Razer Adaro: som de alta fidelidade sem fios

Por Pedro Cipoli

Fones de ouvido Bluetooth estão se tornando cada vez mais comuns, aproveitando o boom de vendas de smartphones, tablets e notebooks com esse tipo de conexão. Até pouco tempo atrás eles não eram tão comuns e, quando apareciam, traziam qualidade de áudio e autonomia de bateria bem abaixo do esperado. Essas limitações estragavam a experiência de uso e os faziam pouco atrativos para quem já tinha um bom fone com conexão P2.

A realidade mudou de forma bastante rápida nos últimos anos. Os fones Bluetooth mais recentes conseguem competir em pé de igualdade com modelos high definition convencionais (ainda que não sejam tão atraentes para os audiófilos) e de quebra trazem a praticidade da conexão sem fios. O lado negativo mais óbvio? O preço, consideravelmente maior do que modelos com fios para a mesma qualidade sonora.

Já testamos alguns modelos Bluetooth aqui no Canaltech, desde o básico Dazz Bluetooth até outros que fornecem uma qualidade excelente, caso do Tracks Air da Sol Republic, incluso na embalagem do Moto G Music Edition da Motorola. Agora é a vez da Razer mostrar do que é capaz com o Adaro, modelo que, independentemente do preço, pode ser considerado um "intermediário extremamente confortável".

Além de absurdamente leve, com 197 gramas, ele mal é sentido durante o uso. É claro que as espumas fazem boa parte do trabalho aqui. Ajustando-se muito bem à maioria dos formatos de ouvido sem grandes problemas, a combinação é interessante para quem busca um modelo over-the-ear para ficar horas a fio (com o perdão da expressão) escutando músicas. Mais exatamente, 20 horas seguidas segundo a Razer.

Não chegamos a deixá-lo tocando por tanto tempo para medir a sua bateria, mas podemos dizer que escutamos aproximadamente 13 horas de música em intervalos regulares em 3 dias sem desligá-lo e não o carregamos nesse período. Esse é um ponto que faz dele mais interessante do que o Tracks Air, que aguentou cerca de 10 horas nas mesmas condições.

Um ponto em especial nos decepcionou um pouco. A Razer criou uma identidade bastante forte para seus produtos, aplicando o "verde Razer" para que qualquer pessoa que conheça a marca possa dizer "Não sei qual produto é, mas sei que é da Razer". Temos o logo da empresa no lado de fora das conchas e "Razer" escrito na parte de cima do apoio da cabeça, mas sem o "verde Razer" em lugar nenhum do fone.

Quer dizer, na embalagem temos um cabo USB para carregá-lo com essa cor, mas é o único detalhe. Isso não faz dele feio, já que ele tem uma construção que mistura plástico (conchas), metal (regulagem de altura) e couro sintético (apoio para a cabeça) que se misturam de uma forma harmoniosa, mas sentimos falta deste detalhe em especial.

A qualidade sonora nos agradou bastante. Ele não pronuncia nenhuma faixa de frequência em especial (ao contrário do Razer Hammerhead, que prioriza os graves), reproduzindo músicas como elas deveriam. Ainda que isso vá desagradar um pouco quem busca um modelo com batidas mais fortes, o que explica a preferência pelos modelos da Beats (junto com o design, naturalmente), o Adaro se torna um bom candidato para quem busca um modelo tudo-em-um.

Tanto agudos quanto graves não são motivos de problemas, com intermediários ligeiramente apagados, mas isso é mais ou menos esperado. Fones, sejam Bluetooth ou não, pecam nessa faixa de frequência e raros são os modelos que conseguem se sair bem nesse quesito sem custar uma pequena fortuna. De qualquer forma, depois de horas de Spotify, não ficamos decepcionados em nenhum momento.

Então se o fone parece uma opção melhor do que o Tracks Air tanto pela autonomia de bateria quanto pelo conforto, onde é que ele perde? Exatamente no Bluetooth. Não estamos falando da qualidade de transmissão, que é muito boa com a combinação do Bluetooth 4.0 e tecnologia aptX que garante a capacidade de reprodução em qualidade de CD, mas sim da dependência dessa conexão.

O Tracks Air é um híbrido, funcionando tanto sem fios como via conexão P3 através de um cabo removível. O Adaro, por outro lado, só se conecta via Bluetooth, o que limita o seu uso à essa conexão. Por exemplo, grande parte dos desktops não traz Bluetooth de forma nativa, assim como alguns tablets um pouco mais básicos, sendo um ponto que vale a pena destacar.

Como grande parte dos modelos Bluetooth, ele vem com controles embutidos nos próprio fone. No caso, temos o botão liga/desliga, que muda de cor conforme a situação (aguardando conexão, conectado, reproduzindo música), controles de música (anterior, pausa e próxima) e de volume. Esses controles são uma “mão na roda” para quem não quer tirar o smartphone do bolso e em nossos testes funcionaram tanto no Spotify quanto nos players de música do iOS e do Android.

Agora vamos à questão delicada: o preço. Encontramos o Razer Adaro Bluetooth com um preço médio de R$ 900. O valor é consideravelmente alto para um fone de ouvido, ainda mais se considerarmos que ele não oferece a possibilidade de uso sem Bluetooth. O interessante é que encontramos a versão com fios com preços próximos de R$ 600, o que levanta a questão: vale a pena gastar R$ 300 a mais pelo Bluetooth? A qualidade é sim acima da média, além de ser bastante confortável, ma esse é um ponto que vale a pena levar em consideração.

Especificações:

  • Resposta de frequência: 20 Hz - 20 kHz
  • Impedância: 32 Ohms
  • Sensitividade: 91 dB +/- 3 dB
  • Conexão: Bluetooth com tecnologia aptX
  • Driver: Ímãs de neodímio de 40 mm
  • Alcance: 10 metros (sem obstáculos)
  • Bateria: 20 horas de uso contínuo e até 300 horas em stand by (cerca de 2 horas e meia para carregá-lo totalmente)