Pesquisa: maioria dos usuários de smartphones não baixa sequer um app por mês

Por Redação | 26 de Agosto de 2014 às 11h55

Desde que a Apple lançou a App Store em 2008, os apps passaram a ocupar uma posição de destaque no dia a dia não só dos usuários de dispositivos móveis, como também para as empresas que decidiram se aventurar no segmento. Atualmente, os pequenos softwares são responsáveis por 52% de todo o tempo gasto pelos usuários consumindo mídia digital nos Estados Unidos e, segundo a Apple, mais de 75 bilhões de downloads foram feitos somente na App Store desde seu lançamento.

Embora o cenário seja animador e encoraje qualquer pessoa a desenvolver seu próprio app, a realidade é outra bem diferente. De acordo com um relatório divulgado pela comScore na última quinta-feira (21), mais da metade (65%) dos usuários mobile não baixa sequer um app por mês.

Do total de pessoas consultadas, somente um terço delas admitiu baixar pelo menos um aplicativo por mês. Além disso, a pesquisa revelou que somente 7% dos usuários de dispositivos móveis são responsáveis por "aproximadamente metade de todos os downloads feitos todos os meses".

De acordo com o levantamento feito pela comScore, 65,5% dos norte-americanos não baixa sequer um app por mês nos seus dispositivos móveis.

De acordo com o levantamento feito pela comScore, 65,5% dos norte-americanos não baixam sequer um app por mês nos seus dispositivos móveis (Imagem: Reprodução/Quartz)

Uma análise precipitada pode fazer com que acreditemos que os apps vêm perdendo sua importância e espaço no segmento, mas isso não é verdade. Mais da metade dos norte-americanos entrevistados afirmaram que abrem pelo menos um app todos os dias. O fenômeno também não está nem de longe associado ao preço cobrado pelos softwares, já que a grande maioria deles é gratuita e muitos outros custam menos que US$ 1.

Para o portal Quartz, uma das possíveis explicações é que as pessoas simplesmente não precisam de tantos apps assim para satisfazer suas necessidades básicas diárias. Essa hipótese é respaldada pelo dado da comScore que diz que 42% de todo o tempo gasto pelos usuários de smartphones se concentra basicamente em um único aplicativo.

Além disso, as pessoas estão cada vez mais se satisfazendo com apps de companhias maduras e já estabelecidas no mercado em detrimento de novos apps ou de startups que aparecem do nada prometendo mundos e fundos nas lojas virtuais. Essa é uma outra hipótese que pode se sustentar por si só se observarmos o ranking dos 25 apps mais usados no mundo, que traz produtos de companhias como Facebook, Google, Pandroa e Yahoo!.

Por fim, a última hipótese é que as pessoas simplesmente não estão achando nada interessante para baixar e acabam se rendendo ao marasmo. Esta inércia, no entanto, não está associada nem de longe à falta de novidades nos apps, ou a incompetência dos desenvolvedores, mas sim à ineficiência das lojas virtuais que não fornecem mecanismos suficientes para ajudar os usuários a encontrar novos aplicativos.

A própria Apple foi e vem sendo criticada pelo sistema de buscas da App Store que não é eficiente, e acaba limitando os resultados de busca e favorecendo essencialmente os aplicativos mais populares. Tal problema acaba dificultando o emplacamento de apps que trazem consigo boas ideias. Barrados pelos apps das grandes companhias, essas alternativas acabam relegadas ao ostracismo e sumindo das lojas virtuais.

Sobre o assunto, há algum tempo tanto a Apple quanto o Google prometeram solucionar o problema e melhorar a curadoria de novos apps oferecendo-lhes mais espaço nas vitrines das lojas virtuais. Contudo, até agora, poucas ações efetivas foram feitas e praticamente nada mudou. Certamente, quando o cerco apertar e a ineficiência começar a doer no bolso das empresas, elas finalmente terão uma resposta rápida para fazer com que o segmento se reanime e volte a ser tão interessante quanto foi há alguns anos.

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