IBM quer usar tecnologia das Bitcoins para a Internet das Coisas

Por Redação | 09 de Setembro de 2014 às 17h55

A Internet das Coisas chegou para ficar, mas ainda enfrenta uma série de problemas, principalmente relacionados à proteção dos dispositivos caseiros conectados a uma rede sem fio. Para muita gente, é uma dificuldade que pode acabar colocando muitos obstáculos à frente de uma adesão maciça da tecnologia, e é um desafio que, para a IBM, tem como resposta o Adept.

O sistema proposto pela marca pode ser descrito como uma mistura entre a tecnologia BitTorrent, para troca de arquivos diretamente entre dispositivos, com a arquitetura Block Chain usada, principalmente, nos sistemas de verificação de Bitcoins. Tudo isso, unido a um protocolo mais seguro de troca de informações, é a proposta da IBM para uma Internet das Coisas mais segura e conectada. As informações são do GigaOm.

O funcionamento é um tanto quanto complexo. Basicamente, o Block Chain é um sistema de rastreamento das trocas de dados entre diversos elementos, sejam eles usuários, sistemas conectados, dispositivos e tudo mais. A proposta é que todos os envolvidos nesse processo tenham acesso às permissões e informações de acordo com um controle central, que pode ser feito de forma automática ou pelo próprio usuário, como é a ideia por trás do Adept.

Assim, um termostato, por exemplo, armazenaria em si mesmo todas as informações sobre os usuários que podem utilizá-lo, sem a necessidade de comunicação com a nuvem. O mesmo vale para os smartphones e tablets do dono da casa, que também poderia autorizar manualmente novos indivíduos para utilizarem o sistema. A alteração seria baixada automaticamente em todos os aparelhos envolvidos no sistema e não exigiria uma conexão constante com a nuvem para funcionamento.

É aqui que entra também a tecnologia do BitTorrent já que, mesmo com a conexão a um servidor central, os aparelhos também poderiam trocar informações uns com os outros. Tudo isso aconteceria em uma arquitetura segura e protegida, pelo menos na teoria, e de forma a garantir que a rede só pudesse ser acessada por aparelhos autorizados e reconhecidos por todos.

Há, porém, uma questão importante. Segundo a IBM, o Adept não funciona em dispositivos com processadores de 8-bit, comuns entre os aparelhos de baixo preço. Por outro lado, a empresa acredita que esse tipo de arquitetura não deve estar disponível por muito tempo e, assim como no caso de praticamente todo produto tecnológico, ganhar novas e mais arrojadas versões, com componentes de poder maior sem que o preço necessariamente suba na mesma proporção.

Direto ao ponto

Para Paul Brody, diretor de mobile e internet da IBM, basear todos os dispositivos da Internet das Coisas é uma ideia pouco prática. Uma lavadora de roupas, por exemplo, não precisa de toda uma arquitetura online apenas para ser controlada à distância, assim como luzes, fornos e qualquer outro aparelho doméstico desse tipo.

O Adept vai justamente na contramão disso e apresenta uma alternativa simples e de fácil manutenção, que não exige o cuidado constante com servidores e infraestrutura para suportar eletrodomésticos. As redes deixam de ser globais e passam a ser locais, o que acaba caindo bem aos olhos de defensores da privacidade e usuários preocupados com a integridade dos próprios dados.

É sobre esse segundo aspecto que Brody lança um olhar cético. Para ele, o volume de informações fornecidas por dispositivos da Internet das Coisas é pequeno e básico demais para constituir algo de valor para publicidade direcionada ou outros fins. Assim, é um modelo de negócios que não vai se sustentar no longo prazo, e o ideal é que as empresas percebam isso antes que seus clientes comecem a comprar dispositivos e acabem com um elefante branco nas mãos.

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