Pirataria cresce em todo o mundo, mesmo com popularização do streaming

Por Felipe Demartini | 09 de Agosto de 2018 às 11h52

Você, com certeza, já ouviu um amigo ou conhecido falando que, desde a chegada dos serviços de streaming, ficou com preguiça de baixar filmes e séries. Isso até pode ser verdade no seu círculo, mas no mundo, como um todo, a pirataria continua crescendo, principalmente aquela permitida por meio de torrents ou serviços P2P, cujos números, na maioria dos países, são bem superiores aos dos serviços de transmissão.

Os números da Irdeto, uma empresa voltada para sistemas de segurança antipirataria, mostram que o download ainda é a forma preferida dos usuários para obtenção de conteúdo de entretenimento. A pesquisa foi realizada de acordo com o tráfego dos 962 maiores serviços P2P e de transmissão online nos 19 países que mais consomem mídia dessa maneira (o que inclui o Brasil) e mostra que, em alguns deles, as ascensão do streaming nem mesmo freou o crescimento dos bucaneiros.

No Brasil, por exemplo, foram 335,9 mil visitas a sites de torrent ou serviços de download P2P entre janeiro e setembro de 2017, em comparação com 82 mil registradas a plataformas de streaming – o que inclui conteúdo licenciado e original ou igualmente pirata. A disparidade é grande, mas não está entre as maiores. A campeã nesse quesito foi a Rússia, com nada menos do que 23 milhões de acessos a plataformas do tapa-olho, contra apenas 422 mil em opções de transmissão.

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Por outro lado, em alguns poucos países, o tráfego de streaming já supera os downloads. É o caso, por exemplo, dos Estados Unidos, com 4,8 milhões de acessos deste tipo contra 2,7 milhões em redes P2P; ou do Canadá, com 1,2 milhão contra 908 mil. Na Itália, também, a diferença é mínima: 869 mil para a transmissão contra 653 mil para a turma do navio.

Outras questões também devem ser levadas em conta para entender tais números. A Alemanha, por exemplo, possui rígidas leis relacionadas ao download de conteúdos protegidos, fazendo com que esse seja o único país em que os números de streaming sejam dezenas de vezes maiores. Por lá, são mais de 1,5 milhão de acessos a plataformas de transmissão, contra apenas 182 mil a sistemas P2P. Afinal de contas, aqueles que arriscam, podem receber uma cartinha do governo, com direito até mesmo a multa.

Como aponta o TorrentFreak, entretanto, os números da Irdeto servem como panorama, mas não podem ser levados a ferro e fogo pela falta de filtragem e o fato de, por exemplo, apenas acessos por meio de desktops terem sido computados. Países com maior densidade populacional, como a Rússia, por exemplo, logicamente terão números maiores de acesso, o que não significa necessariamente um ganho de popularidade. Além disso, não houve distinção entre serviços de streaming licenciados ou não, o que poderia aumentar ainda mais os números relacionados à pirataria.

Por outro lado, a pesquisa chega a algumas conclusões interessantes, como um total de 800 milhões de downloads mensais, no mundo, no P2P, o que mostra que ele está longe de se tornar irrelevante. Além disso, a Irdeto aponta para o fato de que plataformas desse tipo, muitas vezes, são as “fornecedoras” de conteúdo para serviços de streaming ilegal, com seus administradores baixando filmes e séries para, na sequência, as disponibilizarem em seus sites.

Fonte: Irdeto, Torrent Freak

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