Entrevista: Qualcomm, a nova rainha do mundo dos processadores (parte 2)

Por Pedro Cipoli | 29 de Julho de 2013 às 12h03

Na primeira parte de nossa entrevista exclusiva com a Qualcomm, conversamos sobre a posição da empresa no mercado atual por focar no "sempre móvel" e começamos a explorar as famílias de processadores desenhados por eles, em especial o Krait – que está presente nos melhores smartphones da atualidade, do Galaxy S4 e HTC One até o Lumia 920 e Blackberry Z10. Nesta segunda parte, vamos conhecer os diferenciais desse modelo nas palavras de Helio Oyama, diretor de marketing de produtos da Qualcomm.

Canaltech: Qual é a diferença entre o Krait da Qualcomm e os SoCs convencionais?

Helio Oyama: No caso do Snapdragon de quatro núcleos, os modelos Krait trabalham com níveis de tensão e processamento independentes de forma que o processador possa trabalhar no ponto ótimo ativando somente os núcleos que serão utilizados e deixando os outros com um consumo mínimo de energia. No caso de outros processadores, um aplicativo que precise de somente um núcleo funcionando em sua potência total, consumirá a mesma energia de outro que estiver usando os quatro núcleos.

Qualcomm

CT: Algumas empresas utilizam uma abordagem híbrida, ou seja, dois tipos de cores diferentes. O que você acha disso?

HO: O Exynos 5 octa, por exemplo, utiliza a abordagem big.LITTLE com quatro núcleos Cortex-A15 para desempenho (e um consumo altíssimo de bateria) e quatro núcleos de baixo consumo de energia (e baixo desempenho) baseados no Cortex-A7. Como esses processadores não possuem a capacidade de processamento assíncrono (com núcleos funcionando a velocidades diferentes) que utilizamos na família Scorpion e Krait, as empresas que o fabricam optam pela engenharia de troca de processador dependendo da necessidade de processamento.

CT: E isso garante uma autonomia maior, correto?

HO: Em nossos testes de bateria, vimos o que acontece na prática de forma muito interessante. Quando os concorrentes dizem que os seus processadores funcionam a 1,5 GHz está correto? Sim, mas um ponto ainda mais importante é: funciona a 1,5 GHz por quanto tempo? É aí que entra o diferencial dos nossos modelos. No caso dos concorrentes, a curva de temperatura começa a subir muito rápido e o controle de energia não deixa passar de uma certa temperatura (cerca de 70 graus) para não ter o risco de queimar. No caso do Krait, ele consegue ficar a 1,5 GHz sem pausas porque a curva de temperatura é muito mais suave. Isso acontece porque existe um conjunto de modificações indo desde a integração maior de componentes e arquitetura mais avançada até a otimização de programas que fazemos continuamente. Por isso conseguimos manter a velocidade máxima sem problemas.

Por isso também temos excelentes resultados em benchmarks de bateria, algo que podemos ver de forma mais intuitiva com o "teste da manteiga". [ele faz uma referência ao famoso teste que foi postado há algum tempo no Youtube e mostra de forma bem elucidativa o calor gerado por um smartphone com alta carga de processamento. Confira no vídeo abaixo].

CT: Quando você diz alterar as tensões dos núcleos, isso também traz um benefício adicional de o processador esquentar menos. Você pode comentar algo sobre o tema?

HO: Tanto no vídeo quanto nos testes podemos ver a importância de um processador móvel não passar de 45º. Por que 45º? Porque a partir dessa temperatura o usuário começa a ficar incomodado em segurar o smartphone. E tem um outro problema do processador esquentar demais. A médio e longo prazo a capacidade de carga da bateria vai diminuindo.

Qualcomm CES 2013

Com essa segunda parte conhecemos um pouco mais dos processadores que equipam os modelos mais top de linha da atualidade e batem records de benchmarks sem deixar de lado uma autonomia decente de bateria. Possui um smartphone com processador Qualcomm? Conte para nós o que acha nos comentários!

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