Analistas afirmam que ainda não é o momento para tecnologias vestíveis

Por Redação | 13 de Janeiro de 2014 às 06h30
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Relógios inteligentes e pulseiras conectadas, que emitem notificações e permitem ouvir música, atender ligações ou ler SMS, estiveram presentes em peso durante a Consumer Electronics Show 2014. Para muitos especialistas que passaram pela feita e foram ouvidos pela Reuters, porém, as tecnologias vestíveis ainda parecem estar longe de cair de verdade no gosto do público.

A falta de propósito dos aparelhos foi um dos principais problemas apontados. Para Stacy Rasgon, analista de semicondutores da Bernstein, por exemplo, os wearables são praticamente todos iguais e trazem pouco destaque entre si, parecendo mais ideias experimentais do que produtos de verdade.

Até mesmo executivos envolvidos nesse segmento concordam que há pouca relevância nos equipamentos apresentados até agora. Para Mike Bell, um dos responsáveis pelo foco da Intel nos vestíveis, o importante é o que a tecnologia possibilita às pessoas, e não necessariamente o que ela é. Na visão dele, os gadgets precisam abrir novas possibilidades para os usuários.

Os wearables foram um dos principais destaques da presença da Intel durante a CES 2014. Entre os produtos da empresa apresentados no evento estão fones de ouvido que acompanham a frequência cardíaca e um relógio que funciona independentemente, sem a ajuda de um smartphone. Há também o Edison, um computador completo do tamanho de um cartão SD, que pode ser integrado a tecnologias do tipo.

Estudos também apontam que, apesar de interessados, os consumidores também não estão tão empolgados com os vestíveis. A Wakefield Research, por exemplo, revelou que 91% de seus entrevistados estão de olho nessa nova onda tecnológica, mas apenas 61% deles estão realmente dispostos a comprar aparelhos do tipo.

Velhas tendências de volta

Em uma coisa todos os especialistas concordam: se existe uma empresa capaz de transformar as tecnologias vestíveis em algo que caia de vez no gosto popular, essa empresa é a Apple. O histórico da companhia em apresentar soluções inovadoras pode se repetir aqui, caso a Maçã apresente seus próprios produtos equipados com iOS. O tal iWatch, inclusive, aparece na lista de rumores dos sites especializados há bastante tempo, mas nunca deu as caras oficialmente.

Além disso, como sempre acontece, os primeiros anos de existência de qualquer tecnologia consistem no lançamento de produtos fracos e até cheios de problemas. Para Carolina Milanesi, da Kantar Worldpanel, 2014 será baseado em tentativa e erro, com poucos produtos vestíveis bem-sucedidos.

O primeiro obstáculo para uma adoção em massa, porém, parece já ter sido identificado pelos fabricantes. Para a Qualcomm, por exemplo, o grande desafio é garantir que, ao contrário dos smartphones, os wearables tenham uma autonomia de pelo menos alguns dias, já que os consumidores não estariam dispostos a recarregá-los constantemente.

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