Cuba estaria censurando SMS com palavras "democracia" e "direitos humanos"

Por Redação | 06 de Setembro de 2016 às 12h55
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Cuba é um país que tem lutado por sistemas mais modernos de telecomunicações, mas tudo indica que, mesmo com a implementação de alguns serviços, o governo comunista não quer dar controle total aos cidadãos. Segundo dissidentes cubanos, autoridades estão filtrando e censurando mensagens de texto enviadas via celular que contenham palavras como "direitos humanos", "greve de fome" e "democracia".

Em uma reportagem divulgada nesta segunda-feira pelo portal 14ymedio, a blogueira Yoani Sánchez e o jornalista Reinaldo Escobar descobriram que alguns SMS não chegavam ao seu destino caso apresentassem essas e outras palavras citadas no parágrafo acima. Nomes de opositores ao governo cubano e de ativistas também estão sendo banidos das mensagens móveis. Já os textos que utilizassem palavras espanholas para "protesto" passaram.

Eliécer Ávila, líder do grupo jovem de oposição Somos Más, que participou da investigação, declarou que 30 palavras que acionam o bloqueio foram identificadas, mas que poderia haver mais. "Sempre pensamos que os textos estavam desaparecendo porque o provedor é incompetente. Então decidimos checar usando palavras que incomodam o governo. Nós descobrimos que não apenas a gente, mas todo o país está sendo censurado. Isso apenas mostra o quão inseguro e paranoico é o nosso governo", disse.

A matéria ainda alega que isso é um efeito "do monopólio estatal de telefonia móvel da empresa de telecomunicações de Cuba, a Etecsa". As agências Reuters e AFP tentaram enviar mensagens com as palavras em espanhol "greve de fome", "direitos humanos" e "democracia". O resultado: o SMS chegou aos destinatários, mas em nenhum dos textos essas palavras passaram.

Arnulfo Marrero, vice-chefe da Etecsa, declarou estar surpreso com o caso após receber reclamações acerca da censura em seu escritório. Em nota, ele disse que cabe ao Ministério das Comunicações de Cuba (Micom) responder o ocorrido, pois "quem governa a política de comunicação é o Micom". "Aqui não temos escolha. Tudo o que posso fazer é informar [o Ministério]", disse.

Segundo a investigação do 14ymedio, não se sabe desde quando o suposto filtro de censura começou a ser aplicado, mas Escobar acredita que o mecanismo entrou no ar no início deste ano. Essa filtragem só valeria para usuários que trocarem mensagens dentro de Cuba; SMS enviados para outros países não estariam sendo afetados pela suposta medida.

Cuba autorizou os serviços móveis de telecomunicações em 2008, e o acesso à internet apenas a partir do ano passado. A Reuters afirma que especialistas estimam que entre 25% e 30% dos 11,2 milhões de habitantes de Cuba têm acesso à web, principalmente via Wi-fi público. No entanto, apenas 5% da população tem internet em casa, o que requer uma permissão especial por parte do governo.

Fonte: 14ymedio (1, 2) via Reuters

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