Documentos detalham planos da Apple para expandir assistência técnica

Por Felipe Demartini | 29 de Março de 2019 às 15h29
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Uma série de documentos internos da Apple indica o caminho que a empresa pode seguir para expandir seus serviços de assistência técnica autorizada e se adaptar a uma série de legislações que podem entrar em vigor nos EUA, em relação ao reparo de dispositivos eletrônicos. Datada de abril de 2018 e publicada na imprensa americana, a apresentação detalha os planos da companhia para entrega de peças, equipamentos, softwares e treinamentos a parceiros certificados desse setor.

O projeto seria uma extensão de uma iniciativa que já está em andamento e, desde o ano passado, vem fornecendo pelas oficiais, ferramentas de diagnóstico e treinamentos online para oficinas autorizadas. Elas, ainda, podem realizar apenas consertos que envolvam a troca da tela ou a substituição da bateria de iPhones, iPads, MacBooks e outros, enquanto reparos adicionais ainda exigem o envio dos equipamentos à Maçã. É justamente esse controle absoluto que uma iminente legislação pode alterar.

O movimento do “direito ao reparo”, ou right to repair, em inglês, pede que as empresas de tecnologia afrouxem o cinto e permitam que usuários e entusiastas tenham acesso a softwares e peças oficiais, algo que também valeria para assistências independentes, que normalmente praticam preços menores. A ideia chegou também ao Senado americano, com Elizabeth Warren sendo uma das principais políticas favoráveis à causa, com um projeto de lei relacionado inicialmente a máquinas agrícolas, mas que pode ser transformado em uma legislação federal que abranja, também, os gadgets e outros eletrônicos.

Documentos vazados da Apple exibem medidas de adequação às vindouras leis do "direito ao reparo" (Imagem: Reprodução/Motherboard)

A apresentação mostra que a Apple já se encontra preparada para aderir às novas normas, caso elas passam e vençam o lobby da própria empresa, entre outros fabricantes do setor. Caso seja necessário, a empresa começaria um programa batizado de “Reparo com peças genuínas”, entregando as ferramentas, componentes e suporte necessário às companhias independentes, para que elas, nas palavras do documento, possam “continuar fazendo o que já fazem”.

De acordo com o documento, hoje, existem mais de 3,7 mil oficinas autorizadas em todo o mundo, entre pequenos negócios e grandes redes que, hoje, já possuem acesso a certas ferramentas e processos oficiais, no que a Apple chama de “parceria premium”. Caso a legislação siga adiante, esse mesmo tratamento deverá ser dado a todas, algo que a apresentação demonstra ser um processo relativamente tranquilo.

Um dos principais argumentos para o monopólio que mantém sobre os serviços de reparos é a segurança, com a Apple afirmando que certos componentes e sistemas não podem ser acessados sem softwares ou ferramentas disponíveis, apenas, dentro da própria companhia. Os documentos, entretanto, não entram nesse ponto, apenas no contrário, afirmando que as oficinas certificadas tem qualidade e podem prestar serviços adequados a seus clientes.

Entretanto, não existem datas ou planos concretos de expansão de tais atividades no documento. Como se trata de uma apresentação voltada à adequação a uma lei vindoura, é bastante provável que tais iniciativas somente sejam adotadas caso as leis realmente venham a ser aprovadas, algo que ainda pode demorar pelo menos alguns meses, senão anos. Até lá, pelo menos por enquanto, nada muda no mundo da assistência técnica.

Fonte: Motherboard

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