Uber pratica discriminação de preços, e economistas acham isso bom

Por Redação | em 24.05.2017 às 10h57

Uber

As novas mecânicas de precificação da Uber vêm sendo alvo de grande polêmica desde que foram implementadas no ano passado. O motivo é simples: os passageiros nem sempre pagam o valo exato das corridas, mas sim o que o sistema acredita que eles estão dispostos a aceitarem, enquanto, para motoristas, as métricas tradicionais ainda são usadas para compensação. Para economistas, é um sistema que funciona de forma eficiente, mas exige cuidados.

Dan Svirsky, um pesquisador da Universidade de Harvard que está estudando as dinâmicas de valores da Uber, afirma que o novo modelo, chamado de “upfront pricing”, permite que a companhia cobre valores específicos de acordo com os hábitos dos usuários e mantenha o excedente para si, ganhando mais do que a taxa cobrada dos motoristas por corrida.

O método, chamado de “discriminação de preço”, entretanto, pode ter o efeito oposto, acendendo a ira de passageiros caso não seja bem usado. O sistema poderia, por exemplo, reduzir os valores para usuários de baixo poder aquisitivo, o que inclusive serviria como um atrativo para novos clientes.

Enquanto analistas avaliam se o modelo pode ser danoso para os passageiros, os motoristas não estão nada felizes com isso. Enquanto os usuários pagam valores calculados por uma inteligência artificial, quem dirige sempre recebe totais exatos, baseados em distância e tempo de corrida. Para muitos, o sistema não trabalha em favor deles, e sim da própria Uber como forma de aumentar as margens de lucro.

Allison Schrager, consultor da Quartz, afirma que esse mesmo método poderia ser aplicado para, por exemplo, aumentar a quantidade de veículos em regiões isoladas ou com população de baixo poder aquisitivo. Ao aumentar o valor das corridas para os motoristas e reduzir o preço para os passageiros, a Uber poderia chegar a usuários que normalmente não a usariam, aumentando seu total de uso e também a carteira de clientes.

Seria uma equação que fecharia com os valores da outra ponta desse espectro. Regiões nobres e usuários de alto poder aquisitivo pagariam mais, compensando os benefícios dados aos mais humildes. É um sistema que funciona mais ou menos como um subsídio, com todos os envolvidos tendo somente a ganhar. Seria o mundo ideal, mas todos sabem que situações bonitas assim nem sempre se tornam realidade.

De acordo com a Uber, seu sistema de precificação funciona por meio de machine learning, avaliando dados de passageiros e o fluxo de veículos e corridas pela cidade para chegar a um preço final. A possibilidade de um usuário pagar mais pela viagem em um determinado horário e parte da cidade, por exemplo, é levada em consideração, assim como origem, destino e outros elementos pelo caminho, como trânsito e acidentes.

Em sua explicação, a Uber até comenta sobre a possibilidade levantada por Schrager, afirmando que corridas entre áreas nobres de uma cidade podem ser mais caras do que aquelas para bairros mais humildes, mesmo que as distâncias e tempo sejam os mesmos. Entretanto, na prática, a coisa acaba não funcionando bem assim, de acordo com o que relatam os motoristas e passageiros.

Para Marshall Steinbaum, do Instituto Rosevelt de Economia, a equação ainda é positiva para a Uber. Para ele, um mundo em que passageiros pagam o que estão dispostos é melhor do que um no qual o serviço não existe ou é bastante caro. Entretanto, ele aponta que existe uma grande diferença entre um modelo “eficiente” e “bom”, e é nessa diferença que a companhia deve prestar bastante atenção.

Fonte: Quartz

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