Estudo não vê relação entre uso de celulares e câncer

Por Redação | 06 de Maio de 2016 às 14h05

Uma pesquisa científica realizada na Austrália concluiu que não existe relação entre o uso contumaz de smartphones e os casos de câncer de cérebro no país. O estudo, realizado por especialistas, comparou o aumento no número de ocorrências da doença no país e o colocou na perspectiva do crescimento no total de usuários de smartphones. A conclusão? Os australianos não estão sofrendo mais com essa enfermidade, mas sim, a evolução na medicina e nos métodos de diagnóstico facilitou a identificação e o tratamento.

Foram analisados casos de câncer de cérebro entre 1982 e 2012, colocados ao lado de informações sobre a utilização de celulares entre 1987 – ano em que eles começaram a operar no país – e 2012. A noção foi de que os aparelhos móveis se tornaram algo comum a partir de 1997, quando, então, se deveria encontrar uma maior incidência da doença, o que não foi o caso.

No período, o estudo descobriu que, entre australianos de 20 a 84 anos, quase não houve alteração nas taxas de ocorrência de câncer no cérebro. Pelo contrário, ela permaneceu estável no caso das mulheres e teve um ligeiro aumento, de menos de 5% entre os homens. Levando-se em conta que o grupo com mais usuários de smartphones se localiza entre a faixa dos 12 a 45 anos, não foi possível encontrar relações entre as duas coisas.

O estudo, entretanto, encontrou, sim, um aumento na taxa de câncer no cérebro entre os idosos de 70 a 84 anos. Entretanto, segundo os pesquisadores, esse crescimento já vinha acontecendo desde 1982, cinco anos antes da chegada dos celulares à Austrália, e duas décadas antes de eles se tornarem comuns entre os cidadãos. É aqui que entra a principal conclusão: o país não tem mais vítimas da doença, e sim mais gente sendo diagnosticada com ela.

Os pesquisadores apontam ainda que pesquisas semelhantes, ainda em andamento ou já concluídas em países como Nova Zelândia, Noruega, Estados Unidos e Inglaterra encontraram resultados semelhantes, o que, para eles, é suficiente para afirmar que não existem relações entre o uso constante de celulares e o câncer no cérebro.

O estudo, inclusive, vem como resposta a uma grande comoção popular que ocorreu no início do ano, quando o livro “Desconecte-se: A verdade sobre radiação celular, o que a indústria fez para esconde-la e como proteger sua família”, da cancerologista Devra Davis, foi publicado. O título, que por si só já é alarmista o bastante, ganhou as páginas da imprensa australiana e foi até assunto de um documentário do canal ABC, gerando preocupação entre os cidadãos e até mesmo uma campanha contra a utilização de smartphones.

Fonte: The Conversation

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