tobacco tiveram uma queda de 14%.

Fonte: ARSTechnica