Avião que levava Chapecoense tem altas taxas de acidentes

Por Redação | em 29.11.2016 às 21h21 - atualizado em 01.12.2016 às 20h47

aviao chapecoense

O avião que levava a equipe da Chapecoense para Medellín, na Colômbia, e caiu nesta terça-feira (29) durante uma viagem que levava o time e jornalistas esportivos da Bolívia ao país, tem um histórico de altos índices de acidentes, segundo informações reveladas pelo engenheiro aeronáutico Shailon Ian ao Valor Econômico. O modelo também é conhecido como Jumbolino e acumula 31 ocorrências de acidentes, 17 deles com perda total. 

“Aproximadamente 10% das aeronaves fabricadas já caíram”, disse Ian, que é formado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). “A contratação de uma empresa boliviana operando uma aeronave com indicadores de acidentes tão elevados não parece ser a decisão mais acertada tecnicamente.”

O time catarinense estava a bordo da aeronave em um voo fretado. O modelo, um Avro RJ-85 construído pela British Aerospace, foi lançado no início dos anos 1980 pela empresa de mesmo nome, localizada na Inglaterra, e foi muito utilizado durante as décadas de 1980 e 1990. Ele tem capacidade para até 100 lugares e é movido a jato.

A aeronave teve sua produção encerrada em 2002 devido à evolução da tecnologia aeronáutica, que passou a usar modelos com melhor gestão de combustível e maior capacidade de transportar passageiros.  Mesmo assim, em 17 anos de produção, a British Aerospace ainda lançou três versões do BAE 146, totalizando 387 aeronaves produzidas. 

O avião utilizado pela equipe de futebol carregava o prefixo CP-2933, que operava pela unidade da Lamia na Bolívia. De acordo com autoridades colombianas, a aeronave caiu em uma região montanhosa no entorno de Medellín. Embora ainda seja cedo para confirmações, as autoridades acreditam em uma pane seca e garantem que o avião não explodiu na queda.

Embora alguns afirmem que o piloto tenha despejado o combustível antes do acidente, vale frisar que o Avro RJ-85 não conta com o recurso "dump fuel", que serve para liberar quantidades em excesso de combustível nos tanques. 

O acidente deixou 71 mortos e mais seis feridos. 

Via Aero Magazine, Valor Econômico, G1

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