Quando foi a última vez que você lavou sua roupa de cama? Os especialistas recomendam que se faça isso pelo menos uma vez por semana para evitar a proliferação de ácaros e bactérias. Mas como isso nem sempre é possível, cientistas desenvolveram um edredom autolimpante.

Testes feitos em laboratório mostram que, quando a roupa de cama não é lavada com frequência, ela pode acumular colônias de bactérias até 17 mil vezes maiores do que as encontradas em um assento de banheiro, por exemplo. Com a aplicação da tecnologia de prata natural termorreguladora desenvolvida pela NASA, os pesquisadores conseguiram reduzir essa quantidade drasticamente.

Edredom autolimpante elimina 99,9% dos microrganismos (Imagem: Reprodução/Miracle)

A ciência por trás do conforto

Nos edredons fabricados pela Miracle, as fibras são feitas com prata de verdade e atuam como uma espécie de escudo natural contra bactérias que se alimentam de células mortas, pele, suor e até de pelos de animais, impedindo o crescimento bacteriano em 99,9% — segundo a companhia. Além disso, o tecido tecnológico não causa alergias e é totalmente natural.

Os íons de prata empregados no produto possuem uma carga positiva que se conecta às bactérias como se fosse um imã. O tamanho minúsculo da nanoprata é essencial para que ela penetre na membrana celular e essas nanopartículas são capazes de invadir as células, destruindo o interior de microrganismos como vírus, bactérias e fungos.

Além de eliminar fungos e bactérias, o edredom permanece mais tempo limpo e livre de maus odores (Imagem: Reprodução/Miracle)

Não é só a NASA

Aqui no Brasil, as pesquisas não estão focadas em fronhas, lençóis e travesseiros, mas sim em roupas hospitalares que podem ser usadas para eliminar o coronavírus. Cientistas da USP e da UFSCar descobriram um tecido feito à base de poliéster, algodão e micropartículas de prata capaz de inativar fungos, bactérias e vírus.

A prata já é usada há séculos para evitar a contaminação por bactérias. Quando o átomo desse elemento entra em contato com o oxigênio, ocorre a oxidação que libera os íons positivos de prata. Essa reação química é capaz de impedir a reprodução e danificar o material genético dos microrganismos.

Micropartículas de prata deixam roupas usadas em hospitais livres do coronavírus (Imagem: Reprodução/Envato)

No estudo feito em parceria com a Universitat Jaume I, da Espanha, e com a empresa paulista Nanox, amostras do coronavírus foram coletadas no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Os vírus foram cultivados e colocados em contato com o tecido contendo as micropartículas de prata e o resultado foi surpreendente: em apenas dois minutos, 99,9% dos vírus SARS-Cov-2 foram eliminados.

“A quantidade de vírus que colocamos em contato com o tecido é muito superior à que uma máscara de proteção é exposta e, mesmo assim, o material foi capaz de eliminar o vírus com essa eficácia'', disse o professor da USP Lúcio Holanda Júnior.

Apoiada pelo Programa Fapesp Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe), a Nanox quer investigar agora a duração do efeito antiviral das micropartículas no tecido conforme ele é lavado. “Como o material apresenta essa propriedade bactericida mesmo após 30 lavagens, provavelmente mantém a atividade antiviral por esse mesmo tempo”, estima o diretor da empresa, Luiz Gustavo Pagotto Simões.

Além do tecido, a companhia também testa a capacidade de inativação do novo coronavírus pelas micropartículas de prata em outras substâncias. A ideia é expandir o uso para outros materiais como filtros de ar condicionado em ônibus e aviões, roupas comuns do nosso dia a dia e até mesmo no plástico utilizado na fabricação de máquinas de cartão de crédito, transformando essas superfícies em ambientes praticamente livres de contaminação.