BenQ XL2720Z: 27 polegadas e 120 Hz voltado para jogos, e somente jogos

Por Pedro Cipoli
photo_camera BRUNO HYPOLITO / CANALTECH

A BenQ não é uma marca tão conhecida no segmento de monitores em geral, mas sim especificamente no segmento gamer, juntamente com outras empresas, como a Philips. É um caso parecido com marcas de PCs e notebooks voltados exclusivamente para jogadores, como acontece com a Razer, Avell e MSI, com produtos de nicho e, claro, com preços consideravelmente maiores do que marcas, digamos, "convencionais". Hoje vamos conhecer o XL2720Z um monitor de 27 polegadas e uma altíssima taxa de atualização de 120 fps (ou 120 Hz), desenvolvido exclusivamente para jogos.

Tela: excelente para jogos...e somente jogos

Quando dizemos "exclusivamente para jogos" não estamos dizendo que ele só serve para isso. Um PC gamer também pode ser utilizado para tarefas comuns de escritório, ainda que tenha sido projetado com outra função em mente, e esse é o caso do XL2720Z. Uma tela desse tamanho com resolução Full HD (1920x1080) é o que muitos usuários buscam na hora de atualizar um monitor, já que há espaço de sobra para que várias janelas fiquem abertas ao mesmo tempo, mas há um problema aqui.

Não é incomum alguns fabricantes focarem em taxas de atualização mais altas em detrimento à qualidade de imagem, e é mais ou menos isso que acontece aqui. Os níveis de preto são excelentes para jogos, em especial FPS (que inclusive possui uma pré-configuração de fábrica), o que combinado com os 144 Hz garante uma das melhores experiências do mercado para esse tipo de jogo. Tanto o brilho (300 cd/m2) quanto as taxas de contraste dinâmico (12.000.000:1) foram pensadas exclusivamente para jogos, mas não para o uso no dia a dia.

Na melhor das hipóteses, o painel tem a mesma qualidade de um monitor bem mais barato em tarefas comuns de desktop. A superioridade dos níveis de preto continua lá, mas a melhor expressão que pensamos para nos referir ao branco foi "leitoso", assim como o sharpness das letras, que lembram muito um monitor convencional no modo "filme", mesmo com o modo jogo desativado. Isso faz dele uma opção questionável para quem quer um monitor tudo-em-um para tarefas comuns e de quebra rodar um jogo ou outro.

Voltando aos jogos, o tempo de resposta da tela é 1 ms, mais um ponto especialmente interessante para quem joga títulos First Person Shooter, já que não há rastros de qualquer tipo, ou mesmo games de corrida. Das mesma forma que o Philips 288P6LJEB, modelo 4K, o painel é TFT e não IPS, mas isso não significa que ele tem ângulos de visão limitados. Apesar de grande, o usuário não perderá qualidade em diferentes posições.

Conectividade e ajustes

Por se tratar de um modelo de alto desempenho, é natural esperar uma série de conexões. De fato, temos o DisplayPort 1.2, duas conexões HDMI, uma dual-link DVI, uma VGA, 4 portas USB (duas do lado esquerdo, junto com a saída P2 para fones de ouvido) e uma entrada USB, todas no padrão 2.0. Vale lembrar que os 144 Hz só podem ser alcançados com as conexões HDMI, DisplayPort e dual-link DVI, mesmo que a resolução seja Full HD. Utilizar cabos single-link DVI ou mesmo VGA limitará a taxa de atualização para 60 Hz, tirando o principal recurso do XL2720Z.

As conexões são um pouco apertadas na parte de baixo, o que pode ser um problema para quem conectar vários cabos ao mesmo tempo, mas gostamos bastante dos ajustes de altura e angulação da tela. Afinal, já imaginou gastar uma nota na compra (sim, ele custa uma pequena fortuna) e ter que ajustar a tela com livros? Porém, sentimos bastante falta de um par de caixas de som, mesmo que simples. Ao utilizar HDMI ou DisplayPort, a máquina envia sinal tanto de vídeo quanto de áudio, o que seria mais interessante se ele não ficasse restrito à saída de fones de ouvido e pudesse escolher entre ele e a as caixas embutidas.

  • Peso: 6,5 kg
  • Consumo médio de energia: 24 watts

As configurações de imagem utilizam botões sensíveis ao toque do lado direito, e é possível configurar um bom nível de detalhes como qualquer monitor de boa qualidade. O diferencial aqui fica por conta de um switch de configuração que lembra muito um mouse, que torna os ajustes mais naturais e permite que o usuário crie 3 perfis dependendo do uso (como Game, Escritório e Filmes) que podem ser facilmente trocados entre si.

Design: agressivo e "retrô"

Olhar para o XL2720Z dá uma boa noção do seu foco. Algo como "Hey, certamente é um monitor de jogos", dica dada pela base, que tem um visual que foge um pouco do convencional, como também da mistura de preto e vermelho. O vermelho não tem uma identidade tão forte como a Razer faz com o verde (e não é incomum ver expressões como o "Verde-Razer"), mas mostra que ele não é um monitor convencional.

Porém, a tela é meio quadradona, ou mesmo sem-graça. Lembra muito os monitores de alto desempenho para edição de imagens e vídeos mais antigos de 2007-2008, que traziam um visual mais sério, e certamente parece um produto separado da base, com equipes de design trabalhando de forma isolada.

Afinal, vale a pena chegar nos 144 Hz?

Não poderíamos deixar de comentar sobre isso. Aqui entra aquele velho argumento que o olho humano enxerga somente 24 fps, em geral dito pelas mesmas pessoas que falam que telas de smartphones com mais de 300 ppp não fazem diferença. Se isso fosse verdade, seu BluRay não faria upscaling para 60 fps ou mesmo 120/144 fps se não fizesse diferença (e estamos sendo conservadores, já que alguns televisores já trabalham em 960 Hz). Ainda que "mais" não seja "melhor" em várias situações, há duas coisas a se considerar aqui.

A primeira delas é que o olho humano vê sim diferença em uma taxa de quadros maior. Basta rodar um filme de ação com cenas de explosões a 24 fps sem upscaling nem nada para literalmente "ver" os quadros em movimento. A segunda é que a taxa de quadros de jogos varia bastante, afinal são imagens geradas em tempo real pela placa de vídeo, e gamers altamente concentrados conseguem perceber mais de 60 fps mesmo em cenas mais movimentadas, já que a transição de um quadro para outro fica mais suave.

Conclusão

Mesmo considerando todos os recursos do XL2720Z, inclusive seus diferenciais especificamente voltados para gamers hardcore, achamos o preço médio de R$ 2500 um pouco fora da realidade. O motivo? Sim, ele é capaz de agradar quem está em busca de uma taxa de atualização maior, e sim, ele tem uma qualidade de imagens pensada para jogos. Mas isso não exclui o fato de que há monitores com mesma resolução na faixa dos R$ 400. Mais do que isso, há outras marcas com basicamente os mesmos recursos, como ASUS e Philips, a preços mais acessíveis, muitas vezes trazendo alguns recursos extras.

Mais do que isso, há monitores com as mesmas 27 polegadas e resolução Quad-HD, e estes também são mais acessíveis, assim como adquirir 4 monitores Full HD e rodar games em 4K. Não podemos tirar os méritos do XL2720Z, mas o preço é muito alto pelos recursos que ele oferece. Por último, vale a pena mencionar que ele suporta o recurso 3D Vision 2 da NVIDIA, e não mencionamos esse fato na análise pois não recebemos o kit de óculos para testes.

Ele é vendido separadamente e não o encontramos à venda por aqui. Apenas para termos uma ideia de preços, o XL2720Z custa cerca de US$ 500 no mercado norte-americano, então fazendo uma regra de três com os US$ 150 do 3D Vision 2 da NVIDIA, chegaríamos em um preço aproximado de R$ 750, o que faria a brincadeira sair R$ 3250 para quem se interessar pelo recurso.

Vantagens

  • Pensado para gamers
  • Taxa de atualização de 120 Hz
  • Ampla conectividade
  • Base ajustável
  • Contraste e níveis de preto
  • Bons ajustes de painel

Desvantagens

  • Preço muito alto pelo o que oferece
  • Tela convencional para tarefas do dia a dia, na melhor das hipóteses
  • Branco "leitoso" em uma série de situações
  • Não vem com o kit 3D Vision 2 da NVIDIA na embalagem