Acordo elimina tarifa de eletrônicos em 80 países, mas Brasil fica de fora

Por Redação | 21 de Julho de 2015 às 08h53

Contra os preços elevados de vários produtos eletrônicos, muita gente, mesmo pagando diversas taxas e impostos, opta por adquirir esses dispositivos em países onde os valores são bem mais acessíveis. No entanto, muito em breve não será necessário se mover para outra nação para comprar um tablet ou smartphone mais barato. Acontece que, até o final desta semana, oitenta países devem assinar a atualização de um acordo comercial que elimina a tarifa de mais de 200 produtos de tecnologia.

Esta é a primeira grande negociação para corte de tarifas na Organização Mundial do Comércio (OMC) em 18 anos e reduzirá em US$ 1 trilhão as tarifas cobradas sobre eletrônicos ao redor do mundo. China, Estados Unidos, Coreia do Sul e a União Europeia, que representam 97% do comércio mundial de itens de tecnologia da informação, fazem parte do tratado internacional (ITA, na sigla em inglês) que vai beneficiar produtos como GPS, videogames, cartuchos de impressoras, semicondutores e até aparelhos de ressonância magnética.

A má notícia? O Brasil ficará de fora do acordo, prejudicando não apenas os consumidores finais, mas também impedindo a modernização de hospitais e escolas por um custo muito menor.

Segundo Humberto Barbato, presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica, esse tipo de tratado poderia comprometer a indústria eletroeletrônica nacional. "Nunca quisemos participar do ITA. Se isso acontecesse, praticamente não teríamos mais indústria eletrônica no país", diz o executivo, destacando principalmente os preços dos itens chineses, os altos custos de produção no Brasil e o câmbio valorizado dos últimos anos.

Por outro lado, José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), afirma que a ausência do Brasil em um acordo que envolve 80 países, num setor com alto potencial de crescimento nas transações, reforça o isolamento do país no comércio internacional.

"Ou nos integramos ao mundo ou o Brasil ficará cada vez mais à parte. O país não pode pensar apenas na proteção de sua indústria, que já tem na taxa de câmbio atual uma barreira à invasão de importados, e deve considerar que o isolamento comercial também afeta a competitividade de outros setores", declara Castro.

A expectativa é que o tratado internacional de tecnologia entre em vigor a partir de julho de 2016. O comércio global de produtos desse setor movimenta cerca de US$ 4 trilhões por ano. Algumas das empresas beneficiadas pela medida são Samsung, Intel e Sandisk.

Fontes: Folha de S.Paulo, InfoMoney

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