Serviços do Google viram alternativa para compartilhamento de filmes piratas

Por Redação | 04 de Setembro de 2017 às 09h26

Você jamais esperaria encontrar um link para download de A Múmia, o mais recente filme do ator Tom Cruise, enquanto faz uma pesquisa no Google Maps. Mas é exatamente o que vem acontecendo no submundo da pirataria, com serviços da gigante e outras plataformas de compartilhamento começando a surgir como alternativas para o compartilhamento de links, na medida em que sites tradicionais de torrent sofrem com os ataques das autoridades de todo o mundo.

Esse crescimento de fontes inusitadas para esse tipo de coisa aparece no mais recente relatório do próprio Google relacionado ao DMCA, o ato americano que protege direitos autorais. São milhares de pedidos de retirada de conteúdo das buscas a partir da norma, e uma pequena, mas já expressiva, parte deles aconteceu dentro do próprio ecossistema da companhia.

"Labirinto" de links piratas começa no Docs e chega até o YouTube

Um desses métodos inusitados, por exemplo, envolve um intrincado labirinto de links, com um documento público no Drive levando usuários a vídeos não listados no YouTube, com os filmes completos. Os uploads estão ocultos das buscas tradicionais da plataforma e a ideia é permitir que os usuários façam o download dos longas diretamente – é claro, eles sempre podem assistir online, mas a ideia é que os arquivos serão removidos rapidamente do ar, na medida em que começarem a ganhar visualizações, tornando o site de vídeos um local temporário para o upload de arquivos.

Os links para tais documentos são compartilhados em grupos de discussão e sites de compartilhamento, podendo até cair nos algoritmos de busca e também na mira do DMCA, mas em menor grau que um link de torrent tradicional. O espaço de armazenamento disponível, a ausência de necessidade de contratação de servidores próprios e o fato de praticamente todo mundo ter uma conta do Google e saber usar tais serviços aumenta sua proliferação, por mais que os links tenham um prazo de validade curtíssimo.

Ferramenta de mapas personalizados também é usada como vetor para torrents

A alternativa mais inusitada de todas é o Google Mapas, que vem sendo usado como depósito de links. Por meio da função My Maps, que permite aos usuários criarem itinerários e marcar pontos de forma personalizada, piratas estão começando a catalogar links de torrent que aparecem nas buscas da plataforma. Como a empresa não modera o que os utilizadores escrevem ali, tais indicadores acabam sendo indexados e ficam disponíveis, mesmo que apenas por alguns dias, para todos que realizarem pesquisas relacionadas.

Plataformas como Dropbox, Vimeo, Dailymotion e Mega também aparecem na lista dos “novos” lugares para compartilhamento de links piratas, mas ainda sem a amplitude que os serviços do Google parecem estar ganhando. E quando se leva em conta que é o próprio mecanismo de busca um dos principais vetores para esse tipo de arquivo, fica claro que a gigante terá um grande problema nas mãos muito em breve.

As mudanças também podem apontar para uma alteração nas dinâmicas da pirataria. Como dito mais acima, é justamente a grande quantidade de acessos que acaba chamando a atenção para um determinado site – seja ele um vídeo no YouTube ou serviço. E quando se leva em conta que a soma das principais plataformas de torrent gera um tráfego de 500 milhões de usuários únicos por mês, dá para entender a busca por outras bases para colocação de links.

Na última semana, inclusive, comentou-se sobre a indisponibilidade de acesso a sites reconhecidos como o Pirate Bay e o ExtraTorrents, que pareciam estar sob ataques de negação de serviço sucessivos. Como quem tem experiência com internet sabe muito bem, golpes desse tipo não derrubam os bucaneiros, mas fazem com que eles busquem novas águas para serem navegadas, algo que, agora, parece estar acontecendo bem próximo do coração do “inimigo”.

Fonte: Gadgets 360

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