Em meio à pandemia de COVID-19 que segue assolando a população, há uma questão muito delicada: a superlotação dos hospitais. No último domingo (29), uma reportagem do Fantástico apontou que a situação de muitos hospitais do país é de falta de vagas. No entanto, não mais por motivos que existiam no início da pandemia, como a falta de leitos ou respiradores. 

O que aconteceu é que, conforme o número de casos foi caindo, as equipes de saúde que cuidavam de pacientes com COVID-19 não tiveram contratos renovados: enfermarias e Unidades de terapia intensiva (UTIs) foram desativadas, e com o aumento no número de casos, lugares como o Rio de Janeiro não dão conta de atender os pacientes.

Com as UTIs lotadas, o Rio de Janeiro está mandando pacientes para o interior, mas ainda assim há mais de 200 pacientes graves esperando vaga. De acordo com a reportagem, a Secretaria de Saúde do Rio de Janeiro aponta uma lotação de UTIs em 81%. Isso num momento em que o número de contaminados se conta em dezenas de milhares ao dia e o ritmo de contágio está alto. Um estudo da Fiocruz indica que o risco é muito alto em todo o país.

Lotação de hospitais

Aumento no número de casos de COVID-19 gera superlotação em hospitais novamente (Imagem: Daan Stevens / Unsplash)

Enquanto isso, a cidade de São Paulo enfrenta uma alta de casos entre a população da classe média e hospitais privados registram um aumento de internações devido à COVID-19 no início de novembro. Os atendimentos por causa da infecção, na rede pública, estão estacionados. Entre os hospitais privados da cidade que registraram um aumento no número de internações devido ao coronavírus está o Hospital Sírio-Libanês. Em outubro, o número de pacientes internados era 80 e, agora, são 120. Além do Sírio-Libanês, o HCor e o Hospital São Camilo também registraram aumento, mas em menor grau.

Na segunda quinzena de novembro, a ferramenta Info Tracker, desenvolvida por pesquisadores da Unesp (Universidade Estadual Paulista) e da USP (Universidade de São Paulo) para o monitoramento da pandemia, apontou que o número de internações pela COVID-19 deve aumentar consideravelmente também em hospitais públicos do estado de São Paulo.

Os dados da ferramenta mostram que entre os dias 7 e 13 de novembro, as internações em hospitais municipais enfrentaram uma alta de 9%, pulando de 556 para 604, além de um crescimento de 50% de casos suspeitos de COVID-19, apontando para a aceleração dos números da pandemia.