Os aplicativos de automonitoramento e os riscos de exposição da privacidade

Por André Carraretto | 15 de Agosto de 2014 às 11h55

Diariamente, milhares de pessoas utilizam soluções e dispositivos de automonitoramento para registrar suas ações cotidianas. Esta prática, conhecida como Quantified Self, cada vez mais se torna popular devido ao crescente número de aplicativos gratuitos e de novos aparelhos voltados para a atividade, como smart watches, pulseiras e roupas inteligentes.

Entretanto, esse hábito de registrar e compartilhar detalhes da vida com amigos e familiares pode expor dados importantes e sigilosos, como endereços, fotos, e-mails e até mesmo a exata localização em que determinada pessoa está ou mora. De acordo com uma pesquisa realizada pela Symantec, com cerca de US$75 e um pouco de conhecimento em TI/eletrônica, cibercriminosos podem construir simples aparelhos de rastreamento via Bluetooth e identificar os dispositivos de Quantified Self – aqueles que monitoram atividades dos indivíduos – presentes em uma área, o que leva a riscos ainda maiores relacionados à segurança física.

Outro fator a ser considerado é que grande parte dos fabricantes destes dispositivos/aplicativos ainda não se preocupam com as implicações que estes produtos de automonitoramento trazem. Cerca de 50% desses aplicativos não contam com uma política de privacidade, fundamental para que o consumidor saiba como as empresas lidam com as informações armazenadas em seus servidores.

Além disso, um a cada cinco aparelhos de monitoramento transmitem os dados adquiridos sem criptografia. Isso significa que as informações armazenadas nos dispositivos podem levar a roubos de identidade, análise de perfil, perseguição e até mesmo extorsão.

Assim, apesar de todos esses riscos à segurança, o uso de aparelhos de Quantified Self está evoluindo rapidamente e deve continuar crescendo nos próximos anos. De acordo com a ABI Research, este mercado vai atingir cerca de 485 milhões de dispositivos até 2018 . E, por isso, devemos evitar e reduzir a exposição de nossos dados para mantermos nossa privacidade e, pelo menos, tentar entender quais os caminhos que as nossas informações podem percorrer no imenso território da Internet. Por isso, gostaria de oferecer as seguintes dicas de segurança:

  • Use um bloqueio de tela e/ou senha fortes para evitar o acesso não-autorizado a seu aparelho;
  • Não reutilize o mesmo nome de usuário e a mesma senha em sites diferentes;
  • Desative o Bluetooth quando não for necessário;
  • Tome cuidado com sites e serviços que solicitam informações desnecessárias ou excessivas;
  • Verifique se os aplicativos e serviços possuem uma política de privacidade, antes de utilizá-los
  • Utilize uma solução de segurança e uma criptografia completa no aparelho
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