Brasileiro faz próteses em impressora 3D para ajudar crianças amputadas

Por Redação | 30 de Novembro de 2015 às 11h09

Não é novidade que as impressoras 3D, embora ainda sejam caras para o consumidor final, são aparelhos que conseguem baratear a produção de componentes em diversos setores. Entre eles está a área da medicina, que já conta com sites e plataformas online para a impressão de próteses de baixo custo, beneficiando quem não pode pagar por um acessório fabricado por outras empresas. Foi pensando nisso que o brasileiro Marcos Roberto Oliveira decidiu integrar um projeto social para criar próteses para crianças amputadas.

Marcos é diretor de uma imobiliária online e cientista da computação. Morador de Brasília, ele conta que instalou uma impressora 3D para inicialmente desenvolver peças para veículos elétricos, como skates e bicicletas, em um projeto que desenvolve com o primo. Foi quando descobriu o vídeo de uma criança que havia ganhado uma prótese ao fazer uma pesquisa na internet para conhecer mais utilidades para o equipamento.

O vídeo em questão é o de uma criança ajudada pelo projeto e-Nable, mundialmente conhecido por fornecer próteses feitas por meio de impressão 3D a pessoas com necessidades especiais, principalmente aquelas que não possuem membros superiores. Marcos afirma que, assim que soube da iniciativa, se cadastrou como voluntário e começou a produzir sua primeira prótese, que substitui os movimentos básicos da mão.

Surgiu aí o projeto Protesys, que tem como objetivo a fomentação e distribuição de próteses e a montagem de laboratórios de impressoras 3D em centros de reabilitação "para incluir os próprios pacientes no processo de construção de suas próteses". Inclusive, já existe um site para conectar brasileiros que ajudam e querem ser ajudados por meio do e-Nable. Basta preencher um formulário na página da Protesys.

Na fabricação, o cientista da computação usa como material o plástico ABS, o mesmo encontrado em capacetes de escaladores, e o tempo de produção de cada peça é de 22 horas. A prótese tem 50 centímetros de largura, 50 centímetros de comprimento e 40 centímetros de altura e dá firmeza suficiente para a criança carregar, por exemplo, copos e bolas. As próteses, que ainda estão em fase de testes e que custariam R$ 3 mil em lojas, saem por R$ 10.

Além disso, se necessário, o acessório pode sofrer manutenções do próprio dono, uma vez que o objeto é composto por plástico, elástico, fios de nylon e velcro. Também é possível repassar a prótese para outra pessoa com tamanho semelhante quando a peça não servir mais em seu usuário inicial.

"O ato de conseguir segurar as coisas é algo que damos pouco valor no dia a dia. Mas a possibilidade de você conseguir levar sua comida até sua boca sem a ajuda de outra pessoa é só uma das atividades que a prótese ajudar a realizar. Quando comecei a me envolver nesse mundo, comecei a reparar mais como as duas mãos são importantíssimas. Ficamos completamente limitados se tentamos realizar algumas tarefas corriqueiras utilizando apenas uma mão", explicou.

Segundo Marcos, o próximo passo é aprimorar uma prótese robótica que ele desenvolveu e que conecta sensores presos ao corpo com os movimentos dos dedos robóticos da prótese de mão. "Depois que eu fiz a primeira, me empolguei para continuar fazendo mais e me aprofundar mais nesse tipo de problema. E o que me deixa mais feliz é conseguir juntar minha paixão por tecnologia e inovação com a possibilidade de ampliar a qualidade de vida de uma pessoa que não tem condição de pagar por isso", disse.

Fonte: G1