Análise: Plantronics RIG, um headphone gamer para quem não sai da frente do PC

Por Pedro Cipoli
photo_camera BRUNO HYPOLITO / CANALTECH

Já analisamos alguns headphones gamer bacanas aqui no Canaltech. Entre os que mais nos chamaram a atenção, temos o HyperX Cloud II Pro Gaming Headset, da Kingston, e o Eros, da GAMDIAS, modelos mais voltados para jogos que utilizam múltiplos canais de áudio do que propriamente para escutar música, tanto que a principal interface de ambos é USB, e não P2 ou P3, como é comum em fones de ouvido para músicas.

Cada um dos dois tem uma proposta diferente. O Eros fica restrito à entrada USB do computador, já que o grande trunfo dele é oferecer um áudio emulado em 7.1 canais, mas falha em versatilidade por não oferecer uma entrada P2, não podendo ser utilizado em smartphones, por exemplo. Já o HyperX Cloud II Pro tem, por padrão, uma entrada P3, gerando um áudio emulado com um adaptador USB. Ele consegue reproduzir áudio em até 5.1 canais, mas funciona como um headphone convencional, caso o usuário necessite.

Saindo do Eros e chegando no HyperX Cloud II Pro, temos uma diminuição no número de canais em favor de um aumento na versatilidade e na fidelidade sonora na hora de escutar músicas. O Plantronics RIG é um próximo passo aqui, oferecendo uma qualidade de áudio ainda melhor, compatibilidade com um número maior de gadgets, mas traz em troca um número menor de canais de áudio.

Considerando somente o RIG como um headset, na pior das hipóteses, o usuário tem uma qualidade de áudio acima da média para a categoria gamer, com margem o suficiente para ser considerado como alta definição sem problemas. Ele utiliza drivers de 40 milímetros com capacidade de reproduzir frequências entre 20 Hz e 20 KHz, sem destacar nenhuma faixa de frequência em particular (graves, médios e agudos), mas reproduzindo todas elas com bastante competência.

Nossa única ressalva aqui é a impedância dele, que nos pareceu um pouco mais alta do que deveria ser. Isso faz com que o som fique baixo em certos gadgets (como smartphones mais básicos) ou mesmo com que alguns detalhes da música não sejam devidamente reproduzidos, e é aí que entra o mixer, um dos principais diferenciais aqui, que funciona basicamente da mesma forma que a placa USB do HyperX Cloud II, mas com muito mais versatilidade.

É mais ou menos assim: você conecta o mixer no PC via USB e o headphone no mixer (qualquer fone de ouvido, na prática) e já aproveita uma qualidade sonora consideravelmente melhor. Por mais sofisticado que seja o driver de áudio do seu PC ou laptop, o ganho é perceptível, em especial pela presença de um amplificador interno, o que significa uma qualidade sonora bem melhor, em especial nos médios, faixa de frequência na qual fones de ouvido convencionais geralmente costumam ter dificuldades.

Um dos pontos que gostamos é que o RIG é surpreendentemente confortável de usar. Tanto as espumas quanto o revestimento interno trazem uma proteção de tecido, inclusive na alça, e no geral ele é mais leve do que realmente parece. Toda a sua construção é de plástico, algo bastante comum em fones de ouvido gamer, mas não temos o que criticar em relação à qualidade, já que ele se mostrou bastante resistente às torturas que os fones de ouvido sofrem quando são transportados.

Na parte externa da concha há uma grelha que dá a impressão de que ele é um modelo semi-aberto, mas é fechado, o que não interfere em sua qualidade sonora. Podemos dizer que esperávamos menos, já que modelos gamer não costumam focar tanto em fidelidade de som para músicas e filmes. Só que nos surpreendemos bastante, já que o RIG tem um excelente nível de qualidade nos médios e agudos, ainda que os graves não sejam tão pronunciados, “problema” que é resolvido com o equalizador do mixer.

Aqui vai outra utilidade do mixer: sabe quando você está concentrado em alguma coisa do PC e acaba perdendo uma ligação ou notificação? É para isso que serve o cabo de áudio embutido nele, que está lá para ser conectado ao smartphone e acionado quando necessário, inclusive suportando o microfone. Para trocar entre um e outro, há um switch central, que muda a iluminação de laranja (PC) para azul (smartphone). Cada um deles traz o seu próprio controle de volume independente, ambos regidos por um controle circular mestre de volume.

O mixer conta também com dois canais de áudio RCA, essencial para sua última função: consoles. A parte bacana é que os dois canais de áudio podem ser acoplados à saída de som do console (Xbox 360 e One, PS3/PS4) junto com um segundo sistema de som, já que os conectores possuem uma conexão macho e fêmea. Isso significa que o usuário não precisará mexer nos fios na hora de escolher entre o RIG e um segundo sistema de som.

Nossa única crítica aqui é que, bom, o RIG é um fone de ouvido gamer com uma placa USB (o mixer), mas não simula mais canais de áudio. Como dissemos no começo do artigo, ele inverte os extremos do GAMDIAS Eros, trazendo somente 2 canais ao invés de 7.1, mas compensando com uma fidelidade sonora consideravelmente superior. Ainda assim, ele não ajuda tanto quanto o Eros em jogos FPS, como é o caso de Battlefield e até mesmo Far Cry. Ou seja: nada de escutar que há um inimigo atrás de você.

Conclusão

Encontramos o Plantronics RIG em lojas físicas e virtuais por cerca de R$ 650, um valor alto, mas mais ou menos de acordo com o que ele se propõe a ser. Ele não foi projetado exclusivamente para escutar músicas, assim como não foca totalmente em games, mas se sai bem nas duas situações, sendo um headphone “all-in-one” que pode ser utilizado praticamente em qualquer situação.

Vantagens

  • Design excelente;
  • Boa qualidade sonora;
  • Confortável;

Desvantagens

  • Preço alto;
  • O mixer poderia ser um pouco menor.