Lyft acusa o Uber de pedir mais de 5000 corridas e cancelá-las em seguida

Por Redação | 12 de Agosto de 2014 às 14h50

Não são só as empresas tradicionais de táxis e transportes privados que estão incomodadas com a ascensão dos aplicativos de chamadas de carros particulares. A competição ferrenha e não muito saudável parece estar acontecendo também entre as companhias do setor, com o Lyft acusando o Uber de criar chamadas falsas em seus serviços com o intuito de atrapalhar os negócios.

De acordo com as informações publicadas pela CNN, a empresa de aluguel de carros privados atribuiu à rival a realização de mais de cinco mil chamadas falsas, que eram canceladas logo depois. A concorrência nada sadia seria uma operação consistente do Uber, que teria mais de 170 funcionários em diversas cidades dos Estados Unidos dedicando parte do seu tempo de trabalho apenas para realizar pedidos do tipo.

Segundo o Lyft, quando os chamados não são cancelados, eles geralmente consistem em pequenos trechos, que geram tarifas pequenas e pouco atrativas, mas atrapalham bastante no andamento dos serviços e na pontualidade para coletar outros passageiros. A empresa chegou a tais números comparando telefones de funcionários do Uber com o banco de dados próprio, analisando os usuários que mais cancelam corridas.

A operação da concorrente estaria acontecendo desde outubro do ano passado e envolveria diversas contas diferentes. Uma delas, por exemplo, teria solicitado e cancelado mais de 300 veículos em um período de menos de 60 dias e teria o seu número de telefone associado a outras 21 contas, responsáveis, no total, por mais de 1,5 mil corridas canceladas. Os funcionários, claro, utilizariam nomes falsos na hora de criar seus perfis, de forma a esconder a própria identidade.

De acordo com a empresa, o objetivo aqui é claro: congestionar os sistemas do Lyft e aumentar os tempos de espera dos passageiros que realmente precisam de carros. Assim, afirma a companhia, as soluções de concorrentes – como o próprio Uber – passam a parecer mais vantajosas e ganham a preferência dos usuários, por mais que sejam mais caras. Desnecessário dizer que se trata de uma prática desleal, como taxou o porta-voz da companhia.

De acordo com a CNN, essa não é a primeira vez que o Uber é acusado de algo assim. No início do ano, a empresa foi associada a mais de cinco mil chamados cancelados no aplicativo de táxis Gett, sendo 100 delas realizadas em apenas três dias e só na cidade de Nova York. Sem admitir participação no esquema, a empresa apenas afirmou que seria mais cautelosa com suas estratégias de negócios no futuro.

Agora, a companhia não respondeu às acusações do Lyft. Porém, lembrou que a plataforma do Uber também está aberta a motoristas empreendedores, que podem criar uma rede de amigos que também trabalham nas opções de transporte. Eles recebem por corrida e, portanto, podem estar por trás das corridas canceladas no rival, de forma a privilegiar a utilização dos veículos de sua network.

Em outro caso relacionado à quebra de concorrência, quando o Lyft chegou a Nova York, o Uber teria enviado mensagens à toda sua rede de colaboradores informando a eles que todos estavam proibidos de trabalhar para duas empresas simultaneamente. Após envolvimento da comissão municipal de transportes, porém, a empresa negou o envio dos comunicados e disse que a possibilidade de dirigir para mais de uma companhia é parte integrante de sua lista de regras.

Seja como for, trata-se de mais um capítulo de uma disputa ferrenha que cada vez mais leva os preços das corridas para baixo. Recentemente, tanto o Uber quanto o Lyft anunciaram o lançamento de serviços de compartilhamento de carros, que barateará ainda mais os custos de passageiros que compartilham o mesmo trecho e, agora, poderão dividir o mesmo veículo.

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