As lâmpadas que compramos vão mudar (para melhor)

Por Colaborador externo | 17 de Julho de 2014 às 16h35

Por Pedro Sega*

Lâmpada mais vendida do Brasil na atualidade, a incandescente de 60 W começa a se despedir do consumidor. Ela não pode mais ser fabricada no país desde o último dia 30 de junho, em mais uma etapa do banimento que tirará todas as incandescentes do nosso mercado até 2016, conforme a portaria interministerial nº 1007. O momento é histórico: seguindo uma tendência internacional, os brasileiros terão que se familiarizar a novas tecnologias, como as fluorescentes, halógenas e LEDs. As lâmpadas que compramos vão mudar (para melhor).

Primeiro é necessário entender por que as incandescentes estão sendo banidas. Desde o século XIX, foi dela o papel de levar energia às residências de todo o mundo, graças a cientistas geniais que perceberam a possibilidade de se produzir luz ao passar uma corrente elétrica por um filamento condutor. Não é exagero dizer que, por cerca de 150 anos, elas foram um dos maiores símbolos da modernidade e grandes aliadas do progresso humano. Porém, chegou a hora de se aposentar, pela baixa sustentabilidade dessas lâmpadas, que transformam aproximadamente 5% da energia em luz, enquanto 95% perde-se em forma de calor.

Uma nova era começa para a iluminação. O futuro é das fluorescentes, halógenas e do LED. Chegou o momento da transição, mas o brasileiro ainda pouco sabe sobre as características, vantagens e desvantagens de cada tipo de lâmpada. É importante conscientizar a população e enfatizar que não existe melhor e nem pior nessa comparação, a finalidade da aplicação definirá qual delas é a ideal para cada pessoa.

As fluorescentes largam na frente em popularidade. Desde o “apagão” de 2001 elas foram amplamente disseminadas no Brasil, no primeiro momento em que veio à tona a fragilidade do nosso setor elétrico e a necessidade de alterarmos certos hábitos. Na época, suas vantagens chamaram a atenção, como vida útil de 8 mil horas e uma eficiência de cerca de 80% em relação às incandescentes. Outra característica atraente dessa lâmpada é a variedade de modelos, com uma faixa de preço que vai de R$ 5 a R$ 80 nos dias de hoje.

Não surpreende que as fluorescentes tenham crescido tanto no Brasil ao longo dos anos, o que é benéfico em muitos aspectos. Porém, em uma questão crucial, ela fica atrás da halógena e do LED. Apesar da eficiência energética e maior vida útil comparada às incandescentes, o que significa redução de gastos e menor agressão ao meio ambiente, esse tipo de lâmpada utiliza mercúrio em sua composição, um metal tóxico.

Quase quinze anos após o apagão, com a preocupação crescente sobre sustentabilidade, outras tecnologias evoluíram a ponto de competir fortemente com as fluorescentes. Ainda não é comum que uma pessoa vá ao mercado procurando por lâmpadas halógenas ou LEDs, mas a tendência é que esses produtos se tornem cada vez mais presentes em nossas vidas cotidianas.

Também não é usual que se conheça o significado de IRC, sigla de índice de reprodução de cores, um importante conceito para especialistas em iluminação. Mas, mesmo que não se domine a fundo os detalhes técnicos, o consumidor deve saber que esse ponto é uma das grandes vantagens das lâmpadas halógenas: elas têm mais brilho.

Com um IRC acima de 80, as halógenas oferecem brilho semelhante ao das incandescentes, aquele amarelo aconchegante que o brasileiro está habituado, que conforta os ambientes da casa. Essa característica, combinada a uma economia de cerca de 30% de energia e um preço acessível (entre R$ 4 e R$ 8) fazem dessa lâmpada uma ótima opção.

Por fim, temos o LED, e por mais que esta tecnologia esteja cada vez mais difundida no mercado brasileiro, ainda possui um preço um pouco menos competitivo (de R$ 30 a R$ 60) quando comparado às incandescentes. Apesar disto, a tecnologia possui diversas vantagens que valem a pena no final das contas, oferece maior vida útil (até 25 mil horas) e cerca de 90% de economia de energia em relação às incandescentes. Vale ressaltar que, a longo prazo, esses números significam também menor gasto financeiro, já que a sua eficiência reduz o valor da conta de luz e a maior vida útil representa menos despesas com manutenção e reposição.

A questão é: o que você valoriza mais? Brilho? Preço? Eficiência? Vida útil? Com base nisso, cada consumidor pode realizar o melhor negócio para si. Seja qual for a escolha, com essas novas tecnologias a população e o país estão ganhando. Após tantos anos cumprindo nobremente sua função, as incandescentes abrem espaço para o futuro.

*Pedro Sega é Gerente de Produtos da OSRAM

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