Novos sistemas para smartphones podem desafiar Android e iOS no MWC 2014

Por Redação | 21.02.2014 às 16:57 - atualizado em 21.02.2014 às 18:38

Os mais recentes sistemas operacionais para smartphones que podem vir a reduzir o domínio do Android e iOS estão prestes a ser apresentados na Mobile World Congress 2014, em Barcelona. Segundo reportagem do PC World, Mozilla, Canonical e Jolla tem como alvo direto o Android, mas, de acordo com analistas, o Tizen, apoiado pela Intel e Samsung, ainda enfrenta um futuro mais incerto.

No ano passado, os telefones foram apresentados rodando todos os quatro sistemas operacionais. Desde então, os primeiros aparelhos com Firefox OS, da Mozilla, e o Sailfish, da empresa finlandesa Jolla, já chegaram ao mercado, enquanto o Ubuntu, da Canonical, e o Tizen sofreram com atrasos. O Firefox OS foi o mais bem sucedido, mas, de acordo com a IDC, apenas cerca de 390 mil telefones saíram das fábricas com o sistema. A expectativa da empresa analista de mercado é que esse valor salte para 2,5 milhões este ano, o que levaria o Firefox OS a uma quota de 0,2% do mercado de smartphones.

Para o sistema da Mozilla se tornar um sério competidor aos gigantes, ele vai precisar de mais reconhecimento da marca, apoio de mais operadoras, assim como melhorar o hardware e software – que é justamente os aprimoramentos aguardados para o evento. A ZTE também anunciou que vai lançar um smartphone com Firefox OS, o Open C, durante a feira deste ano. “Eu acredito que o Firefox poderia ter uma chance, porque a Mozilla tem sido consistente em sua estratégia de desenvolvimento de produtos para o segmento de nível de entrada, onde ainda há oportunidades. Não é tão lotado como o high-end”, afirma Malik Saadi, diretor da ABI Research.

O Tizen OS, por outro lado, não progrediu muito com as operadoras desde o ano passado. Algumas delas, inclusive, chegaram a recuar do projeto, como foi o caso da Orange e da NTT DoCoMo. Enquanto o Tizen está funcionando muito bem em smartphones de nível comercial, o ecossistema de aplicativos e serviços ainda não é forte o suficiente para que a Orange lance um dispositivo, segundo um porta-voz da empresa anunciou no início do mês.

Já a Samsung não quis comentar se ela terá um smartphone com a nova plataforma em exposição na Mobile World Congress. “Parece que houve um aquecimento da relação entre Google e a Samsung com o plano do Google de alienar a divisão de celulares da Motorola e do acordo de patentes recente. Então eu acho que o Tizen vai terá dificuldades para avançar como plataforma”, avalia Ben Wood, diretor de pesquisa da CCS Insight.

Firefox Phone 2

Um rumor recente é que a Samsung planeja usar o Tizen em um futuro modelo do Galaxy Gear, relógio inteligente da companhia. Isso pode fazer mais sentido do que usá-lo na plataforma em smartphones, porque a concorrência não é tão acirrada como é nos smartphones.

“Seria uma forma interessante de manter o Tizen vivo. O Android é incrivelmente voraz em termos de consumo de memória e de bateria. Portanto, um sistema operacional mais eficiente pode ter apelo aos fabricantes, pois eles podem reduzir a lista de materiais e se voltar a uma das grandes deficiências dos dispositivos vestíveis, que é a vida da bateria”, diz Wood.

Esta semana, o Ubuntu e o Sailfish, ambos recém-chegados na corrida dos sistemas operacionais móveis, deram alguns passos adiante. O Jolla disse que a primeira versão de seu sistema operacional está pronta e a Canonical anunciou que a empresa espanhola BQ e a Meizu, da China, vão finalmente lançar os primeiros Ubuntu Phones ainda este ano. O objetivo da Canonical é fazer com que seu sistema seja o terceiro maior, ultrapassando o Windows Phone e o BlackBerry.

Para isso, contudo, a empresa teria que vender 9 milhões de unidades por trimestre. E, se o Windows Phone continuar a crescer na mesma proporção, a Canonical teria que atingir a marca de 13 milhões de unidades no quarto trimestre do próximo ano. As primeiras versões dos produtos da BQ e Meizu, com o Ubuntu, vão estar em exibição na Mobile World Congress.

A Jolla começou a vender seu primeiro smartphone com Sailfish no ano passado. Os dispositivos saíram com uma versão beta do sistema operacional, cuja versão completa ficou disponível esta semana. A empresa acredita que agora oferece uma opção realmente viável a todos os usuários de smartphones, de acordo com o diretor de operações e co-fundador da empresa, Marc Dillon.

A vantagem da Canonical e da Jolla é que ainda são empresas relativamente pequenas, com baixos custos operacionais, e, ao contrário de gigantes como Samsung e Apple, não precisam vender dezenas de milhões de unidades para poder lucrar. “Este é um mercado com mais de um bilhão de unidades vendidas no ano passado, e para eles a venda de alguns milhões de unidades por trimestre seria um sucesso estrondoso. Mas eu não acho que nenhum deles se encontra em posição para ser o próximo grande sistema operacional”, concluiu Wood.