Dominante nos EUA, Anker anuncia chegada ao Brasil

Por Felipe Demartini | 17 de Agosto de 2017 às 14h18

A Anker está se preparando para desembarcar no Brasil. A marca, que tem presença em 70 países e é uma das líderes do segmento de acessórios para dispositivos móveis nos Estados Unidos, está anunciando sua chegada ao nosso país com, pelo menos, 60 produtos entre carregadores, baterias portáteis, cabos e equipamentos de áudio, que devem começar a chegar aos grandes varejistas no final de setembro.

Mais do que isso, a companhia revelou o lançamento de uma operação local no Brasil, com direito a escritórios, distribuição própria, serviços de assistência ao cliente e garantia. Tudo isso está sob a batuta de Caio Campos, escolhido como country manager da marca e com direito até mesmo a nome localizado – Anker Brasil.

Caio Campos é o country manager da Anker no Brasil

A expansão faz parte de uma iniciativa para manter um dos princípios essenciais da operação da fabricante no restante do mundo, que é o foco em respeito ao cliente. “Queremos que as pessoas tenham tranquilidade em adquirir [um de nossos produtos], não só em relação à tecnologia, mas também ao suporte e o cuidado da marca com o consumidor final”, explica o executivo.

É um dos pilares da operação da Anker no mercado internacional, que a companhia chama de “voice of consumer” – o desenvolvimento de produtos de olho nas necessidades de que vai o utilizar. “Nada é desenvolvido por iniciativa própria dos engenheiros”, conta Campos, que cita pesquisas de mercado e estudos acontecendo, sempre, de forma prévia à criação de qualquer dispositivo. As etapas de design, produção, patentes e, por fim, distribuição ao mercado chegam depois.

Desenvolvimento de produtos da Anker leva em conta o interesse dos consumidores.

No Brasil, isso se traduz não apenas na presença oficial por aqui, com direito à garantia vitalícia que a Anker presta lá fora, mas também em uma política de preços diferenciada. Isso vale, inclusive, para toda a América Latina, explica o country manager, de forma a conter desafios locais e também facilitar a introdução da marca junto aos consumidores.

Para o nosso país, especificamente, Campos cita aquela que é maior vilã de toda a indústria da tecnologia – a alta carga tributária. Não é possível fazer nada com respeito a isso, a não ser pagar os impostos. Então, a Anker decidiu trabalhar na outra ponta, criando uma tabela específica de valores e condições para os usuários brasileiros, com preços que Campos cita como “especiais”, sem falar de forma específica.

Produtos premium e nomes de peso

Fundada em 2011 por quatro ex-engenheiros de produtos da Google, a Anker se viu transformada na empresa de acessórios móveis com maior número de vendas na Amazon, apenas em seu primeiro ano de operação. Na sequência, veio a expansão para novos setores de produtos, incluindo a contratação de funcionários de companhias como Bose e JBL para criação de um setor de dispositivos de áudio.

O resultado mais impressionante de todos esses esforços veio no ano passado, durante a Black Friday americana. Por meio do que o executivo cita como uma política de extrema proximidade com os anseios dos consumidores, a Anker conquistou os dez primeiros lugares entre os produtos mais vendidos da categoria mobile, com uma união de equipamentos como carregadores de parede ou veiculares, powerbanks e cabos para iPhone e dispositivos Android. São justamente estes que vão liderar na chegada ao Brasil, juntamente com caixas de som e fones de ouvido com tecnologia Bluetoth.

Aqui, Campos cita também mais um aspecto da operação nacional – a necessidade de homologação. De acordo com ele, todos os produtos disponíveis no Brasil terão SKUs exclusivos para o país e passagem pelas autoridades competentes, como Anatel e Inmetro, também uma forma de combater a pirataria e o contrabando de dispositivos. E, mais uma vez, entra em jogo a política diferenciada de preços, que o executivo cita como competitivos até mesmo em relação aos importados não oficialmente.

Carregadores devem liderar oferta de produtos da Anker no Brasil.

É um posicionamento importante, principalmente, quando se leva em conta o caráter dos produtos da Anker. Apesar de estarem na lista dos dispositivos mais vendidos da Amazon e contarem com mais de 24 milhões de consumidores em todo o mundo, a marca não é necessariamente um nome dos mais baratos. Um powerbank simples, com 10.000 mAh, por exemplo, tem preço oficial de US$ 50 nos EUA, aproximadamente R$ 160.

O próprio country manager admite que não são produtos de entrada. Por outro lado, essa nem mesmo é a intenção. “Criamos produtos para quem procura produtos ‘premium’, com mais qualidade e tecnologia de ponta”, explica, falando também em patentes e, mais uma vez, no desenvolvimento de produtos levando as vontades do consumidores em primeiro lugar.

Ele cita como exemplos uma tecnologia chamada Power-IQ, que se adapta automaticamente às especificações de cada aparelho, independentemente do sistema operacional e fabricante, de forma a garantir o recarregamento mais veloz possível, tanto através de baterias portáteis quanto carregadores. Outro exemplo são os cabos desenvolvidos com fibra de Kevlar, a mesma presente em coletes à prova de balas, extremamente resistentes e capaz de suportarem um peso de até 80 Kg.

Powerbanks e cabos da Anker começam a chegar ao Brasil em setembro.

Ambos estarão, inclusive, disponíveis no Brasil nessa etapa inicial de chegada da Anker. Campos também não fala em expectativas de vendas, mas aposta nos powerbanks e cabos como os líderes para o país, mas sem esquecer das tecnologias de áudio Bluetooth, que já são carro-chefe da marca na Inglaterra, Japão, Alemanha e França, por exemplo.

Na soma de tudo isso, o objetivo final da Anker no Brasil é fazer valer seu mote – “charge fast, live more” (carregue rápido, viva mais). O princípio que levou à sua abertura há seis anos, no Vale do Silício, o de que “ninguém jamais precisará se preocupar com bateria fraca” perdura até hoje, na medida em que smartphones se tornam cada vez mais o melhor amigo dos usuários. Quando se fala em Brasil, um mercado com consumidores, muitas vezes, de baixo poder aquisitivo, mas com alto interesse em tecnologia, o desafio promete ser maior do que nunca.