Quantidade de serviços de streaming está fazendo pirataria voltar a crescer

Por Felipe Demartini | 12 de Fevereiro de 2019 às 12h06

Um estudo da Sandvine, empresa especializada em monitoramento e análise de tráfego de rede, revelou um efeito provavelmente inesperado do crescimento da oferta de serviços de streaming: o retorno da pirataria. De acordo com os dados revelados nesta semana, a variedade de plataformas com suas produções originais e a divulgação de acordos de distribuição exclusiva foram responsáveis por reverter uma queda no uso de torrents que vinha acontecendo desde 2011.

Há sete anos, os serviços de download representavam 52% do total de dados trafegados na banda larga fixa em toda a América do Norte, um total que foi reduzido pela metade, para 26,8%, em 2015. Entretanto, agora, a tendência é de reversão, com um aumento de 6% nessa movimentação.

Nas Américas, essa é a segunda maior fonte de tráfego, atrás apenas dos serviços de streaming. No Europa, África, Oceania e Ásia os downloads ilegais jamais deixaram de liderar, chegando a serem responsáveis por até 32% de tudo o que passa pela internet.

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Para os especialistas da Sandvine, o motivo é claro. Um usuário costuma escolher um ou, no máximo, duas plataformas de streaming para pagar mensalmente (normalmente, dividindo esse total entre vídeo e música). Quando uma única série ou filme de seu agrado acaba sendo distribuída por uma plataforma rival, a ideia que mais vale a pena, do ponto de vista financeiro, não acaba sendo a realização de uma nova assinatura, mesmo que temporária, mas sim o retorno aos tempos menos práticos dos downloads ilegais.

Alguns títulos são citados como exemplos disso, e não é à toa que eles também aparecem constantemente nas listas de mais baixados mensalmente. Game of Thrones, da HBO; House of Cards, da Netflix; Jack Ryan, da Amazon; e The Handmaid’s Tale, da Hulu, são citados como motivadores de downloads via torrent por usuários de serviços concorrentes, uma vez que ter acesso a todos para assistir aos seriados de forma legítima pode sair bem caro.

A Sandvine também cita fatores internacionais e questões de licenciamento ainda mais complexas para o aumento dos downloads ilegais. Imagine que uma nova série comece a causar furor, mas é distribuída apenas em alguns países pela Netflix, mas não no nosso? Ou, então, é exclusiva de um serviço que não está disponível no Brasil? Mais uma vez, o download acaba sendo a escolha da vez para consumo do conteúdo, e mesmo que tal atração seja disponibilizada posteriormente, ela já foi assistida, então não há mais interesse em uma assinatura.

A briga, é claro, está longe de ser equilibrada. Mesmo com o aumento na pirataria, a empresa mostra em seus dados que a Netflix ainda é líder absoluta em utilização. Hoje, 58% de todo o tráfego registrado em redes domésticas é oriundo de serviços de streaming, com 15% desse total global sendo dominado apenas pela plataforma. Ainda assim, a recomendação do estudo é para que as empresas do ramo tomem cuidado.

Na visão da Sandvine, já ficou mais do que comprovado que a oferta de serviços baratos e de qualidade é a maior arma da indústria contra a pirataria, em vez de processos judiciais e ameaça. Ao mesmo tempo, a política agressiva de licenciamento e investimentos em produções originais vem causando uma segmentação que, no final das contas, pode se transformar em um tiro saindo pela culatra. Quase, diriam alguns, como nos já velhos tempos da televisão por assinatura.

Fonte: Motherboard

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