Pedidos de retirada de conteúdo por pirataria quadruplicaram desde 2014

Por Redação | 21 de Junho de 2016 às 11h56
photo_camera Café com Notícias

Muito se fala que a popularização de serviços como Spotify e Netflix estão ajudando os usuários a deixarem a pirataria, passando a consumir mídia de forma legal. Entretanto, os números relacionados aos pedidos de remoção de links ilegais do Google contam outra história, já que, de acordo com os dados da companhia, o total de solicitações desse tipo por parte dos detentores de direitos autorais quadruplicou nos últimos dois anos.

Desde 2011, já foram mais de um bilhão de links desse tipo retirados do ar e o aumento exponencial vai fazer com que a marca de dois bilhões não apenas seja atingida neste ano, mas também ultrapassada. De acordo com o Google, a estimativa é que três milhões de links piratas sejam processados todos os dias – ou seja, alvos de notificações de copyright e analisados para verificar se a solicitação de retirada procede ou não. Em 2016, esse total deve ultrapassar, pela primeira vez, a marca do bilhão.

O aumento vertiginoso nesses números é um reflexo do DMCA, o Digital Millennium Copyright Act. Sancionada em 1998 e cada vez mais utilizada, a lei aumenta as penas para os acusados de violar direitos autorais na internet e facilita a solicitação de remoção de conteúdo por parte das companhias afetadas. Para quem presta serviços online, entretanto, a única responsabilidade é, efetivamente, remover tais páginas do ar, tendo, claro, garantido um tempo para análise das solicitações e a possibilidade de refutá-las caso acredite que o pedido não sirva ao interesse público.

Entre todos os prestadores online, o Google acaba sendo o maior recebedor desse tipo de pedido devido a seus serviços de busca. Você já deve ter visto, ao realizar uma pesquisa, a notificação na parte inferior da tela indicando que aqueles termos possuem resultados que foram removidos devido a pedidos de donos de copyright com base no DMCA. Isso, para as autoridades responsáveis, é prova de que o método tem funcionado.

Entretanto, para muitos artistas e produtores de conteúdo, uma lei de 1998 não pode ser mais aplicada nos dias de hoje. Em abril, um grupo de 400 representantes dos mercados fonográfico, cinematográfico e de televisão, entre outros, assinaram um manifesto chamando o DMCA de antiquado e obsoleto, além de ineficaz uma vez que uma busca por qualquer tipo de conteúdo ilegal continua gerando resultados. Os “piratas” são, claramente, mais velozes, e a indústria pede mudanças que a tornem mais ágil nesse combate.

Uma das sugestões é o uso de ferramentas de inteligência artificial e análise para banimento automático de certos links, já que hoje os pedidos de retiradas são feitos página a página, um processo trabalhoso e altamente ineficaz. Os signatários também sugerem a utilização de tecnologias como metadados e impressões digitais em músicas e vídeos. O tratado foi entregue ao Senado norte-americano e levou as autoridades de direitos autorais a anunciarem o começo de uma consulta pública sobre eventuais mudanças no DMCA.

Fonte: Torrent Freak