ASUS Taichi 31: um Ultrabook com duas telas, design sensacional e preço alto

Por Pedro Cipoli
photo_camera gvlinares

Para um determinado grupo de usuários, comprar um notebook/Ultrabook online não é a melhor opção. É necessário brincar um pouco com a máquina, navegar na internet, digitar um pouco no teclado..."sentir" o modelo, por assim dizer. Especificações passam a ser um fator secundário, pouco importando o processador ou quantidade de memória RAM que ele traz – o que importa é se o usuário gosta da máquina ou não.

O ASUS Taichi 31, versão maior do Taichi 21 que analisamos aqui há algum tempo, é voltado exatamente para esse público, trazendo o máximo em conforto e ergonomia e a característica única de trazer duas telas. Não é preciso mencionar que custo-benefício não é o foco aqui, certo? Mas já falaremos mais sobre isso.

Design

A ASUS tem um estilo padrão em seus modelos, raramente utilizando plástico nas versões mais avançadas. Isso não significa que todos os modelos mais caros sejam iguais, já que há uma diferença aqui e ali, geralmente dignas de nota, que fazem o Taichi 31 ser muito mais interessante do que um modelo mais básico. Ele é inteiramente construído em uma única peça de alumínio na base e região de teclado, ao estilo MacBook, que se mostrou bastante resistente.

Assim como o Taichi 21, a "tampa traseira" na verdade é uma tela sensível ao toque com resolução Full HD. A diferença fica por conta do tamanho, que é de 13,3 polegadas. O mesmo acontece com a tela principal, que também é de 13,3 polegadas com resolução Full HD. A qualidade? Bem acima da média, embora ambas sejam inferiores à tela do Avell G1310, contando inclusive com excelente ângulo de visão.

Quando mencionamos que o Taichi 31 tinha boa "ergonomia", tínhamos o teclado e touchpad em mente. Embora pareça absoluto demais, podemos dizer que o teclado do Taichi 31 é o melhor que vimos em um Ultrabook, pelo menos até o momento. As teclas são no estilo chiclete, com tamanho ideal e com excelente resposta ao toque. O touchpad não fica por menos: feito de vidro, se mostrou melhor até mesmo do que o famoso e desejado touchpad dos MacBooks.

Embora não seja tão fino quanto os Ultrabooks mais radicais, o Taichi 31 é fino o suficiente para precisar de adaptadores para as conexões mais comuns: HDMI, VGA e ethernet. Eles estão inclusos na embalagem, e são o preço a ser pago pelo visual mais sofisticado. As duas portas USB 3.0 não precisam de adaptadores, mas podem acabar limitando o usuário, especialmente se ele for utilizar uma conexão de rede cabeada, que utiliza uma delas. Assim como o Taichi 21, a alavanca liga/desliga é bastante frágil e aparenta quebrar com facilidade.

Configuração

Vamos lá: um processador Intel Core i5-3427U de terceira geração com dois núcleos rodando a 1,8 GHz (com Turbo Boost até 2,8 GHz, HyperThreading e 3 MB de cache L3), 4 GB de memória RAM DDR3 e gráficos Intel HD 4000, o que esperar? Uma máquina rápida para a maioria das tarefas, mas ainda longe de agradar aos usuários mais exigentes, ou mesmo capaz de fazer a relação custo-benefício do Taichi 31 fazer algum sentido, se olharmos somente a configuração.

Pelo preço cobrado, esperávamos pelo menos um Intel Core i7 e 8 GB, que seriam capazes de dar uma sobrevida maior ao Taichi conforme o Windows fica mais avançado. Pelo menos temos um SSD, que faz com que a inicialização e a abertura de programas fiquem bastante rápidas, mas este é de somente 128 GB e ficará cheio rapidamente. Novamente, um SSD de 256 GB faria com que o preço fizesse mais sentido.

A conclusão aqui é que realmente não vale a pena comprar o Taichi 31 pelas suas configurações. Não mesmo. De verdade (já deixamos claro o suficiente?). Quem está acostumado a maximizar cada GHz e GB possível na hora de escolher entre um modelo e outro sabe que existe uma faixa de preços na qual dobrar o investimento pode não trazer nenhuma performance extra. O Taichi 31 passa essa faixa em alguns milhares de reais.

Bateria, som e extras

Teoricamente, qualquer máquina vendida como Ultrabook deveria entregar no mínimo 5 horas de uso comum, mas sabemos que essa exigencia está longe de ser cumprida na maioria das vezes. O Taichi 31 cumpre essa promessa e conseguiu aguentar até 6,5 horas de uso comum, isso mesmo trocando de telas, assistindo a filmes e utilizando-o no modo tablet, valor que cai para cerca de 5,5 horas de uso hardcore, mas ainda assim uma marca bastante respeitável.

O driver de som é um Bang & Olufsen ICEpower, um dos melhores disponíveis por aí. Embora as caixas careçam de graves, pois não há um subwoofer integrado, a fidelidade de reprodução de áudio é impressionante, especialmente quando utilizamos fones de ouvido. Fabricantes estão começando a entender que usuários mais sofisticados (os que compram os Taichis da vida), dão muito valor à qualidade de áudio, e DAC (conversores analógicos digitais) de alto desempenho estão começando a se tornar comuns. O Bang & Olufsen ICEpower é um deles.

Conclusão

O preço sugerido do Taichi 31, e que parece um consenso entre as principais lojas que o vendem, afinal há pouquíssimas variações, é de R$ 6.999. Valor alto? É claro que sim! Quer dizer, para a grande maioria das pessoas, e, como dissemos, não tem nada a ver com o seu custo benefício, mas sim com o seu design único, de alta qualidade e com duas telas, sendo um dos melhores exemplos de híbridos com Windows 8 que temos por aí.

Na pior das hipóteses, ele é um modelo rápido para a maioria das tarefas, mas incompetente para qualquer tarefa mais profissional, como edição de vídeos, ou de rodar games mais sofisticados, em especial pelos gráficos integrados Intel HD 4000. Se você não liga para configuração e está atrás de um modelo único de excelente construção, e, claro, tem muito dinheiro para gastar, o Taichi 31 pode ser uma boa opção.

Vantagens

  • Excelente design;
  • Construção de altíssima qualidade;
  • Duas telas Full HD, uma delas sendo touchscreen;
  • Teclado e touchpad fantásticos;
  • Bateria com boa autonomia.

Desvantagens

  • Muito, mas muito caro pelo que oferece;
  • Configuração boa, mas longe de ser espetacular na sua faixa de preços;
  • Os gráficos Intel HD 4000 apanham para sustentar as duas telas em várias situações;
  • O botão Power aparenta ser frágil e pode quebrar com facilidade.