Cientistas desenvolvem detector de mentiras que vai funcionar em smartphones

Por Redação | em 06.07.2016 às 23h16

Nuralogix Transdermal Optical Imaging

A NuraLogix, uma empresa startup de Toronto, Canadá, está desenvolvendo um sistema que promote desvendar emoções ocultas através de análise de imagens de vídeo. Um de seus recursos serve para detectar mentiras e, no futuro, pode ser implementado como um aplicativo para celular.

O programa se chamada Transdermal Optical Imaging (imagem óptica transdérmica, numa tradução literal) e funciona detectando mudança no fluxo sanguíneo da face. A ideia é baseada nos padrões específicos de escoamento sanguíneo de acordo com cada emoção, o que não podem ser controlado conscientemente.

Ou seja, o jeito que o sangue flui varia conforme a pessoa está dizendo a verdade ou uma mentira. Segundo o cientista Kang Lee, isso pode ser medido através de vídeos, analisando a concentração de hemoglobinas (os glóbulos vermelhos do sangue). Ou seja, quanto mais concentrado, mais vermelha fica a pele. Isso pode ser imperceptível a olho nu, mas o software é capaz de analisar com precisão.

Lee diz que há uma relação entre as emoções e os padrões de fluxo nas bochechas e na testa. Um estudo de 2015 mostrou que a raiva, por exemplo, aumenta o fluxo sanguíneo e a vermelhidão da pele, enquanto a tristeza, faz com que fique menos concentrado e, portanto, deixa a pessoa relativamente mais pálida (o padrão é visto em qualquer tom de pele). Parece coisa de desenho animado, mas,  segundo os estudos, é a mais pura verdade.

À flor da pele

O pesquisador criou um algoritmo que aprende a monitorar as mudanças de fluxo sanguíneo com o tempo analisando vídeos extraídos das mais variadas fontes, incluindo aquelas gravadas por câmeras de telefones celulares. O resultado é ver alguma sob os olhos do Predador, o famoso alienígena do cinema, que tem visão térmica.

A tecnologia pode ser aplicada por agentes da lei, departamentos de marketing e profissionais de institutos de educação. "Pode ser muito útil, por exemplo, com professores", diz Lee, cujo laboratório está no Instituto para Estudos de Educação de Ontário. "Muitos de nossos estudantes têm ansiedade na matemática, mas eles não querem nos contar, porque é embaraçoso", afirma, continuando que, se os professores conseguirem identificar essa deficiência nas salas de aula, podem auxiliar esses estudantes de forma individualizada e de forma precoce.

O cientista admite que a descoberta foi feita ao acaso, mas, com esse método, "pode-se analisar os indivíduos de forma não-invasiva, remotamente e até mesmo sem que a pessoa saiba". Não é a primeira vez que a neurociência proclama ter descoberto o polígrafo de século 21. Em 2008, um detector de mentiras baseado na leitura do eletroencefalograma foi usado na Índia para condenar uma mulher de homicídio. Neste ano, uma companhia propôs usar uma tecnologia de rastreamento ocular para detectar terroristas entre refugiados.

Sobre as descobertas de Lee, o cientista afirma que terá uma versão funcional em seis meses, incluindo um software na nuvem no qual os usuários poderão utilizar para analisar vídeos capturados por seus dispositivos. Em 12 meses, ele afirma que haverá "algo mais sofisticado" e, para um app de celular, vai demorar "alguns anos".

Já imaginou isso como uma funcionalidade do Tinder?

Com informações da Vice.

Assine nosso canal e saiba mais sobre tecnologia!
Leia a Seguir

Comentários

Newsletter Canaltech

Receba nossas notícias por e-mail e fique
por dentro do mundo da tecnologia!

Baixe já nosso app Fechar

Novidade

Extensão Canaltech

Agora você pode ficar por dentro de todas as notícias, vídeos e podcasts produzidos pelo Canaltech.

Receba notificações e pesquise em nosso site diretamente de sua barra de ferramentas.

Adicionar ao Chrome