Entrevista: AMD e seus três anos de mercado de APUs

Por Pedro Cipoli | 14 de Março de 2013 às 14h19

Conversamos com Roberto Brandão, diretor técnico da AMD na America Latina sobre os três anos de mercado dos processadores acelerados da empresa (APU - Accelerated Processing Unit). Unindo dois ou mais cores a uma placa gráfica da série Radeon HD, as APUs foram as responsáveis por alavancar a participação em vendas da empresa no varejo de menos de 10% para 25 a 30%, dependendo do segmento.

"A demanda atual é muito maior por processamento gráfico do que antigamente. Com os smartphones e tablets, todos se tornaram geradores de conteúdo e querem uma máquina que não desaponte na hora de trabalhar com imagens e vídeos, ponto forte das APUs", diz Brandão. Não faz muito tempo, usuários que quisessem trabalhar com qualquer tipo de aplicação gráfica precisavam necessariamente adquirir um placa de vídeo externa, mas hoje a diferença de processamento de uma APU e uma placa de vídeo de entrada, como a Radeon HD 7450, é muito pequena.

AMD

Embora ainda não sejam capazes de competir com as gerações mais avançadas de placas de vídeo, as APUs conseguem suprir a demanda de usuários que querem assistir a filmes em alta definição, trabalhar com imagens, vídeos de forma amadora e até alguns jogos menos exigentes, sem custar muito. "A segunda geração de APUs (conhecida como Trinity) teve bastante sucesso, em especial em notebooks, por ser capaz de entregar um alto nível de performance gráfica sem sacrificar a bateria, e a próxima geração (codinome Richland) vai reforçar esse cenário", completa Brandão.

Essa terceira geração, prevista para desembarcar no Brasil no segundo semestre deste ano, será composta inicialmente por modelos móveis de 2 a 4 cores de processamento, uma GPU AMD série 8000 (utilizando a tecnologia Graphics Core Next 2) e TDPs de 35 watts (em modo turbo). "O ganho é de cerca de 15% em processamento e 30% em performance gráfica em relação à geração anterior, trazendo um nível de integração entre os dois muito maior do que as séries anteriores", nos conta Roberto.

Plataforma Richland - AMD

Aproveitamos a conversa para tirar algumas dúvidas em relação a essa nova geração. Veja abaixo:

Canaltech: Como as APUs dividem a memória do sistema com o processador? Por que a AMD não implementa 3 ou 4 canais de memória para melhorar o desempenho, como a Intel faz?

Roberto Brandão: Implementar mais canais de memória aumentaria muito o custo do chipset para o consumidor final e não alcançaria a performance de uma placa dedicada.

CT: Por que a nova geração de APUs não traz um cache L3 (bastante utilizado para melhorar a performance das placas de vídeo onboard da Intel)?

RB: O cache L3 aumentaria muito o tamanho do die (envelope de silício) e também os custos de produção. Optamos por melhorar a performance do cache L2 e realizar otimizações no driver (Catalyst Control Center) de forma que os aplicativos não sofram perda de desempenho.

CT: E essa abordagem de fazer otimizações via software, ela está funcionando?

RB: A AMD tem feito um grande trabalho para que o software seja otimizado para rodar em GPUs, que são capazes de lidar com um nível de processamento muito maior seguindo os conceitos da HSA Foundation de processamento unificado.

Nota: A HSA é uma fundação que tem como membros a AMD, ARM, Imagination Technologies e outras empresas. Ela possui como um dos objetivos principais otimizar o software, que consegue "escolher" se o processamento será melhor executado na CPU ou GPU, aumentando a eficiência de ambos e diminuindo o consumo de energia.

CT: Com TDPs de 35 watts, a plataforma Richland possui uma boa eficiência energética para notebooks, mas ainda assim é um valor bastante alto para ultrafinos, que possuem TDPs de cerca de 17 watts. Vocês planejam criar versões específicas para esse mercado?

RB: A plataforma Richland foi projetada para quem quer um notebook que tenha um bom desempenho gráfico sem prejudicar a autonomia da bateria, então, a princípio, não. Há planos para modelos que consomem de 10 a 15 watts para atender esse mercado, mas não nos primeiros modelos.

AMD

Segundo a assessoria de imprensa da AMD, a empresa espera aumentar em 50% o seu faturamento em 2013 (comparado a 2010) focando na demanda de APUs. Quando chegarem ao Brasil, teremos a oportunidade de conferir as informações acima através de uma série de testes, e os primeiros modelos lançados serão especificamente para notebooks. Assim, poderemos verificar tanto o real desempenho dessa nova geração comparada às anteriores quanto a duração de bateria.

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