Tecnologias que você vai começar a usar ou deixar para trás em 2014

Por Rafael Romer | 06.01.2014 às 12:37
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A tecnologia não dencansa nem durante as festas do final do ano. 2014 mal começou e todos na indústria já discutem quais devem ser as principais novidades que podemos esperar para este ano.

Uma das principais feiras de tecnologia do mundo, a CES (Consumer Electronic Show) já começa hoje (7) e promete, além de apresentação de vários novos produtos, dar o tom do que as empresas tech preparam para o ano. Aqui no Canaltech, nossa aposta é que esse início de ano infelizmente será um período de pouca inovação e de apresentação de mais várias tecnologias e gadgets já conhecidos, mas ainda pouco explorados pelo mercado ou ainda não tão próximos do nosso cotidiano.

Aliás, nós sabemos que qualquer tipo de previsão no mundo da tecnolgia é um tiro no escuro, mas também separamos algumas das nossas apostas das que vão começar a fazer mais parte do seu cotidiano e das que vão começar a ficar para trás em 2014.

Conteúdo 4K mais próximo do nosso dia-a-dia

A tecnologia de display Ultra Full HD (4K) já não é nenhuma novidade e está por aí há pelo menos três anos. O seu grande problema, no entanto, é que ainda permanece cara demais para o consumidor final e tem pouco conteúdo em vídeo disponível no formato. O resultado: apesar de bem conhecida, a grande maioria das pessoas nunca entrou em contato com ela.

Mas 2014 promete ser o começo de uma explosão da nova resolução no mercado. Prova disso é que as grandes empresas de tecnologia continuam investindo pesado no 4K, o que aos poucos leva a uma queda de preços e ao aumento da oferta de conteúdo em vídeo.

Cada vez mais plataformas devem passar a suportar o formato neste ano, o que trará ainda mais incentivo para consumidores e empresas buscarem o 4K. O YouTube, por exemplo, fez um anúncio discreto na semana passada de que passará a suportar as resoluções 1440p (4K) e 2160p (8K) em vídeos no site. Além disso, a nova geração de consoles de videogame (Xbox One e PlayStation 4) também tem suporte ao 4K. Isso sem contar os lançamentos de novos monitores, televisores e câmeras de captação com a tecnolgia que também devem acontecer já na CES, como de costume.

No Brasil, em específico, a promessa é que o 4K ganhe um grande destaque durante a realização da Copa do Mundo. Desde o ano passado, a Sony já vem testando transmissões em 4K durante a Copa das Confederações, e segundo a empresa o Brasil já tem capacidade para suportar o Ultra Full HD. A expectativa é que a Copa de 2014 já deve ter seus jogos captados em 4K e exibidos em salas de cinema especiais com suporte à tecnolgia.

4G

A implantação das redes de internet móvel 4G, consideradas até dez vezes mais rápida que as redes 3G, começou no ano passado no Brasil, motivada principalmente pela Copa do Mundo. E apesar de algumas dificuldades que usuários, operadoras e governo encontraram e ainda encontram no meio do caminho, o cenário do 4G no Brasil parece positivo para 2014.

Essa foi a avaliação do SindiTelebrasil (Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviço Móvel Celular e Pessoal), que divulgou os atuais números da rede 4G no país na última semana de 2013. De acordo com a organização, 74 municípios brasileiros fecharam o ano com cobertura 4G neste ano. Até abril, a cobertura se restringia basicamente às 12 cidades-sede da Copa do Mundo.

Segundo a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicaçõe) cerca de 730 mil terminais de banda larga 4G foram adquiridos no país em 2013 e as redes já ultrapassam a marca de 4 milhões usuários conectados. A agência estima ainda que, até maio, todas as capitais brasileiras e cidades com mais de 500 mil habitantes já tenham as redes LTE.

Também está previsto para o primeiro trimestre do ano o leilão que que vai abrir a faixa de 700 MHz para o 4G, que tem um alcance bem maior que a atual faixa de 2,5 Ghz. O que, aliado à maior oferta de smartphones e tablets que suportem a tecnologia, deve expandir bastante o uso da conexão.

É claro, a expansão da rede não é sinônimo de qualidade do serviço. Tanto o governo quando as operadoras ainda têm muito trabalho pela frente para garantir que a implementação do 4G garanta velocidades e cobertura decentes não apenas para a Copa do Mundo, mas para além do evento esportivo.

Smartwatch no seu braço

Está claro que a aposta da indústria da tecnologia na chamada wearable tech, ou tecnologia usável, é séria. Intensificada no ano passado com a chegada de dispositivos como o Google Glass, e de uma série de relógios inteligentes, como o Pebble, o Galaxy Gear, da Samsung, e o Smartwatch II, da Sony, essas tecnologias devem repetir o protagonismo na CES deste ano, com ainda mais produtos deste estilo sendo apresentados para os consumidores. Haverá até uma parte da feira dedicada exclusivamente a estes gadgets.

Falta agora os consumidores pegarem o gosto pela coisa. Como nós aqui do Canaltech já mostramos em nosso review do Smartwatch II, os gadgets vestíveis são interessantes, mas ainda falta o seu propósito no nosso cotidiano.

Mas a tendência é que, com o aumento da oferta e variedade desse tipo de produto, os preços caiam e os consumidores consigam encontrar o gadget que atende a suas necessidades de forma ideial.

E nossa aposta é que ainda outra tendência do mundo da tecnologia ajude a introduzir de vez esses produtos na vida dos consumidores em 2014: a internet de todas as coisas. Conforme cada vez mais produtos do nosso dia-a-dia estarão conectados à internet através de redes móveis, é esperado que consumidores necessitem de novas formas de se comunicar com itens como suas geladeiras, ar condicionado ou carros inteligentes. E nada mais fácil do que um gadget no seu braço ou na frente do seu rosto para dar comandos simples e fáceis a eles.

E o que você vai começar a deixar para trás

Facebook

Não é nenhuma novidade que a maior rede social do mundo já atingiu seu ápice. Há pouco mais de dois anos, pipocavam na internet os recordes de novos usuários entrando na rede social de Mark Zuckerberg quase semanalmente. Mas há um bom tempo que essas notícias param de chamar a atenção e de ganhar destaque. E a realidade é que as pessoas já estão ficando cansadas do Facebook, uma rede social que fica cada vez menos atrativa para os usuários.

Vários estudos apontam que o site está se tornando um motivo de vergonha, principalmente entre usuários mais jovens, entre 20 e 25 anos, que agora assistem a uma nova leva de pais e pessoas mais velhas se cadastrando na rede social.

A adesão desse perfil mais velho passa a afastar os jovens, que não querem que seus pais e outros adultos conhecidos saibam de suas atividades, acompanhem suas postagens e vejam as tão temidas fotos constrangedoras em seus perfis. A queda de uso entre os mais jovens já foi inclusive assumida por executivos da empresa.

Além disso, parte considerável dos usuários está ficando cada vez mais preocupada e irritada com as constantes mudanças de configurações de privacidade do site, que já são consideradas invasivas por muitos. Na tentativa de capitalizar ainda mais com os dados sociais de navegação que acumula, o Facebook implementa atualizações para integrar publicadades mais direcionadas para os usuários, mas que acabam sobrecarregando a rede social de informação.

O resultado disso é um êxodo entre os mais jovens, que buscam cada vez mais alternativas para se "esconderem" e realizarem suas atividades sociais em paz. Aí entram aplicativos como o Instagram, Whatsapp, Snapchat e até o YouTube, que ganham espaço e absorvem esses usuários, que podem conversar e compartilhar informações com amigos sem a intromissão dos mais velhos e com mais privacidade.

Serviços gratuitos

Na mesma linha daqueles que deixam o Facebook preocupados com a privacidade de suas informações, 2014 pode ser o ano em que parte dos usuários desista dos serviços gratuitos na internet. Serviços de busca e e-mail gratuitos, como os fornecidos pelo Google e Microsoft, que coletam dados do usuário para publicidades focadas em troca da gratuidade dos serviços, foram pesadamente criticados em 2013, principalmente após as denúncias de entrega de informações destes provedores a agências de espionagem de governos.

O resultado disso é que mais e mais usuários devem ficar sensíveis à questão da proteção de dados, e busquem alternativas a esse atual modelo de negócio. E já existem empresas de olho nesse mercado. Em nossa entrevista com o CEO do Mega de Kim Dotcom, Vikram Kumar, o executivo revelou que parte dos planos do site, que atualmente fornece apenas serviços de armazenamento, é integrar comunicações de texto, voz e vídeo criptografadas em sua plataforma para usuários que queiram pagar pela segurança de seus dados.

O modelo deve ganhar ainda mais espaço conforme mais usuários estão dispostos a pagar por serviços na internet, como streamings de música e vídeo, algo que até pouco tempo não era muito comum, principalmente em países como o Brasil.