Pirataria no mercado musical caiu mais de 10% desde 2018

Por Felipe Demartini | 25 de Setembro de 2019 às 13h15

A pirataria no mercado musical está caindo, mas a associação que representa os interesses da indústrias fonográfica não parece ter motivos para comemorar ainda. Em seu novo relatório sobre hábitos dos consumidores, a IFPI revelou uma queda de mais de 10% no consumo de mídia por meios ilegais ou piratas, com esse total aparecendo abaixo da casa dos 30% pela primeira vez em décadas.

De acordo com os dados do relatório, 27% dos usuários utilizam métodos não licenciados para ouvirem música na internet. É bastante, sem dúvida, mas menos do que os 38% que afirmaram a mesma coisa na versão 2018 do estudo. O mesmo vale para os stream rippers, como são chamados pela organização os usuários que baixam músicas disponíveis nos serviços de streaming, seja para uso próprio ou compartilhamento. Hoje, eles são 23%, mas no ano passado, eram 32%.

Como aponta o site TorrentFreak, se trata de uma queda dramática, que mostra a mudança no mercado online na medida em que soluções mais convenientes, mesmo que pagas, vão se apresentando. O estudo mostra que, de cada 100 piratas da pesquisa do ano passado, 29 passaram a consumir música de forma legal, um número que deve continuar aumentando na medida em que serviços de streaming e soluções atreladas a operadoras de telefonia, pacotes de serviços ou aparelhos celulares vão se tornando mais populares.

Ainda assim, a IFPI cita a pirataria como um grande desafio para a indústria atual. O stream ripping, para a organização, continua sendo um dos principais problemas, mas a associação não comenta sobre a queda drástica em sua pesquisa anual, apenas afirmando que o mercado precisa permanecer vigilante e investir em soluções de segurança e controle para que as pessoas sejam incentivadas a consumir música legalmente e desestimuladas a fazer o contrário.

Outra comprovação de que o cenário está mudando vem no sumiço dos mecanismos de busca como o Google na lista dos principais métodos usados pelos adeptos da pirataria. Em 2016, por exemplo, esse método era usado por 66% deles, caindo para menos de 50% em 2018 e, agora, desaparecendo completamente do estudo. A remoção de resultados no Google e outros serviços era citada como uma boa forma de coibir o alcance dos serviços irregulares, mas agora, nem mesmo essa recomendação aparece no relatório.

No restante, o relatório também é repleto de boas notícias que, efetivamente, são comemoradas. A IFPI chama atenção para um aumento de 8% no consumo de serviços de streaming entre pessoas de 35 a 64 anos de idade, normalmente o grupo mais avesso a inovações tecnológicas desse tipo. Hoje, 64% dos usuários de internet usam pelo menos uma plataforma do tipo.

O consumo global também aumentou, com as pessoas passando cerca de 18 horas por semana consumindo a mídia, contra 17,8 horas em 2018. 54% dos entrevistados se disseram apaixonados por música, um total que cresce para 63% na fatia dos 16 a 24 anos de idade, justamente a mais interessante para o segmento, pois é onde está o maior poder de consumo relacionado ao setor.

Para o diretor executivo da IFPI, Frances Moore, a variedade de serviços e formatos de consumo de mídia está aumentando o engajamento das pessoas com o mercado fonográfico. Ele chamou atenção para as parcerias entre artistas, gravadoras e plataformas no fornecimento de opções exclusivas e recursos que atraiam mais pessoas para esse segmento, mas ainda chamou a pirataria de “ameaça real” ao ecossistema.

Fonte: IFPI

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