Cuidado com a Black Friday 2015 no Brasil!

Por Pedro Cipoli | 27 de Novembro de 2015 às 10h50

Como diriam alguns, Black Friday no Brasil é somente mais uma Friday, já que é uma data recheada de decepções e descrença por boa parte dos consumidores brasileiros. Não sem motivos, aliás, já que algumas lojas realmente forçam a amizade com seus preços pela metade do dobro ou um terço do triplo, mas sempre aparece alguma coisa aqui ou ali que merece as devidas considerações. Pensando nisso, separamos 5 coisas a que você deve prestar atenção na Black Friday desse ano. Confira!

Desvalorização não é desconto

O sonho de muitos fabricantes (e sonho é uma palavra ideal aqui) é anunciar um produto bom e chutar o preço lá em cima, esperando que usuários paguem pela novidade, exclusividade psicológica e com aura de luxo. Quando isso não funciona, bom, os preços ficam progressivamente menores, já que smartphones precisam continuar a ser vendidos, mesmo que a preços cada vez mais baixos, para a tristeza de muitos departamentos de marketing.

Esse modus operandi tem acontecido de maneira cada vez mais rápida, já que os consumidores estão tomando consciência que não vale a pena comprar um smartphone no lançamento, assim como sabem que ovos de Páscoa valem a pena depois da Páscoa e Panetones depois do ano novo, quando o hype passa. A Black Friday entra nesse quesito tentando passar a ideia de que o preço de um modelo baixou como promoção, enquanto o fato é que o preço diminuiu pela demanda já baixa por aparelhos durante o ano.

Black Friday 2015

Tomemos o LG G4, por exemplo. Ele chegou ao mercado brasileiro por R$ 2.999, em seguida por R$ 3.099 pela alta do dólar. Isso é o que a LG diz, já que ele pode ser facilmente encontrado por R$ 1.830 sem Black Friday nem nada (quando não menos). Ou seja, se o preço não for menor ainda, não há promoção alguma.

Desconto à vista não existe

Crédito custa dinheiro, e isso é repassado para o consumidor como acontece com impostos. Essa ideia de que há um desconto à vista, em especial com porcentagens baixas (10% é o mais comum), só quer dizer que o consumidor não está pagando o parcelamento, valor que vai para as operadoras de cartão de crédito, não para as lojas. A Black Friday amplifica esse fato, com lojas tentando transparecer um esforço, uma redução de margens, para quem comprar à vista, o que não acontece na prática.

Black Friday 2015

Há algumas poucas lojas que realmente fazem isso, oferecendo valores 15% (lembra alguma loja de componentes?) ou 20% inferiores. Essas porcentagens realmente significam um desconto, com o abatimento do custo do crédito e um esforço real por parte do revendedor. Lojas que usam essa estratégia já fazem isso durante o ano todo, e vale a pena ficar de olho nelas durante a Black Friday, já que os descontos costumam ser verdadeiros.

Black Friday dura um dia, não um mês (ou o ano todo)

Lojas costumam adotar nomes fortes inspirados na Black Friday durante o ano todo. Boa parte dos consumidores já experimentou isso: recebeu uma newsletter com 80% de desconto (80%!! É agora!!!), mais 10% de desconto à vista. Calma lá: isso significa que eu vou pagar R$ 100 em um smartphone que custava R$ 1.000? Tá aí um negócio fantástico, termo esse que é derivado da palavra fantasia, por sinal. Lojas que fazem isso durante todo o ano dificilmente têm alguma promoção que presta durante a Black Friday.

Black Friday 2015
Black Friday 2015

Black Friday acontece somente na quarta sexta-feira de Novembro nos Estados Unidos. Americanos não ficam dias na fila esperando promoções de 80% OFF (de verdade, não como acontece aqui) várias vezes em um ano. Somente naquele dia e ponto final. Quando promoções simplesmente F-A-N-T-Á-S-T-I-C-A-S acontecem durante todo o ano, o seu significado fica banalizado, perdido, e é por isso que a Black Friday já não causa tanta expectativa. Será como todos os anos, afinal, por que se importar?

Estoques antigos e lojas próprias

Os dois casos acima são os mais seguros e oferecem descontos realmente significativos. No primeiro caso, lojas querem simplesmente se livrar de certos produtos, já que não são tão novos e pesam no bolso para serem estocados, de forma que não é incomum eles serem vendidos com preços abaixo do custo (com nota fiscal de fábrica!). Não precisam nem ser tão antigos, já que uma geração já é suficiente para certos produtos serem considerados “velhos”, caso de smartphones, tablets e notebooks, sem deixar de ser um excelente negócio.

No segundo caso, as empresas não podem abrir mão de um valor considerável que iria para o bolso do revendedor. Lojas próprias estão se tornando cada vez mais comuns, já que muitos fabricantes começaram a reagir contra a gordíssima margem de lucro de lojas de departamento. Na Black Friday, lojas próprias geralmente baixam, e muito, o preço, tanto porque podem, já que não precisam embutir a margem do revendedor, quanto para fidelizar clientes. Vale a pena ficar de olho.

Dicas gerais

Não podemos esquecer dos detalhes gerais para um bom aproveitamento da Black Friday. Por exemplo, lojas que inflam o preço para fazer o desconto parecer maior (o famoso "metade do dobro"), raramente sendo o melhor negócio que você encontrará. Antes de fechar negócio, sempre consulte o preço em outras lojas para ver se realmente vale a pena, em especial produtos mais caros, que sofrem cortes maiores de preço.

Black Friday 2015

E, claro, sempre duvide de descontos excessivos, ainda mais se for de uma loja desconhecida. Uma forma segura de fazer isso é consultar a classificação da loja em ferramentas como o Buscapé e quantas reclamações a empresa tem no Reclame Aqui. E, mesmo assim, sempre tenha o pé atrás.

Dólar, impostos e expectativas

Não podemos esquecer que o Brasil está em crise. Não vale a pena discutir os motivos, mas há uma crise real, impostos mais altos e os revendedores não estão lucrando tanto a ponto de absorver grandes descontos. Isso significa que descontos muito bons podem até pipocar aqui e ali, em produtos isolados, mas dificilmente acontecerá para uma grande quantidade e diversidade de produtos, já que, em muitos casos, realmente não dá para abaixar muito o preço.

Dinheiro

E temos o dólar. Aqui, sempre lembramos que o Brasil produz pouca coisa e importa grande parte dos bens de consumo da área tech. Não é necessariamente o seu valor final que interfere no custo final, mas sim flutuações cambiais excessivas, o que dificulta a situação das empresas no planejamento de estoque e na estipulação de um preço final objetivo. Acaba virando um jogo de palpites, já que o dólar pode baixar, o que significa menos competitividade para o preço previamente acertado. Ou pode aumentar, e zerar os lucros, ou fazer com que as empresas tenham prejuízo mesmo se venderem todo o estoque.

Os dois parágrafos acima querem dizer que, infelizmente, ter expectativas altas de preços altamente competitivos pode causar uma grande e amarga decepção. Haverá descontos, de fato, mas isso dificilmente aproximará a Black Friday 2015 da melhor edição da data comemorativa, que, por sua vez, ainda perde para a pior Black Friday que ocorreu nos Estados Unidos.

E você, usuário, o que espera da Black Friday desse ano? Conte para nós nos comentários!

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