Além dos jogos: 5 setores que podem se reinventar com a realidade virtual

Por Durval Ramos | 28 de Junho de 2016 às 20h36
photo_camera engadget

A realidade virtual já está entre nós, mas parece ainda estar longe de ser a grande revolução que nos foi prometida ao longo dos últimos anos. Oculus Rift e HTC Vive são realmente impressionantes como conceitos tecnológicos, mas ainda falta aquele aplicativo que utilize o verdadeiro potencial desses produtos e justifique todo o alarde em torno deles. Por enquanto, eles ainda são apenas uma promessa e, no máximo, o tipo de coisa que você tem em casa para impressionar as visitas.

Mas o que é preciso para mudar esse cenário? A resposta é simples: aplicações práticas. Por enquanto, temos apenas um apanhado de demonstrações que realmente nos fazem acreditar que esse é o caminho do futuro, mas que ainda não são capazes de nos entregar algo concreto como produto final. Mesmo com os óculos já nas lojas, ainda não saímos do campo das promessas.

E parte da culpa disso está no foco que toda a indústria deu aos jogos. O mercado de games foi quem fez mais barulho em torno da realidade virtual, mas ainda segue engatinhando no setor. Só que, enquanto a gente continua esperando por um jogo que realmente justifique o investimento na novidade, há uma série de outros setores que já estuda e desenvolve usos mais eficientes e interessantes dessa tecnologia. O curioso é que pouco se fala deles.

oculus rift

Assim, para mostrar que nem só de videogame depende o futuro da VR, separamos algumas áreas que podem se aproveitar da novidade para se reinventar. E, em alguns casos, essa revolução já está acontecendo.

1. Pornografia

E não há como não falar sobre inovação sem citar a pornografia, já que a bilionária indústria do entretenimento adulto é conhecida entusiasta de várias tecnologias. Como explicou ao Canaltech o especialista de hardware da AMD, Alfredo Heiss, o pornô vai ser um dos responsáveis pela popularização do VR, principalmente porque há uma grande quantidade de estúdios produzindo conteúdo para o novo suporte. E, se há oferta, é porque a demanda é alta.

Prova disso é que o pequeno estande da Naughty America foi um dos mais procurados durante a última E3. A fila de curiosos querendo conferir como a realidade virtual poderia mudar a forma como se consome pornografia era enorme e, por mais que a demonstração não fosse lá grande coisa, todo mundo saiu aparentemente satisfeito com o que viu.

Pornhub (realidade virtual)

E a produtora não é a única investindo na novidade. Serviços como o PornHub, por exemplo, estão apostando pesado no VR e seguem produzindo muito material para que o público se sinta dentro da cena.

Pode parecer piada, mas a contribuição do pornô para o desenvolvimento da tecnologia é imensa, principalmente porque ele não exige um hardware poderoso para rodar as imagens. Como o espectador precisa apenas de um celular e um óculos compatível, ele se torna muito mais acessível e com enorme potencial para cair no gosto. Afinal, demanda a gente já sabe que existe.

2. Cinema

Mas não é só o cinema pornô que pode tirar proveito da realidade virtual. A Sétima Arte como um todo pode se reinventar com o VR e de uma maneira muito mais significativo do que tentou se fazer com o 3D. O único ponto é que, para isso, os filmes precisarão ser pensados para a tecnologia e não simplesmente adaptados.

Chernobyl

O que isso significa? Para que a realidade virtual realmente faça sentido, de nada adianta distorcer a imagem para que o próximo Vingadores seja assistido pelos icônicos óculos. Olhar para o lado é algo que impressiona na primeira vez que você testa o recurso, mas deixa de ser interessante logo depois. E é por isso que o cinema precisa se reinventar também.

A ideia do VR é exatamente fazer com que o espectador se sinta dentro da cena, mas isso não pode desviar sua atenção do que o diretor pretende mostrar. Assim, é preciso de alguns conceitos mais amplos. O melhor exemplo disso é o documentário que usou câmeras em 360º para levar o público para o que restou da cidade de Chernobyl, destruída após um acidente em uma usina nuclear. É um conceito que exige pensar fora da caixa e que chama a atenção por isso mesmo — além de ser algo que o cinema tradicional não consegue oferecer, o que se transforma em um enorme diferencial.

3. Educação

Por muito tempo, escolas e tecnologia lutam para ver quem conquista a atenção dos jovens. É realmente muito complicado para professores disputar com o smartphone ou o tablet, mas pode ser que a realidade virtual venha finalmente acabar com essa guerra em sala de aula. E os modos para isso acontecer são vários.

A educação é um dos setores que mais podem se aproveitar da realidade virtual, fazendo com que os óculos sejam usados como ferramenta pedagógica. Lembra-se como era chato estudar História Geral e ficar imaginando como era a Europa do século XI sem ter a menor ideia de como era o lugar de verdade? Pois basta um único aplicativo para que você não só visualize como também se sinta parte desse contexto — e sem o medo da Peste Negra.

E isso pode ir muito além. Visitar campos de batalha para conhecer mais sobre a Segunda Guerra, visualizar detalhes da aula de Geografia ou mesmo fazer aquela viagem interativa por dentro do corpo humano para entender Biologia são apenas algumas possibilidades que o VR oferece. Tanto que já há um projeto que pretende recontar a história da Anne Frank usando a tecnologia.

Isso sem falar que as crianças e os jovens vão ficar certamente mais interessados no conteúdo do que apenas acompanhar tudo pelo quadro.

4. Jornalismo

Parece estranho imaginar como o jornalismo pode se aproveitar do VR, mas a verdade é que a realidade virtual também pode ser usada para apresentar um novo modo de contar notícias. Afinal, de que maneira mais eficiente para compreender um fato do que estando no meio dele?

Realidade Virtual

É claro que a produção desse conteúdo não é tão simples assim, o que significa que nem todas as matérias poderão ser feitas pensando em colocar o espectador dentro do fato. Afinal, ao menos por enquanto, poucos veículos terão condições de ter câmeras compatíveis à disposição. Ainda assim, a possibilidade de fazer reportagens imersivas seria enorme.

Pense naquela matéria especial que você viu na TV e que gostaria de estar ali no meio para conferir mais. Ver de perto os estragos causados pelo rompimento da barragem em Mariana ou mesmo entrar em uma fazenda virtual para entender quais os desafios do agronegócio são apenas alguns exemplos de materiais jornalísticos que podem ganhar novos contornos com a novidade.

5. Medicina

Por fim, a medicina se revela como outro segmento que ninguém imaginaria que pode se aproveitar da realidade virtual, mas que já vem demonstrando diversas aplicações da tecnologia. Calma, o seu médico não vai fazer nenhuma cirurgia à distância usando óculos de VR, mas ele pode aprender muito mais sobre a sua especialidade.

Médicos no Morriston Hospital

Exemplo disso é que algumas operações vão ser transmitidas via realidade virtual para que outros médicos acompanhem todo o procedimento, aprendendo técnicas e se familiarizando com todo o processo sem ter que abrir ninguém para isso e nem criar aquela situação desconfortável de colocar espectadores ao redor de um paciente já fragilizado. A partir de uma única câmera, médicos de outros pontos de mundo podem assistir à intervenção cirúrgica sem que isso se torne algo invasivo.

Outra aplicação prática é no tratamento de alguns problemas psicológicos, sobretudo relacionados a fobias. Se uma pessoa sofre com algum tipo de transtorno desse tipo, como aracnofobia ou mesmo coulrofobia, é possível usar os óculos para que ele comece a se acostumar com a presença de aranhas e palhaços sem achar que eles podem ser ameaças. É aquela velha ideia de se aproximar de seu maior medo até o ponto que o pavor vá embora. E, ao saber que aquilo não existe de fato, seu cérebro pode começar a eliminar a fobia aos poucos.

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