A aceleradora Latitud lançou na terça-feira (1º) o Latitud Go, uma tecnologia para facilitar e baratear os processos de abertura de empresas, captação de investimentos e operações de saída. Segundo o Neofeed, a ideia é ajudar os pequenos empreendedores a se ajustarem na burocracia e economizarem de forma lícita no pagamento de impostos. O serviço promete reduzir o custo a um quinto do que seria gasto.

A empresa foi criada pelo americano Brian Requarth, cofundador e ex-CEO da VivaReal, startup de classificados de imóveis que foi vendida para o OLX em 2020 por R$ 2,9 bilhões. O negócio atual surgiu dessa história. Na ocasião, Requarth diz que poderia ter deixado de gastar US$ 100 milhões, que saíram do bolso dele para arcar com multas de uma falha jurídica.

O Latitud Go reduz os custos jurídicos com escritórios de advocacia parceiros e um esquema offshore para o recolhimento de impostos com alíquotas mais baixas. A estrutura é dividida em três partes: uma holding intermediária em Delaware (EUA); outra no paraíso fiscal das Ilhas Cayman; e uma operação na América Latina.

Latitud Go busca facilitar e baratear os processos de abertura de empresas (Imagem: Reprodução/Christina@wocintechchat.com/Unsplash)

“Não estamos reinventando a roda. Todo esse processo já é conhecido, mas custa algo em torno de US$ 30 mil inicialmente. Conseguimos reduzir esse custo para algo próximo de US$ 6 mil com o uso de tecnologia”, afirmou Requarth ao Neofeed. Por enquanto, o serviço é voltado a empresas iniciantes. Foi testado em agosto e já tem 15 clientes.

Offshore é ilegal?

A lei brasileira permite que uma pessoa física seja dona de uma empresa offshore e não recolha impostos do nosso país, desde que ela não distribua lucro a seus sócios ou não traga dinheiro de volta ao Brasil. Outra exigência é que a empresa seja aberta com recursos devidamente declarados no imposto de renda brasileiro.

Apesar de não ser ilegal manter uma empresa offshore, o sigilo e as regras fiscais mais brandas são recursos que facilitam atividades ilícitas, como lavagem de dinheiro e a sonegação de impostos. Foi o caso da investigação jornalística chamada Pandora Papers, que analisou mais de 11 milhões de documentos do escritório de advocacia panamenho Mossack Fonseca, atualmente extinto - e que tinha como clientes o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.