Novo método de impressão 3D cria objetos até 100 vezes mais rápido

Por Redação | 20 de Março de 2015 às 08h30
photo_camera Divulgação

As impressoras 3D estão no mercado há alguns anos e agora começam a chegar aos lares de usuários comuns por estarem mais baratas e, consequentemente, mais acessíveis. O problema é que esses dispositivos ainda levam horas para produzir um único objeto, que muitas vezes não fica com o acabamento desejado. Mas, no que depender da empresa Carbon3D, isso está para mudar com um novo método revolucionário.

Trata-se de uma novidade baseada no filme "O Exterminador do Futuro 2", em que o robô vilão T-1000 "nasce" de uma poça de metal líquido. É justamente essa a proposta da companhia: projetar um objeto 3D a partir de um recipiente cheio de resina plástica. Além do método se diferenciar do processo de outras impressoras, que utilizam a sobreposição de camadas, a técnica garante que as peças tenham uma qualidade de finalização muito superior e sejam criadas até cem vezes mais rápido.

A impressão 3D atual consiste em um mecanismo que faz com que o plástico seja expelido por um bico, responsável por formar as camadas do objeto. A prática é bastante lenta e tem pequenas interrupções, que aumentam ainda mais o tempo de fabricação das peças. Com a nova tecnologia da Carbon3D, batizada de CLIP (sigla para Produção de Interface de Líquido Contínuo, na tradução livre), os objetos emergem da própria matéria-prima, em um processo contínuo, sem pausas.

O funcionamento da tecnologia consiste em dois fenômenos. No primeiro, raios de luz passam por uma pequena abertura permeável ao oxigênio, que por sua vez projeta esses raios de luz em um recipiente com resina líquida. A partir daí, começa a segunda parte do processo, quando a luz e o oxigênio controlam a solidificação da resina e fazem com que o objeto "cresça" sem interrupções.

De acordo com a Carbon3D, essa abertura é o grande segredo do sistema, pois, ao controlar cuidadosamente a luz e o fluxo de oxigênio, o mecanismo é capaz de criar uma fina camada de resina não solidificada entre a abertura e o objeto que está sendo fabricado. Isso não só garante mais qualidade à peça, como também agiliza sua produção. Para se ter uma ideia, a tecnologia permite imprimir um objeto de 51 milímetros de diâmetro, com detalhes, em apenas 6 minutos e meio. O mesmo objeto leva 3 horas para ficar pronto no modelo mais avançado de impressão 3D atual, da Polyjet, que ainda utiliza o método de sobreposição de camadas.

"Não seria impossível, nos próximos anos, possibilitarmos que endopróteses coronárias, implantes dentais ou outras próteses sejam impressas em 3D sob demanda em um ambiente médico”, disse Joseph DeSimone, CEO da Carbon3D e professor de química na Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, em um comunicado. A companhia foi fundada em 2013 e recebeu recentemente um aporte de US$ 41 milhões de investidores.

Ainda não há previsão de quando a tecnologia será disponibilizada no mercado. A próxima edição da revista Science vai publicar uma pesquisa com os avanços da técnica.

Fonte: Carbon 3D e Science

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