Com preço bem salgado, 'Paper Like' é o primeiro monitor e-ink do mundo

Por Redação | 27 de Maio de 2016 às 21h08

Passar horas olhando para um display convencional não é nem um pouco saudável para a visão. Na verdade, vários estudos realizados por órgãos interessados na saúde ocular pelo mundo todo indicam que permanecer mais de duas horas ininterruptas diante de um display com fonte de luz, como as telas LCD presentes em nossos dispositivos eletrônicos, já é mais que suficiente para causar problemas graves de visão em longo prazo.

Os riscos aos olhos compreendem uma série de lesões que têm como principais sintomas a vista cansada, embaçada e dores na região do fundo do globo ocular. Embora não exista um termo específico para classificar os danos por exposição a telas de computadores, é quase que unânime entre os doutores e pesquisadores da área que a luz constantemente emitida por telas — geralmente bem mais forte que a iluminação do ambiente onde o usuário se encontra — causa distúrbios na visão e no sono de quem as observa.

Dasung Paperlike

(Imagem/Reprod.: The Digital Reader)

Como uma resposta a esse problema, a startup chinesa Dasung criou o 'Paper Like', um monitor e-ink de 13,3 polegadas que, segundo a empresa, conta com uma atualização de quadros bastante rápida para o uso não só em leitura mas também em trabalhos que exigem uma constante mudança de telas. O Paper Like, de acordo com a própria Dasung, é o maior display do gênero no mercado, e conta com uma resolução de 1600 x 1200 pixels no total. Caso o usuário decida por reduzir esse valor, a resolução de 800 x 600 pixels também pode ser configurada assumindo a proporção de tela em 4:3, um formato mais quadrado que o usual retângulo que vemos nas telas atualmente.

A maior desvantagem das telas e-ink é o fato de elas não exibirem cores. Além disso, a maioria dos painéis que usam dessa tecnologia sofrem com taxas de atualização (FPS) muito baixas; é como se a tela estivesse sempre um pouco atrasada ao realizar transições. Entretanto, o blog The Digital Reader testou a novidade e contou ao público que se surpreendeu com o monitor monocromático: segundo eles, é bem fácil se adaptar ao Paper Like e utilizá-lo para navegar na web ou coisas do tipo.

Dasung Paperlike

O Paperlike apareceu pela primeira vez ao público na CES 2015 (Imagem/Reprod.: Dasung)

Para funcionar, o dispositivo não exige portas HDMI ou um cabo de força. Ele capta dados e energia necessária para exibir as imagens com uma única porta USB conectada em seu desktop ou laptop. Nas configurações do display é possível definir se você quer o Paper Like como uma extensão da sua tela convencional ou se quer que ele assuma a função do monitor padrão que você utiliza. De qualquer forma, é preciso lembrar que tantas possibilidades exigem alguns sacrifícios: segundo o próprio Digital Reader, a tela da Dasung possui níveis de cinza pouco variados, provavelmente para diminuir o tempo entre as transições de imagem. O Paper Like só tem 16 níveis de intensidade, do preto ao branco.

E INK

A empresa também é responsável pelo desenvolvimento desse tipo de display que carrega o mesmo nome (Imagem/Reprod.: Make Use Of)

A tecnologia e-ink funciona de maneira bastante engenhosa: uma fluido branco e neutro é introduzido nas microcápsulas que compõem o display enquanto dentro delas há um pigmento preto, como uma tinta. Conforme uma imagem ou texto deve ser exibido, o painel atrás de tudo isso se eletriza em um determinado padrão que repele o pigmento preto em certos pontos, fazendo com que ele apareça na superfície da tela e forme a imagem final. Por não emitir luz nesse processo, a tinta eletrônica acaba não prejudicando a visão, funcionando quase como papel impresso de verdade.

Embora seja bastante animador, vale ressaltar que o Paper Like é uma ideia nova e por isso é também bastante cara: esta semana seus criadores o anunciaram, no Indiegogo, uma plataforma que permite o financiamento de projetos por milhares de pessoas no mundo todo. A Dasung está pedindo salgados US$ 799 (R$ 2.886) pelo monitor e começará a entregar as unidades aos seus primeiros compradores em agosto deste ano, a meta inicial de 10 mil dólares pedidos no início da campanha já foi batida pelo projeto, que agora conta 33 mil dólares arrecadados no total.

Via: Digital Trends